===== EXTERIORIDADE ===== F. Extériorité; It. Esteriorità; I. Exteriority; A. Äusserlichkeit, Exteriorität. [[lexico:c:carater:start|Caráter]] do que é [[lexico:e:exterior:start|exterior]], atribuído aos objetos físicos. O "[[lexico:p:problema:start|problema]] da exterioridade" foi articulado por [[lexico:c:condillac:start|Condillac]], Traité, [[lexico:p:parte:start|parte]] III: "Se se admite que as sensações são apenas modificações da [[lexico:m:mente:start|mente]], como acontece então que a mente as apreenda como objetos independentes e exteriores a ela?" Filosoficamente, o problema aparece assim articulado: existe "[[lexico:c:coisa:start|coisa]] em si" fora do [[lexico:e:estado:start|Estado]] da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]. O [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]], principalmente o idealismo espiritualista de [[lexico:b:berkeley:start|Berkeley]], responde: "[[lexico:n:nao:start|Não]], [[lexico:n:nada:start|nada]] existe fora do [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]]". O [[lexico:f:fenomenismo:start|fenomenismo]] kantiano vê a coisa em si como [[lexico:e:ente:start|ente]] da [[lexico:r:razao:start|razão]], uma [[lexico:e:entidade:start|entidade]], não como [[lexico:r:realidade:start|realidade]] de [[lexico:e:existencia:start|existência]] [[lexico:i:independente:start|independente]]. O [[lexico:m:materialismo:start|materialismo]], principalmente o [[lexico:m:materialismo-dialetico:start|materialismo dialético]], afirma: O [[lexico:o:objeto:start|objeto]], a coisa, existe fora do intelecto, o [[lexico:d:dado:start|dado]] exterior "é". (in. Exteriority, interiority; fr. Exteriorité, intériorité, al. Aeusserlichkeit, Innerlichkeit; it. Esteriorità, interiorità). O [[lexico:t:tema:start|tema]] filosófico da [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] entre [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]] e exterioridade nasce juntamente com a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de consciência e expressa a oposição entre [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] alheio à consciência e o que lhe é [[lexico:p:proprio:start|próprio]]. Foi a pregação popular estoica que explorou pela primeira vez [[lexico:e:esse:start|esse]] tema, o que se repete com frequência nas páginas de Epicteto, [[lexico:m:marco-aurelio:start|Marco Aurélio]] e [[lexico:s:seneca:start|Sêneca]]. Epicteto diz: "É estado e marca do [[lexico:h:homem:start|homem]] comum nunca esperar benefício ou prejuízo de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], mas das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] de fora. Estado e marca do [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] é esperar ou temer de si mesmo toda e qualquer [[lexico:u:utilidade:start|utilidade]] ou dano" (Manual, 48). E Marco Aurélio: "As coisas [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmas não chegam a tocar a [[lexico:a:alma:start|alma]], a ela não têm [[lexico:a:acesso:start|acesso]] nem podem mudá-la ou removê-la. Mas é a alma que por si muda e modifica-se, e sejam quais forem os juízos que ela se julgar digna de fazer sobre as coisas que a rodeiam, do mesmo [[lexico:m:modo:start|modo]] ela fará que para ela sejam as ditas coisas" (Memórias, V, 19). Sêneca contrapõe "a [[lexico:a:alegria:start|alegria]] que nasce do interior" à que deriva das coisas exteriores (Ep., 23). [[lexico:n:neoplatonismo:start|neoplatonismo]] e cristianismo são responsáveis pela identificação da interioridade com a [[lexico:e:esfera:start|esfera]] da consciência e da exterioridade com a esfera do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] a que pertencem as coisas naturais e os outros seres. O tema da oposição entre interioridade e exterioridade tornou-se, assim, um tema [[lexico:c:classico:start|clássico]] de toda [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] que recorre à consciência como esfera de realidade privilegiada tanto pela sua [[lexico:c:certeza:start|certeza]] quanto pelo seu [[lexico:v:valor:start|valor]]. A [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] comum acolheu os significados filosóficos das duas [[lexico:p:palavras:start|palavras]], com a [[lexico:s:significacao:start|significação]] de [[lexico:c:contraposicao:start|contraposição]] entre o que é consciência e o que não é. A [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] do [[lexico:e:espiritualismo:start|espiritualismo]] e o [[lexico:m:metodo:start|método]] da [[lexico:i:introspeccao:start|introspecção]] utilizam igualmente esse [[lexico:l:lema:start|lema]] tradicional. Seria muito fácil mostrar o caráter puramente metafórico (portanto, a [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de [[lexico:s:significado:start|significado]] preciso) das expressões em que aparecem esses termos ou os adjetivos correspondentes. "Realidade interna" e "realidade externa", "mundo interior" e "mundo exterior", "objetos internos" e "objetos externos" são expressões que, a rigor, não têm [[lexico:s:sentido:start|sentido]], seja porque não se faz [[lexico:r:referencia:start|referência]] ao âmbito fechado em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao qual um "[[lexico:e:externo:start|externo]]" e um "interno" possam [[lexico:s:ser:start|ser]] determinados, seja porque tal âmbito fechado, quando determinado, não é espacial, pois é a própria consciência. [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] utilizou abundantemente esses termos que, justamente por [[lexico:m:meio:start|meio]] de sua [[lexico:o:obra:start|obra]], penetraram na [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]] filosófica. Ele identificava o interior com a "razão de ser" e o exterior, com sua [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] (Enc., §§ 138-39). Mas tinha o [[lexico:b:bom-senso:start|bom senso]] de acrescentar: "Assim como o homem é externamente, ou seja, em suas [[lexico:a:acoes:start|ações]] (por certo não na sua exterioridade somente corpórea), também é interno; e quando ele é só interno — virtuoso, [[lexico:m:moral:start|moral]], só em intenções, disposições, etc. — e o seu exterior não é .[[lexico:i:identico:start|idêntico]] a tudo isso, então um é tão [[lexico:v:vazio:start|vazio]] quanto o [[lexico:o:outro:start|outro]]" (Ibid., § 140). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}