===== EUDAIMONIA ===== gr. εὐδαιμονία: eudaimonía, [[lexico:f:felicidade:start|felicidade]] Ela [[lexico:n:nao:start|não]] consiste, segundo [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]], nos [[lexico:b:bens:start|bens]] externos (Diels, frgs. B170, 171, 40). O [[lexico:h:homem:start|homem]] justo é feliz, assim [[lexico:p:platao:start|Platão]] Republica 353b-354a, e a melhor [[lexico:v:vida:start|vida]] é a mais feliz (idem, Leis 664c). A felicidade é o supremo [[lexico:b:bem:start|Bem]] [[lexico:p:pratico:start|prático]] para os homens ([[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], [[lexico:e:ethica-nichomacos:start|Ethica Nichomacos]] I, 1097a-b), definido, ibid. I, 1098a, 1100b. Consiste na [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] intelectual, ibid. 1177a-1178a. No [[lexico:e:estoicismo:start|estoicismo]] a felicidade resulta da vida harmoniosa (D. L. VII, 8; [[lexico:v:ver:start|ver]] [[lexico:n:nomos:start|nomos]]), contudo não é um [[lexico:f:fim:start|fim]] ([[lexico:t:telos:start|telos]]), mas um [[lexico:e:estado:start|Estado]] concomitante (Seneca, De vita beata 8 e 13; [[lexico:p:plotino:start|Plotino]], [[lexico:e:eneadas:start|Eneadas]] I, 4, 4; I, 4, 14); ver [[lexico:t:theoria:start|theoria]]. εὐδαιμονία (he) / eudaimonia: felicidade. Latim: felicitas, [[lexico:b:beatitudo:start|beatitudo]]. Formado por daímon / [[lexico:d:daimon:start|daimon]], [[lexico:e:espirito:start|espírito]], e [[lexico:e:eu:start|eu]] / eu, bem, significa estado de contentamento estável no qual se encontra o espírito. A felicidade é o [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] da [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]]. O [[lexico:s:sabio:start|sábio]] é então eudaímon / eudaimon: feliz. A primeira [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], na [[lexico:e:epoca:start|época]] jônica, está voltada para o [[lexico:m:mundo:start|mundo]], para o [[lexico:o:objeto:start|objeto]]; seu objetivo é [[lexico:s:saber:start|saber]]. Assim começa a [[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]] de Aristóteles: "Todos os homens, por [[lexico:n:natureza:start|natureza]], desejam saber (eidénai / [[lexico:e:eidenai:start|eidenai]])." Os pitagóricos, sob a [[lexico:i:influencia:start|influência]] da [[lexico:r:religiao:start|religião]] órfica, somam ao saber a felicidade [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]]; depois, [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] condena a [[lexico:c:curiosidade:start|curiosidade]] objetiva para substituí-la pela [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]] com a [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]] ([[lexico:x:xenofonte:start|Xenofonte]], Memorabilia, 1,1,11-16; Platão, [[lexico:a:apologia:start|apologia]] de Sócrates, 20c-23c). Os dois autores que estabelecem os grandes sistemas de filosofia, Platão e Aristóteles, são herdeiros das duas correntes e têm em mira a metafísica e a [[lexico:m:moral:start|moral]], juntas. Mas, depois deles, os filósofos passam a considerar que a filosofia especulativa é um [[lexico:s:simples:start|simples]] coadjuvante da sabedoria, cujo objetivo é a [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] da felicidade. As [[lexico:p:palavras:start|palavras]] de ouro, atribuídas a [[lexico:p:pitagoras:start|Pitágoras]], ensinam que, para termos uma vida feliz, basta que aprendamos simplesmente o que nos importa (v. 30-31), [[lexico:f:formula:start|fórmula]] vaga que significa nossa [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] pessoal. Mas, segundo Heráclides do [[lexico:p:ponto:start|ponto]], Pitágoras afirmava que a felicidade reside na contemplação da perfeição dos números (Clemente de [[lexico:a:alexandria:start|Alexandria]], Stromata, II, XXI, 3), o que parece uma citação muito parcial. [[lexico:a:arquitas:start|Arquitas]] de Tarento, um de seus mais eminentes discípulos, escreveu um tratado Do homem [[lexico:b:bom:start|Bom]] e feliz, associando assim a felicidade à moral. Nessa mesma época, a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de felicidade também aparece em Demócrito (Estobeu, Ed., II,VII).Vemos em seguida o [[lexico:s:sofista:start|sofista]] [[lexico:a:antifonte:start|Antifonte]] abordar Sócrates para dizer, zombando, que a filosofia não faz a felicidade; a isso Sócrates responde que esta não está nas riquezas e nas honrarias (Xenofonte, Memorabilia, I,VI, 2-10). Depois, vemos [[lexico:a:aristipo:start|Aristipo]] de Cirene [[lexico:p:por:start|pôr]] a felicidade na [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]], [[lexico:s:situacao:start|situação]] estranha tanto à [[lexico:e:escravidao:start|escravidão]] quanto ao poder [[lexico:p:politico:start|político]] (ibid., II, 1,11). Na [[lexico:r:republica:start|República]] (IV, 420b), Platão exprime uma [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] democrática e dirigista da felicidade: o Estado não tem como [[lexico:f:funcao:start|função]] garantir a felicidade de alguns cidadãos privilegiados, mas tornar felizes todos os cidadãos, cada um na [[lexico:p:posicao:start|posição]] que lhe é reservada. Os livros IV a VIII empenham-se em buscar o bem, em seu esplendor metafísico e em sua aplicação [[lexico:p:politica:start|política]]; é apenas no livro IX (576c) que ele associa [[lexico:v:virtude:start|virtude]] e felicidade (areté kai eudaimonia). E, visto que a virtude é de [[lexico:e:essencia:start|essência]] [[lexico:s:sobrenatural:start|sobrenatural]], os próprios [[lexico:d:deuses:start|deuses]] são felizes ([[lexico:b:banquete:start|Banquete]], 195a). Foi, Aristóteles que definiu de [[lexico:m:modo:start|modo]] mais rigoroso a felicidade. A [[lexico:e:etica-a-nicomaco:start|Ética a Nicômaco]], bem mais que um tratado de moral, é um manual da felicidade: todos os homens buscam a felicidade, que é o [[lexico:b:bem-supremo:start|bem supremo]], e só a encontrarão na perfeita virtude (I, IV). E chega-se à famosa [[lexico:d:definicao:start|definição]] segundo a qual a felicidade é fruto da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] mais perfeita do espírito [[lexico:h:humano:start|humano]] de [[lexico:p:posse:start|posse]] de seu objeto mais elevado (X, VII, 1). Ora, a [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] mais perfeita é a [[lexico:p:parte:start|parte]] epistêmica da [[lexico:a:alma:start|alma]], [[lexico:f:fonte:start|fonte]] da virtude dianoética (v. areté / [[lexico:a:arete:start|arete]]); e seu objeto mais elevado é constituído pelos [[lexico:p:primeiros-principios:start|primeiros princípios]] (v. psykhé / psiche); a felicidade, portanto, está na contemplação (theoría / theoria) dos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] mais sublimes. Com maior [[lexico:r:razao:start|razão]], [[lexico:d:deus:start|Deus]], [[lexico:p:principio:start|Princípio]] primeiro que se contempla a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] (v. nóesis / [[lexico:n:noesis:start|noesis]]), está na [[lexico:b:beatitude:start|beatitude]] perfeita (Met., Lambda, 7, 1072b). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}