===== EXISTÊNCIA ===== (gr. to hyparkein; lat. existentia; in. Existence; fr. Existence, ai. Existenz; it. Esistenza). Em [[lexico:g:geral|geral]], qualquer delimitação ou [[lexico:d:definicao|definição]] do [[lexico:s:ser|ser]], ou seja, um [[lexico:m:modo|modo]] de ser de algum modo delimitado e definido. Este, que é o [[lexico:s:significado|significado]] mais geral, também pode ser considerado um dos significados particulares do [[lexico:t:termo|termo]], do qual é [[lexico:p:possivel|possível]], então, enunciar três significados: 1) o modo de ser determinado ou determinável; 2) o modo de ser [[lexico:r:real|real]] ou de [[lexico:f:fato|fato]]; 3) o modo de ser [[lexico:p:proprio|próprio]] do [[lexico:h:homem|homem]]. 1) Como modo de ser determinado ou definido de certo modo, [[lexico:e:esse|esse]] termo costuma ser usado na [[lexico:l:linguagem|linguagem]] comum e nas diversas linguagens científicas. Fala-se, com [[lexico:e:efeito|efeito]], da existência de entes matemáticos e há, em [[lexico:m:matematica|matemática]], um "[[lexico:t:teorema|teorema]] de existência". Analogamente, fala-se de existência "[[lexico:l:logica|lógica]]" ou "conceitual" ou ainda de existência "fantástica", do mesmo modo que os escolásticos falavam da existência "no [[lexico:i:intelecto|intelecto]]" ou da existência "na [[lexico:r:realidade|realidade]]"; fala-se também de existência "em si" (da [[lexico:s:substancia|substância]]) ou de existência "em outra [[lexico:c:coisa|coisa]]" (das qualidades ou acidentes da substância). Todos esses casos só [[lexico:n:nao|não]] têm em comum certa delimitação do significado de ser que, nas ciências exatas, baseia-se em definições precisas. Assim, no [[lexico:c:campo|campo]] da matemática, a partir de Hilbert, existência é entendida como [[lexico:a:ausencia|ausência]] de [[lexico:c:contradicao|contradição]]; quando se afirma que a solução de um [[lexico:p:problema|problema]] existe, pretende-se dizer simplesmente que nenhuma contradição impede admitir a existência da solução. Um teorema de existência é a [[lexico:p:prova|prova]] rigorosa de que a solução existe (nesse [[lexico:s:sentido|sentido]]), mesmo que ainda não tenha sido [[lexico:d:descoberta|descoberta]]. Esse é, pelo menos, o [[lexico:c:criterio|critério]] ao qual continua ligada certa [[lexico:e:escola|escola]] de matemáticos contemporâneos, a dos formalistas, encabeçados por Hilbert. A outra escola, a dos intuicionistas, que tem à frente Brouwer e Heyting, assume como critério de existência em matemática a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] da construção e julga que não se pode [[lexico:f:falar|falar]] de entes matemáticos que não possam ser construídos. Em um sentido ou em [[lexico:o:outro|outro]], porém, o [[lexico:c:conceito|conceito]] de existência é definido com [[lexico:p:precisao|precisão]] em matemática e não se [[lexico:f:fala|fala]] de existência em sentido diferente, nessa [[lexico:d:disciplina|disciplina]]. Por outro lado, é fácil [[lexico:v:ver|ver]] que esse mesmo conceito de existência não tem sentido fora da matemática e, portanto, não pode ser estendido a campos diferentes. Se passarmos da matemática à [[lexico:f:fisica|física]] logo veremos que a existência dos entes de que ela fala é sempre implicitamente definida pelas operações de [[lexico:m:medida|medida]] ou [[lexico:v:verificacao|verificação]] que servem para estabelecer a [[lexico:o:observacao|observação]] desses entes. Analogamente, ainda, a existência de que se pode falar no domínio da lógica é a definida pelas operações a que o [[lexico:o:objeto|objeto]] [[lexico:l:logico|lógico]] pode ser submetido e se reduz, em última [[lexico:a:analise|análise]], à ausência de contradição. As chamadas ciências "morais" também se fundam em definições implícitas ou explícitas da existência Em [[lexico:d:direito|direito]], uma [[lexico:l:lei|lei]] "existe" se foi formulada, aprovada e promulgada nos modos e nas formas previstos na [[lexico:c:constituicao|Constituição]] do [[lexico:e:estado|Estado]]. E um fato existe do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista jurídico se pode ser "provado" nas formas ou nos modos de lei, e qualificado em conformidade com as próprias leis. De [[lexico:f:forma|forma]] [[lexico:s:semelhante|semelhante]], em [[lexico:e:economia|economia]], a existência de um [[lexico:e:evento|evento]] consiste na possibilidade de ele ser observado como uniformidade [[lexico:e:estatistica|estatística]] ou quase estatística. Em geral, toda [[lexico:c:ciencia|ciência]] ou disciplina define de algum modo, explícita ou implicitamente, o significado a ser [[lexico:d:dado|dado]] à [[lexico:p:palavra|palavra]] "existência" em seu âmbito. Carnap distinguiu o problema interno da existência (interno a determinado campo, p. ex., à matemática, à física ou à lógica) e o problema [[lexico:e:externo|externo]] da mesma existência O problema interno sempre pode ser resolvido empiricamente (quando se refere à realidade de fato) ou logicamente, quando se refere a proposições analíticas. O problema externo é, ao contrário, o que se refere à "existência ou realidade do [[lexico:s:sistema|sistema]] total das entidades". Assim, p. ex., [[lexico:e:existir|existir]] ou não dado [[lexico:n:numero|número]] primo é um problema interno da [[lexico:a:aritmetica|aritmética]]. Mas se existe ou não o sistema dos números ou qual é a realidade dos números em seu conjunto são problemas externos que não têm resposta, sendo, por isso, pseudo-problemas, semelhantes ao da realidade do [[lexico:m:mundo|mundo]] externo ou à [[lexico:d:disputa|disputa]] entre [[lexico:n:nominalismo|nominalismo]] e [[lexico:r:realismo|realismo]], que o [[lexico:c:circulo-de-viena|Círculo de Viena]] já declarara desprovidos de sentido (Meaning and Necessity, A 3). O [[lexico:c:carater|caráter]] inevitável do [[lexico:c:compromisso|compromisso]] antológico, ou seja, da [[lexico:d:decisao|decisão]] acerca do significado ou dos significados que devem ser atribuídos à existência nos diferentes campos de [[lexico:i:indagacao|indagação]], foi evidenciado por Quine, que também ressaltou o fato de esse compromisso [[lexico:o:ontologico|ontológico]] não ser meramente linguístico, mas se assemelhar à aceitação de uma [[lexico:t:teoria|teoria]] científica (From a Logical Point of View, 1). A exigência desse compromisso obviamente é maior no domínio da [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] científica. A linguagem comum é muito menos precisa ao definir o modo de ser dos objetos aos quais atribui alguma [[lexico:e:especie|espécie]] de existência. Seria por certo embaraçoso [[lexico:e:explicar|explicar]] com precisão o que se pretende dizer quando se afirma, p. ex., que o objeto x tem existência "puramente fantástica" ou "puramente [[lexico:i:ideal|ideal]]", assim como é difícil dizer que [[lexico:t:tipo|tipo]] de existência cabe a um [[lexico:v:valor|valor]] qualquer, como, p. ex., à [[lexico:b:beleza|beleza]]. Mas o que interessa aqui destacar é que, mesmo quando [[lexico:f:falta|falta]] [[lexico:d:determinacao|determinação]] precisa, como muitas vezes ocorre na linguagem comum, sempre está presente no [[lexico:u:uso|uso]] da palavra "existência" a [[lexico:r:referencia|referência]] a uma [[lexico:e:esfera|esfera]] limitada do ser ou à possibilidade de delimitá-la. Em geral, podemos dizer: à) a palavra "existência" possui significado próprio no âmbito de cada disciplina, que é explicitamente expresso ou implicitamente definido pelas operações ou pelos procedimentos peculiares à disciplina; b) tal significado em geral só é válido no âmbito a que se estendem os instrumentos ou procedimentos da disciplina, ou seja, no campo específico dos objetos dessa disciplina, mas não tem significado fora desse campo e não pode ser estendido a campos diferentes, que não tenham [[lexico:r:relacoes|relações]] definíveis com o campo em [[lexico:q:questao|questão]]. 2) O significado de existência como existência de fato, vale dizer, aquilo que na realidade é ou subsiste, é o mais frequente na [[lexico:h:historia-da-filosofia|história da filosofia]]. [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] usava essa palavra com esse sentido ao dizer: "A ciência dá a [[lexico:r:razao|razão]] de ser tanto de uma coisa quanto da sua [[lexico:p:privacao|privação]], embora de modo diferente; a razão de ser é de ambas as [[lexico:c:coisas|coisas]], mas especialmente daquilo que existe" (Met., IX, 2, 1046 b 6; cf. De cael., II, 14, 247 b 22). Do mesmo modo, a palavra é usada por [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] com o [[lexico:f:fim|fim]] de definir a [[lexico:s:subsistencia|subsistência]] (subsistentia) própria da substância, porquanto esta "existe não em outra coisa, mas em si mesma" (S. Th., I, q. 29, a. 2), ou de definir "[[lexico:o:o-que-e|o que é]] existente [[lexico:p:por-si|por si]]", quer dizer, o que é real sem ser [[lexico:q:qualidade|qualidade]] ou [[lexico:a:acidente|acidente]] de outro real (Ibid., I, q. 75, a. 2). Obviamente, para Tomás de Aquino, mesmo aquilo que não é "por si" pode ser considerado existente, como p. ex. um acidente real. A esfera da existência como realidade de fato é definida mais explicitamente por Henrique de Gand, que