===== EUCLIDES ===== Euclides nasceu em Mégara, onde fundou a [[lexico:e:escola|escola]] que recebeu o [[lexico:n:nome|nome]] da [[lexico:c:cidade|cidade]]. Conjecturalmente, os estudiosos consideram que sua [[lexico:v:vida|vida]] transcorreu entre 435 a 365 a.C. Foi grande o seu apego por [[lexico:s:socrates|Sócrates]]. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], conta-se que, tendo-se deteriorado as [[lexico:r:relacoes|relações]] entre Mégara e Atenas, os atenienses decretaram a [[lexico:p:pena|pena]] de [[lexico:m:morte|morte]] para os megarenses que entrassem na cidade; mas, apesar disso, Euclides continuou a ir regularmente a Atenas, entrando durante a noite na cidade disfarçado com roupas femininas.. Euclides situava-se entre o [[lexico:s:socratismo|socratismo]] e o [[lexico:e:eleatismo|eleatismo]], como revelam claramente as nossas escassas fontes. Para Euclides, o [[lexico:b:bem|Bem]] é o [[lexico:u:uno|uno]], concebendo-o com as características eleáticas da absoluta [[lexico:i:identidade|identidade]] e [[lexico:i:igualdade|igualdade]] de si consigo mesmo. E, da mesma [[lexico:f:forma|forma]] como [[lexico:p:parmenides|Parmênides]] eliminava o [[lexico:n:nao-ser|não-ser]], contrário ao [[lexico:s:ser|ser]], Euclides também "eliminava as [[lexico:c:coisas|coisas]] contrárias ao Bem, sustentando que [[lexico:n:nao|não]] existem". Consequentemente, nessa [[lexico:p:posicao|posição]], voltava a não haver [[lexico:l:lugar|lugar]] para a [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] e para o [[lexico:d:devir|devir]]. Ademais, do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista metodológico, aos argumentos analógicos amplamente usados por Sócrates, Euclides preferiu a [[lexico:d:dialetica|dialética]] de [[lexico:t:tipo|tipo]] zenoniano e, como nos é relatado, "nas demonstrações, não atacava as premissas, mas sim as conclusões". Mas, embora até aqui Euclides pareça pender para os eleáti-cos, ele se revela [[lexico:s:socratico|socrático]] tão logo consideramos que ele referenciou ao Uno-Bem toda uma [[lexico:s:serie|série]] de atributos especificamente socráticos. Com efeito, relata-se o seguinte: "Euclides afirmou que o Uno é o Bem, que é [[lexico:c:chamado|chamado]] com muitos nomes: ora [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]], ora [[lexico:d:deus|Deus]], ora [[lexico:m:mente|mente]] e assim por diante." Ora, a sabedoria era o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], que também Sócrates identificava com o Bem. Deus e mente são conotações típicas da [[lexico:t:teologia-socratica|teologia socrática]], como já vimos. Também a doutrina atribuída a Euclides, de que a [[lexico:v:virtude|virtude]] é uma só, embora sob diversos nomes, é igualmente socrática. Euclides, portanto, deve [[lexico:t:ter|ter]] visado dar ao socratismo aquele [[lexico:f:fundamento|fundamento]] [[lexico:o:ontologico|ontológico]] que lhe faltava. Em outros termos, nos encontramos diante de uma tentativa rudimentar de fazer aquilo que [[lexico:p:platao|Platão]] faria em [[lexico:o:outro|outro]] nível. Euclides e os megarenses posteriores deram um amplo [[lexico:e:espaco|espaço]] à [[lexico:e:eristica|erística]] e à dialética, tanto que chegaram a ser chamados de erísticos e dialéticos. Nisso, como já vimos, eles se embebiam nos eleáticos; mas, a bem da [[lexico:v:verdade|verdade]], deve-se dizer que o [[lexico:p:proprio|próprio]] Sócrates prestava-se amplamente a ser utilizado nesse [[lexico:s:sentido|sentido]]. Provavelmente, Euclides atribuiu [[lexico:c:carater|caráter]] de [[lexico:p:purificacao|purificação]] [[lexico:e:etica|ética]] à dialética, como Sócrates. Visto que a dialética destrói as falsas opiniões dos adversários, ela purifica do [[lexico:e:erro|erro]] e da infelicidade que se segue ao erro. Os sucessores de Euclides, particularmente Eubulídes, Alexino, Diodoro Crono e Estilpones, adquiriram fama sobretudo por suas afiadíssimas armas dialéticas (que usaram contra os adversários, mas que também utilizaram em jogos vazios de virtuosismo erístico). Sobre eles, deveremos [[lexico:f:falar|falar]] mais adiante.