===== FACULDADE DE JUÍZO ===== Urtheilskraft A [[lexico:i:intuicao|intuição]] , tanto pura e [[lexico:a:a-priori|a priori]], igual à que funda a [[lexico:m:matematica|matemática]], quanto empírica e [[lexico:a:a-posteriori|a posteriori]], igual à que funda todas as outras ciências, é a [[lexico:f:fonte|fonte]] de toda [[lexico:v:verdade|verdade]] e o [[lexico:f:fundamento|fundamento]] de qualquer [[lexico:c:ciencia|ciência]] (com única [[lexico:e:excecao|exceção]] da [[lexico:l:logica|lógica]], baseada [[lexico:n:nao|não]] no [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] intuitivo, mas [[lexico:i:imediato|imediato]] que a [[lexico:r:razao|razão]] tem das próprias leis). Não os juízos demonstrados, muito menos as suas demonstrações, mas os juízos hauridos e fundamentados imediatamente na intuição, em vez de qualquer [[lexico:d:demonstracao|demonstração]], são na ciência o que o [[lexico:s:sol|sol]] é para o [[lexico:m:mundo|mundo]]: pois destes juízos provém toda [[lexico:l:luz|luz]], a qual, refletida, faz os outros juízos iluminarem-se novamente. Fundamentar imediatamente na intuição a verdade de tais primeiros juízos, destacar tais pedras-base da ciência a partir da imensa [[lexico:m:multidao|multidão]] das [[lexico:c:coisas-reais|coisas reais]], é a [[lexico:o:obra|obra]] da [[lexico:f:faculdade-de-juizo|faculdade de juízo]], este poder de transmitir correta e exatamente para a [[lexico:c:consciencia|consciência]] abstrata o que foi conhecido intuitivamente. Com isso, a [[lexico:f:faculdade|faculdade]] de [[lexico:j:juizo|juízo]] é a intermediária entre o [[lexico:e:entendimento|entendimento]] e a razão, e apenas quando ela, num [[lexico:i:individuo|indivíduo]], distingue-se e ultrapassa com seu poder a [[lexico:m:medida|medida]] comum é que se pode efetivamente fazer [[lexico:p:progresso|progresso]] nas ciências: por sua vez, deduzir proposições de proposições, demonstrar, concluir é algo acessível a todos, desde que tenha razão saudável. Ao contrário, recolher e fixar o que foi conhecido intuitivamente em [[lexico:c:conceitos|conceitos]] apropriados para a [[lexico:r:reflexao|reflexão]], de tal [[lexico:m:modo|modo]] que, de um lado, aquilo comum a muitos objetos reais seja pensado por UM [[lexico:c:conceito|conceito]] e, de [[lexico:o:outro|outro]], o diferente deles seja pensado por outros tantos conceitos, e, assim, o diferente, apesar de uma concordância parcial, seja pensado e conhecido como diferente, e o [[lexico:i:identico|idêntico]], apesar de uma [[lexico:d:diferenca|diferença]] parcial, seja pensado e conhecido como idêntico, conforme o [[lexico:f:fim|fim]] e o [[lexico:a:aspecto|aspecto]] que convenha a cada caso: eis em tudo isso uma [[lexico:t:tarefa|tarefa]] da FACULDADE DE JUÍZO. [...] Ademais, no que se refere a essa explanação da faculdade de juízo, pode-se ainda empregar a bipartição kantiana da mesma em reflexionante e determinante, conforme se transite dos objetos intuitivos para o conceito, ou deste para aqueles; em ambos os casos a faculdade de juízo sempre faz a intermediação entre o conhecimento intuitivo do entendimento e o reflexivo da razão. [Schopenhauer, MVR1:116-117]