introduz a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre esse essentiae e esse existentiae. O ser da [[lexico:e:essencia|essência]] é o [[lexico:g:grau|grau]] ou modo de ser que cabe à essência como tal, independentemente do ser da existência; o ser da existência é a realidade efetiva que pode sobrevir ou não ao ser da essência. Uso [[lexico:a:analogo|análogo]] dessa palavra encontra-se em [[lexico:s:spinoza|Spinoza]] (Et., 1,7), e em [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] (Nouv. ess., II, 7), [[lexico:a:alem|além]] de [[lexico:l:locke|Locke]], que, para evitar equívocos, fala de "existência real" (Ensaio, II, 3, 21). existência também é realidade para [[lexico:b:berkeley|Berkeley]] (Principles of Knowledge, 3) e [[lexico:h:hume|Hume]] (Treatise, I, 3, 7). Justamente por considerar a existência como realidade de fato, [[lexico:k:kant|Kant]] nega que ela possa ser reduzida a um [[lexico:p:predicado|predicado]] conceitual (Crít. R. Pura, [[lexico:a:analitica|Analítica]], II, cap. 2, seç. 3, 4). Na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] contemporânea, a palavra é usada no mesmo sentido. Quando [[lexico:d:dewey|Dewey]] define a [[lexico:m:metafisica|metafísica]] como "[[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] das características genéricas da existência" e fala da pretensão dos filósofos "de lidar com o conhecimento da existência e não com a [[lexico:i:imaginacao|imaginação]]", entende por esse termo a realidade de fato, independentemente do embelezamento e da deformação que ela sofre na [[lexico:d:descricao|descrição]] dos filósofos (Experience and Nature, cap. II). Para mais detalhes sobre esse significado, v. ser; fato; realidade. 3) O [[lexico:t:terceiro|terceiro]] significado específico desse termo é o que restringe ao modo de ser do homem no mundo. Esse significado encontra-se no [[lexico:e:existencialismo|existencialismo]] (v.) como filosofia, cujo [[lexico:t:tema|tema]] é a análise desse modo de ser. Já nos séculos XVIII e XIX a alguns filósofos ocorreu insistir no significado específico da existência como modo de ser das criaturas finitas, dos entes criados. [[lexico:v:vico|Vico]] observou que [[lexico:d:descartes|Descartes]] não deveria [[lexico:t:ter|ter]] [[lexico:d:dito|dito]] "Penso, logo sou", mas "Penso, logo existo"; a existência é o modo de ser próprio da criatura, porquanto significa [[lexico:e:estar|estar]] embaixo ou em cima, e supõe substância, ou seja, o Ser [[lexico:d:divino|divino]] que a sustem e a cria (Prima Risp. al Giorn. dei Lett., § 3). Essa distinção foi aceita e adotada por Gioberti (Intr. alio studio della fil., 1840, II, cap. 4), mas não era suficiente para fazer da existência o tema de uma nova [[lexico:e:especulacao|especulação]]. Outro passo nessa direção pode ser visto na chamada "[[lexico:f:filosofia-da-fe|filosofia da fé]]" de Hamann e [[lexico:j:jacobi|Jacobi]], que insistiu na irredutibilidade da existência à razão. Para Jacobi, a filosofia de Spinoza era o [[lexico:p:prototipo|protótipo]] de toda filosofia que identifica existência com razão e, portanto, não deixa [[lexico:l:lugar|lugar]] à [[lexico:f:fe|fé]]. Contra Spinoza, recorre a Hume, que identificou a existência com a fé, ou melhor, com a [[lexico:c:crenca|crença]] (Hume, über den Glauben, 1787). [[lexico:s:schelling|Schelling]] aderiu a essa [[lexico:t:tese|tese]] na última fase de sua filosofia, que ele chamou de filosofia positiva e expôs nas obras intituladas Filosofia da [[lexico:m:mitologia|mitologia]] e Filosofia da [[lexico:r:revelacao|revelação]]. Para Schelling, a razão só consegue determinar as condições negativas da existência, as condições que determinam o modo em que a existência deve ser pensada, dado que o seja. Mas a [[lexico:c:condicao|condição]] positiva, graças à qual o ser existe, extrapola a filosofia negativa ou [[lexico:r:racional|racional]] porque é [[lexico:c:criacao|criação]], [[lexico:v:vontade-de-deus|vontade de Deus]] de revelar-se; só essa diz [[lexico:r:respeito|respeito]] ao quodsit, à existência (Werke, II, III, pp. 57 ss.). A polêmica de Schelling dirigia-se contra [[lexico:h:hegel|Hegel]], assim como a de Jacobi visava a Spinoza. Mas mesmo nessas polêmicas a existência, conquanto não fosse considerada solúvel pela razão ou pelo conceito, não é identificada com o modo de ser específico do homem e própria dele apenas. Esse passo foi dado por [[lexico:k:kierkegaard|Kierkegaard]], que também preparou o [[lexico:i:instrumento|instrumento]] fundamental para a análise da existência: o conceito de possibilidade. Kierkegaard remete-se explicitamente à polêmica, a que já