===== ÉTICA FILOSÓFICA ===== A [[lexico:q:questao|questão]] das [[lexico:r:relacoes|relações]] entre [[lexico:e:etica|ética]] e [[lexico:n:natureza|natureza]] se inscreve no contexto [[lexico:g:geral|geral]] do seguinte [[lexico:p:problema|problema]]: há uma [[lexico:e:etica-filosofica|ética filosófica]]? É a partir de uma [[lexico:r:reflexao|reflexão]] sobre [[lexico:e:esse|esse]] problema fundamental que ela deve [[lexico:s:ser|ser]] elucidada. Ora, importa observar que há duas maneiras de se conceber uma ética filosófica: a) pode tratar-se de um [[lexico:e:esforco|esforço]], tendo em vista caracterizar a [[lexico:d:dimensao|dimensão]] ética da [[lexico:e:existencia|existência]]; b) pode tratar-se também de um esforço, tendo em vista determinar o conteúdo [[lexico:p:proprio|próprio]] dessa dimensão, sob a [[lexico:f:forma|forma]] de [[lexico:p:principios|princípios]] de [[lexico:c:conduta|conduta]]. A primeira [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]] pode ser ilustrada pela reflexão kantiana sobre a [[lexico:r:razao-pratica|razão prática]], pelo menos, segundo uma [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] que se apresenta como bastante [[lexico:n:natural|natural]] e plausível. Esta reflexão opera em dois níveis: de um lado, visa determinar o que há de específico na ética; do [[lexico:o:outro|outro]], tenta tornar manifestas as condições, tornando [[lexico:p:possivel|possível]] uma ascendência efetiva da [[lexico:o:ordem|ordem]] ética sobre a ordem dos fenômenos. Mas essa reflexão culmina também na formulação de certos princípios que, por mais formais que sejam, [[lexico:n:nao|não]] deixam de ser apresentados como capazes de fundar critérios desprovidos de [[lexico:a:ambiguidade|ambiguidade]] para a [[lexico:d:determinacao|determinação]] da conduta efetiva. O que nos indica que não podem ser separados os dois aspectos do problema. Não nos é possível dar um [[lexico:s:sentido|sentido]] preciso à ética, como dimensão, sem determinar, pelo menos, seu conteúdo [[lexico:e:essencial|essencial]]; e essa determinação é feita sob a forma de princípios. Reciprocamente, uma reflexão sobre a natureza dos princípios constitutivos da ordem ética deve, necessariamente, levar a uma determinação da ética como dimensão. Adotaremos, aqui, esse [[lexico:t:tipo|tipo]] de reflexão. Os princípios que uma ética filosófica deveria se dar por [[lexico:t:tarefa|tarefa]] estabelecer, devem [[lexico:t:ter|ter]] uma dupla [[lexico:c:caracteristica|característica]]: a universalidade e a [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de determinar concretamente a [[lexico:a:acao|ação]]. O alcance [[lexico:u:universal|universal]] dos princípios éticos provém do [[lexico:f:fato|fato]] de se darem ao [[lexico:p:pensamento|pensamento]] como [[lexico:e:especificacao|especificação]] prática do "[[lexico:r:razoavel|razoável]]"; e o razoável é aquilo que se determina em conformidade com a [[lexico:r:razao|razão]]; e isto, pelos meios da própria razão. Na [[lexico:v:verdade|verdade]], as duas modalidades fundamentais da razão intervêm nessa determinação. [Ladrière]