aludimos, contra a [[lexico:r:reducao|redução]] de E, a conceito: "A existência corresponde à realidade individual, ao [[lexico:i:individuo|indivíduo]] (o que Aristóteles já ensinou); está fora do conceito, que, de qualquer forma, não coincide com ela. Para um [[lexico:a:animal|animal]], uma planta, um homem, a existência (ser ou não ser) é algo de muito decisivo; o indivíduo por certo não tem uma existência conceitual" (Diário, X2, A 328). Mas a existência como [[lexico:i:individualidade|individualidade]] é apenas a existência humana. No mundo animal, é mais importante a espécie do que o indivíduo; no mundo [[lexico:h:humano|humano]] o indivíduo não pode ser sacrificado à espécie. Nesse sentido, a [[lexico:s:singularidade|singularidade]] da existência torna-a o modo de ser fundamental do homem. Tal modo de ser foi analisado por Kierkegaard no seu tríplice [[lexico:a:aspecto|aspecto]] de relacionar-se com o mundo, consigo mesmo e com [[lexico:d:deus|Deus]]. Mas nesses três aspectos o relacionar-se [[lexico:n:nada|nada]] tem de [[lexico:n:necessario|necessário]]: é instável e precário. Em [[lexico:t:todo|todo]] caso, não é constituído por laços fortes e imutáveis, mas por [[lexico:s:simples|simples]] possibilidades que até podem ser perdidas. Aos olhos de Kierkegaard, portanto, a existência como modo de ser constituído pelas relações do homem consigo mesmo, com o mundo e com Deus é analisável em um conjunto de possibilidades cujo caráter é justamente não possuir, por [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], nenhuma [[lexico:g:garantia|garantia]] de realização. Certamente Deus pode conferir segurança e infalibilidade a tais possibilidades (porque para Ele "tudo é possível"), mas até mesmo o relacionar-se do homem com Deus é apenas possível, e não necessário. Dessa [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] da existência em termos de possibilidade nascem as características fundamentais da existência, que são a [[lexico:a:angustia|angústia]], como relacionamento do homem com o mundo, desesperação, como relacionamento do homem consigo mesmo, e [[lexico:p:paradoxo|paradoxo]], como relacionamento do homem com Deus (v. existencialismo). Com isso, são estabelecidas as características da [[lexico:n:nocao|noção]] de existência, no significado em que geralmente é empregada pela corrente [[lexico:e:existencialista|existencialista]] da filosofia contemporânea. A existência é: 1) o modo de ser próprio do homem; 2) o relacionamento do homem consigo mesmo e com o outro (mundo e Deus); 3) relacionamento que se resolve em termos de possibilidade. Essas características constituem a inspiração fundamental e comum das teorias da existência na filosofia contemporânea. Em [[lexico:v:virtude|virtude]] da segunda delas, diz-se que a existência é um modo de ser em [[lexico:s:situacao|situação]], entendendo-se por situação o conjunto de relações analisáveis que vinculam o homem às coisas do mundo e aos outros homens. Na filosofia contemporânea, foi [[lexico:h:heidegger|Heidegger]] o primeiro a formular uma análise da existência com bases nessas características. Em primeiro- lugar, ele restringiu rigorosamente o significado de existência ao modo de ser do homem, empregando, para indicar o ser dos outros entes finitos, o termo "[[lexico:p:presenca|presença]]" (Vorhandenheit): "A [[lexico:n:natureza|natureza]] do [[lexico:s:ser-ai|ser-aí]] consiste na sua existência As características que podem ser extraídas desse [[lexico:e:ente|ente]] nada têm a ver portanto com as ‘propriedades’ de um ente presente ‘que tem este ou aquele aspecto’, mas são sempre e somente possíveis modos de ser. Toda [[lexico:m:modalidade|modalidade]] de ser desse ente é primordialmente ser. Por isso, o termo ser-aí ([[lexico:d:dasein|Dasein]]), pelo qual indicamos tal ente, exprime o ser, e não a [[lexico:q:quididade|quididade]], como ocorre quando se diz pão, casa, árvore" (Sein und Zeü, § 9). Heidegger afirmava com igual clareza a resolubilidade da existência, assim entendida em suas possibilidades. "O ser-aí", diz ele, "é sempre a sua possibilidade, e ele não a ‘tem’ do mesmo modo como um ente presente possui uma [[lexico:p:propriedade|propriedade]]. Por ser essencialmente possibilidade, o ser-aí pode, em sendo, ‘escolher-se’ e conquistar-se, ou então perder-se, ou seja, não se conquistar, ou só se conquistar aparentemente. Ele só pode perder-se ou não se ter ainda conquistado porque, em seu modo de ser, comporta uma possibilidade de autenticidade, ou seja, de apropriar-se de si mesmo" (Ibid., § 9). Da natureza possível da existência deriva, portanto, para a existência a [[lexico:a:alternativa|alternativa]] entre o modo de ser inautêntico, que é o da existência cotidiana e [[lexico:i:impessoal|impessoal]], dominada pela tagarelice, pela [[lexico:c:curiosidade|curiosidade]] e pelo [[lexico:e:equivoco|equívoco]], e a existência autêntica, que é a de [[lexico:q:quem|quem]] reconhece e escolhe a possibilidade mais própria do seu ser. Essa possibilidade própria é a da [[lexico:m:morte|morte]]: essa conclusão constitui a [[lexico:c:caracteristica|característica]] da filosofia de Heidegger (v. existencialismo). Mas as análises de Heidegger evidenciaram algumas características da existência que se mostraram válidas para compreendê-la e interpretá-la, mesmo fora dos compromissos ontológicos ou metafísicos de que partiam aquelas análises. A existência como possibilidade é [[lexico:t:transcendencia|transcendência]] para o mundo e, como tal, é [[lexico:a:ato|ato]] de projetar. Mas o ato de projetar é, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], inclusão do ser-aí projetante no mundo e sua submissão às condições do mundo. "O [[lexico:p:projeto|projeto]] de possibilidades, em conformidade com sua essência, vai ficando cada vez mais rico do que a [[lexico:p:posse|posse]] em que o projetante se achava anteriormente. Mas semelhante posse só pode pertencer ao ser-aí porque este, enquanto projetante, sente-se imerso no [[lexico:m:meio|meio]] do ente. Mas, com isso, e em [[lexico:c:consequencia|consequência]] de sua efetividade, o ser-aí já perde outras possibilidades. Mas é justamente essa [[lexico:p:perda|perda]] de determinadas possibilidades do po-der-ser-no-mundo, implícita na inclusão no ente, que põe adiante do ser-aí com seu mundo as possibilidades realmente alcançáveis no projeto do mundo" ([[lexico:w:wesen|Wesen]] des Grundes, III; trad. it., p. 68). Para quem observa não só outras formas de existencialismo, mas também outras doutrinas contemporâneas ([[lexico:i:instrumentalismo|instrumentalismo]], [[lexico:n:naturalismo|naturalismo]], neo-empirismo) e a postura das ciências modernas em suas pesquisas sobre o homem ([[lexico:b:biologia|biologia]], [[lexico:p:psicologia|psicologia]], [[lexico:s:sociologia|sociologia]]), parece extremamente importante e fecunda essa interpretação da existência como ato de projetar, em que o projetante já está condicionado pelas coisas ou pelos entes de cujas relações [[lexico:p:parte|parte]] seu projeto, encontrando-se por isso diante de possibilidades limitadas. Essa interpretação também serve de base para entender a [[lexico:l:liberdade|liberdade]] finita do homem. Heidegger diz: "prova [[lexico:t:transcendental|transcendental]] da [[lexico:f:finitude|finitude]] da liberdade do ser-aí é que o projeto [[lexico:c:concreto|concreto]] do mundo, em seu [[lexico:i:impulso|impulso]], ganha [[lexico:f:forca|força]] e só se torna posse com a perda , Será que nisso não se mostra com clareza a essência finita da liberdade em geral?" (Ibid., III; trad. it., p. 69). Essas características da existência são reconhecidas, ainda que com tônicas diferentes, pelas outras formas do existencialismo contemporâneo. Para [[lexico:j:jaspers|Jaspers]], também a existência é existência possível, definida pelas relações consigo mesma e com a Transcendência (Phil., I, p. 13). Mas são as relações com a Transcendência que dominam a existência na filosofia de Jaspers: as relações do homem consigo mesmo e com o mundo são consideradas apenas formas imperfeitas, aproximadas e, em última análise, ilusórias e desastrosas do relacionamento do homem com a Transcendência. Mas o relacionamento com a Transcendência não se inclui entre as possibilidades humanas: desse modo, essas possibilidades são examinadas e avaliadas com base naquilo que, para o homem, é uma [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] efetiva e suprema (Ibid., III, pp. 4 ss.). Possibilidade, transcendência, projeto são também os termos com que a existência é analisada por [[lexico:s:sartre|Sartre]], que, romanticamente, vê nela a [[lexico:a:aspiracao|aspiração]] para o [[lexico:i:infinito|infinito]], definindo o homem como ‘o ser que projeta ser Deus" (L’être et le néant, 1943, p. 653). Embora a possibilidade [[lexico:e:existencial|existencial]] tenha sido o tema dominante do existencialismo contemporâneo, com muita frequência suas características específicas foram esquecidas ou negadas. Tais características podem ser assim expostas: 1) Uma possibilidade sempre tem dois aspectos inseparáveis, em virtude dos quais é, simultaneamente, possibilidade-de-sim e possibilidade-de-não. Nada garante a realização infalível de uma possibilidade, mas tampouco nada exclui infalivelmente a sua realização. Reduzir uma possibilidade ao seu aspecto [[lexico:p:positivo|positivo]] significa transformá-la em determinação necessitante, em [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] que não pode não ser. Reduzir a possibilidade ao seu aspecto [[lexico:n:negativo|negativo]] significa transformá-la em uma determinação negativa igualmente necessitante, ou seja, em alguma coisa que não pode ser. Em ambos os casos, abandona-se o terreno da possibilidade para entrar no da [[lexico:n:necessidade|necessidade]]. 2) A possibilidade é uma determinação finita, sujeita a limites e condições que, ao mesmo tempo em que a efetivam e validam, delimitam seu âmbito. Portanto, a [[lexico:f:frase|frase]] "possibilidade infinita" deve ser considerada contraditória: uma possibilidade infinita é, na [[lexico:v:verdade|verdade]], possibilidade de nada porque não comporta definição nem delimitação. Analogamente, a frase "todas as possibilidades" deve ser considerada sem sentido, se tomada sem outras determinações (do tipo, p. ex., "de que dispõe" ou "que a situação comporta"), visto que a [[lexico:t:totalidade|totalidade]] absoluta das possibilidades constituiria a garantia infalível da realização de cada uma delas, privando-as precisamente do caráter de possibilidade. 3) Com os procedimentos disponíveis identifica-se um campo de possibilidades para estabelecer a distinção entre as possibilidades efetivas ou autênticas e as fictícias. Os domínios da indagação científica e da [[lexico:a:atividade|atividade]] humana em geral podem ser considerados campos de possibilidades nesse sentido (cf. [[lexico:a:abbagnano|Abbagnano]], Struttura dell’Esistenza, 1939; Introduzione all’esistenzialismo, 1942, 4a ed., 1956; Possibilita e liberta, 1957). (do lat. ex, exteriormente, e sistere, efetuar-se), fato de [[lexico:a:aparecer|aparecer]] e manifestar-se exteriormente. — A existência é, então, própria de um ser animado e contrapõe-se ao simples "ser" das coisas. Na filosofia existencialista, "existir" é "projetar-se" fora de si mesmo, fazer projetos, arrancar-se a seu estado por meio de uma [[lexico:a:acao|ação]] sempre nova. Segundo Sartre, assim se experimentaria a "liberdade", que é o caráter fundamental da existência. Essa [[lexico:s:superacao|superação]] de si mesmo pode realizar-se em direção ao [[lexico:f:futuro|futuro]], conduzindo então, segundo Heidegger, a tomar-se [[lexico:c:consciencia|consciência]] da morte, na angústia; pode, entretanto, efetuar-se igualmente em direção ao passado, levando-nos a tomar consciência do fato de que nascemos, de nossa [[lexico:c:contingencia|contingência]] e de nossa "[[lexico:f:facticidade|facticidade]]". A existência autêntica é a resultante desses dois projetos; é, então, a consciência de nossa finidade absoluta como seres "lançados no mundo" e "destinados à morte". — Já Hegel distinguira, na [[lexico:f:fenomenologia-do-espirito|fenomenologia do espírito]], as duas noções de existência e de [[lexico:v:vida|vida]]: a existência é a "consciência da vida", isto é, vida + consciência da morte. A vida é a vida orgânica; só a existência é própria do homem. É um [[lexico:m:momento|momento]] fundamental, que junto com o outro (essência) constitui e por isso caracteriza todo ente. Enquanto a essência diz "o que" uma coisa é, a existência exprime "que" uma coisa é. Quando uma coisa existe, ela não é apenas pensada ou imaginada, mas independentemente disso ela é simplesmente em si e por si, na realidade. Por isso, nos encontramos com ela, somos afetados passivamente por ela, experimentamos sua resistência, temos de contar com sua peculiaridade pré-dada e não podemos proceder com ela irrestritamente a nosso capricho, como sucede com o que é puramente pensado. Embora a consciência ingênua seja sempre inclinada a considerar como única realidade só o espacialmente visível, isso não pertence à essência da existência, porque, em nossos atos e em nosso [[lexico:e:eu|eu]], experimentamos um existente que existe realmente, embora não de maneira espacial-visível, e é mesmo realidade espiritual. Contudo nossa vida interior manifesta-se como um existente inscrito no tempo e, como tal, experimentável. Todavia o ser temporalmente experimentável não pertence à essência da existência, visto como Deus, absolutamente supra-temporal e fora de toda [[lexico:e:experiencia|experiência]], existe mais intensivamente que qualquer outro ente. Do ponto de vista metafísico, há duas espécies de existência radicalmente diferentes, que já se entrevêem no que fica exposto. Nossa existência e a de todas as coisas do [[lexico:u:universo|universo]] é limitada, de fato é só um ser-aí (em alemão: Da-sein), por outras [[lexico:p:palavras|palavras]], um ser limitado a um determinado "aí" espacial e [[lexico:t:temporal|temporal]]. Esta [[lexico:l:limitacao|limitação]] deriva de nossa essência finita, visto como só podemos receber o ser, participar no ser, na medida de [[lexico:c:capacidade|capacidade]] dela. Uma essência finita não alcança portanto a plenitude do ser, nem se identifica com ele: a essência difere do ser no ente [[lexico:f:finito|finito]]. Consequentemente, este existe de um modo não-necessário ([[lexico:c:contingente|contingente]]); porque sua essência, por si, não diz ser, pode ser ou não ser, ser existente ou meramente possível. Ao ente finito opõe-se o Ente infinito que exaure toda a plenitude do ser, cuja essência iguala o ser, identificando-se com ele. É o Ser subsistente e, portanto, pura e simplesmente necessário. Dentro da esfera do finito, a filosofia existencial ([[lexico:f:filosofia-da-existencia|filosofia da existência]]) põe em destaque dois modos fundamentais de existência. O infra-humano, o meramente existente, alcança sua realidade plena em seu [[lexico:p:puro|puro]] ser-aí. Pelo contrário, o homem "compreende" o ser e, por isso, insere-se em sua decisão sobre o ser; só em sua execução ele encontra sua plena realidade, a qual sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] pode malograr-se. Sendo assim, o homem é um existente que também em sua [[lexico:v:vivencia|vivência]] própria é-aí, é ser-aí. Por isso, a filosofia existencial reserva para ele os nomes de "ser-aí" (Dasein) e, "existência" (Existenz). Assim, Heidegger chama o homem Da-sein ("ser-aí") por ser o [[lexico:u:unico|único]] ente intra [[lexico:m:mundano|mundano]], no qual se verifica o "da" (aí) do "Sein" (ser). — A existência matemática corresponde a uma noção pertencente ao domínio das ciências matemáticas (1) em [[lexico:r:relacao|relação]] a uma determinada teoria, quando deve ser necessariamente pensada, de [[lexico:a:acordo|acordo]] com os axiomas e normas dedutivas da mesma, e (2), em sentido mais amplo e geral, quando pode ser concebida sem contradição. — Lotz. Como derivado do latim, o termo existência significa “o que está aí” e, neste sentido, é equiparável à realidade. Seja como for, deve distinguir-se a existência enquanto tal das diversas entidades existentes. Aqui, trata-se pois de dilucidar a questão da natureza ou essência da existência e não de nenhum dos existentes. Apoiando-se em análises anteriores, Aristóteles defendeu que se entende a existência como substância, isto é, como [[lexico:e:entidade|entidade]]. A existência é a substância primeira enquanto é aquilo de que pode dizer-se algo e onde residem as propriedades. Quando a existência se une à essência, temos um ser. Dele podemos [[lexico:s:saber|saber]] o que é precisamente porque sabemos que é. Ao averiguar quais são os requisitos da existência e ao utilizar neste sentido os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] de [[lexico:m:materia-e-forma|matéria e forma]], de [[lexico:p:potencia|potência]] e ato, Aristóteles lançou as bases para muitas discussões posteriores acerca da relação entre a existência e o que faz a existência ser. Se chamamos a este [[lexico:u:ultimo|último]] essência, temos a base para os debates sobre a relação entre [[lexico:e:essencia-e-existencia|essência e existência]]. Embora os autores medievais tenham tido em conta o sistema de conceitos gregos, há diferenças básicas entre certas concepções gregas de existência e a maior parte das concepções medievais. Depressa os gregos tenderam a conceber a existência como coisa; os filósofos medievais, especialmente os de inspiração cristã, defenderam que há existências que não são propriamente coisas, e que nem sequer podem compreender-se por [[lexico:a:analogia|analogia]] com nenhuma coisa e que, contudo, são mais existentes do que outras entidades. É o caso de Deus, das pessoas, etc.. Pôsse em relevo que há, na [[lexico:f:filosofia-medieval|filosofia medieval]], duas concepções fundamentais da concepção entre essência e existência. De acordo com uma que pode designar-se como “[[lexico:p:primado|primado]] da essência sobre a existência”, a existência concebe-se inclusive como um acidente da essência. É [[lexico:o:opiniao|opinião]] de [[lexico:a:avicena|Avicena]] e de filósofos mais ou menos avicenianos. A outra pode chamar-se “primado da existência sobre a essência”. De acordo com ela, a essência é algo como a [[lexico:i:inteligibilidade|inteligibilidade]] da existência. É o caso de autores como S. [[lexico:b:boaventura|Boaventura]], S. Tomás, etc. Equiparou-se muitas vezes o significado de existência e ser; isto suscitou o seguinte problema: dado algo que existe, pode perguntar-se dele o próprio existir? Alguns autores defendem que a existência é o primeiro predicado de qualquer entidade existente, sendo secundários todos os demais [[lexico:p:predicados|predicados]]. Isto significa que “a existência não existe”. Mas existem todas as entidades existentes. Outros autores negaram que a existência seja um predicado; entre eles destacou-se Kant com a sua célebre [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] de que o ser não é um predicado real como podem sê-lo os predicados “é branco”, “é pesado”, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]]. Referir-se a algo e dizer dele que existe é uma redundância. Se a existência fosse um [[lexico:a:atributo|atributo]], todas as proposições existenciais afirmativas não seriam mais que tautologias e todas as proposições existenciais negativas seriam meras contradições. Por outro lado, dizer de algo que é não significa dizer que existe. O e não pode [[lexico:s:subsistir|subsistir]] por si mesmo: alude sempre a um modo no qual se supõe que é isto ou aquilo. E se enchermos o predicado por meio do existir, dizendo que determinada entidade existe, faltará todavia precisar a maneira, o como, o quando ou o onde da existência. De modo que, de acordo com isto, o “ser existente” não pode possuir nenhuma [[lexico:s:significacao|significação]] a não ser dentro de um contexto. Isto supõe que o conceito que descreve algo existente e o conceito que descreve algo fictício não são, enquanto conceitos, distintos. Examinando apenas o conceito, não podemos decidir se aquilo a que se refere existe ou não existe. Pode perguntar-se, no existencialismo [[lexico:a:atual|atual]], deve tomar-se o termo existência num sentido tradicional. Examinaremos a doutrina de Kierkegaard e de Heidegger. Para Kierkgaard, a existência é antes demais o existente, o existente humano. Trata-se daquele cujo ser consiste na [[lexico:s:subjetividade|subjetividade]], isto é, na pura liberdade de eleição. Não pode falar-se, por conseguinte, da essência da existência; nem sequer se pode falar de a existência: deve falar-se unicamente de “este existente” ou “aquele existente”, cuja verdade é a subjetividade Kierkegaard, existir significa tomar uma “decisão última” relativamente à absoluta transcendência divina. Essa decisão determina “o momento”que não é nem a mera fluência do “tempo [[lexico:u:universal|universal]]” nem tão pouco uma [[lexico:p:participacao|participação]] qualquer no mundo [[lexico:i:inteligivel|inteligível]] [[lexico:e:eterno|eterno]]. Por isso a filosofia não é especulação, é decisão; não é descrição de [[lexico:e:essencias|essências]], é afirmação de existências. Há em Kierkegaard um “primado da existência” e em termos tradicionais um“primado da existência sobre a essência” tal como em muitos autores contemporâneos, como [[lexico:n:nietzsche|Nietzsche]], [[lexico:d:dilthey|Dilthey]], [[lexico:b:bergson|Bergson]], Sartre e até, em certo sentido, Heidegger, embora todos partam de supostos diferentes. Heidegger usa o termo Dasein, que se traduz por vezes por existência, mas que não significa existência no sentido tradicional. O Dasein não é a existência em geral nem tão pouco uma entidade qualquer, mas o ser humano enquanto é o único ente que se interroga sobre o [[lexico:s:sentido-do-ser|sentido do ser]]. Neste sentido, o Dasein tem uma clara preeminência sobre os demais entes. É necessária uma análise do Dasein que prepare o terreno para uma [[lexico:o:ontologia|ontologia]]. O que aqui nos importa é sublinhar que o que e próprio desta existência não é aquilo que já é mas o seu poder ser. Existência: ex-sistência (estar aí, ex fora das causas) o que se acha na coisa, in re. Existência é o fato de ser. Difere de essência, pois a existência consiste no fato de ser da essência. Assim [[lexico:c:como-se|como se]] [[lexico:p:pergunta|pergunta]]: "que é o ser?" pode perguntar-se: "qual o ser da existência? Em que consiste a existência, qual a essência da existência, [[lexico:b:bem|Bem]] como qual a essência da essência? Metafisicamente: a existência (metafísica) é a imediata [[lexico:u:uniao|união]] da existência e da essência. Há existências e existências, com suas essências menores em [[lexico:e:extensao|extensão]]. Se a toda existência corresponde uma essência, nem a toda essência corresponde uma existência, pois uma essência pode ser possível. (Este é um [[lexico:p:pensamento|pensamento]] escolástico). A existência é o fato de ser.