===== ESCOLA HISTÓRICA ===== Sem procurar outros antecedentes, a [[lexico:o:obra:start|obra]] de Herder exerceu poderosa [[lexico:i:influencia:start|influência]] sobre o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] romântico. De Herder deriva imediatamente a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] da [[lexico:h:historia:start|História]] como [[lexico:p:processo:start|processo]] de grandes unidades, como [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] de culturas determinadas. Este [[lexico:p:principio:start|princípio]] foi aplicado ao [[lexico:c:campo:start|campo]] de todas as exteriorizações espirituais, uma vez que são aspectos da mesma [[lexico:u:unidade:start|unidade]] original da [[lexico:c:cultura:start|cultura]]. Friedrich Schlegel, em suas profundas meditações sobre a história da [[lexico:l:literatura:start|literatura]], aplicou este [[lexico:m:metodo:start|método]] evolutivo, concebendo, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a cultura grega como inteiramente original e nacional, como conjunto [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]] que se exteriorizou a partir de sua [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] interna e cujas manifestações conservaram até o [[lexico:f:fim:start|fim]] o [[lexico:c:carater:start|caráter]] nacional. — A história da [[lexico:g:grecia:start|Grécia]] é o [[lexico:m:modelo:start|modelo]] de uma explicitação orgânica, interna, que revela em todos os seus aspectos o mesmo princípio unitário. Posteriormente, foi na mesma linha que se realizou a obra de Jacob Burckardt, com suas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] sobre as épocas históricas e os estilos vitais homogêneos; suas obras sobre a [[lexico:r:renascenca:start|Renascença]] e a [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]], sua História da Cultura Grega, foram afinal orientadas pela [[lexico:v:visao:start|visão]] romântica da História como [[lexico:e:expressao:start|expressão]] de totalidades psíquicas; Burckardt acreditava nas Imagens Primordiais que regem as culturas e as épocas históricas. A história [[lexico:n:nao:start|não]] é cronologia, nem narrativa, nem [[lexico:e:enumeracao:start|enumeração]] de fatos monumentais; é o desdobramento de formas vitais definidas, cuja expressão mais forte é a cultura nacional. A mesma [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] se afirma nas obras de [[lexico:f:filologia:start|filologia]], propulsionadas pelo [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]]. Wilhelm von [[lexico:h:humboldt:start|Humboldt]] (irmão do viajante e naturalista), em seu [[lexico:e:estudo:start|estudo]] sobre a [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] das estruturas linguísticas, observou a [[lexico:i:identidade:start|identidade]] de cada [[lexico:g:grupo:start|grupo]] [[lexico:h:humano:start|humano]] com sua [[lexico:l:lingua:start|língua]], formando todas as manifestações culturais uma [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]]: Endossou a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da uniformidade nacional, em que se resolvem as características individuais; as características pessoais e inconfundíveis, não só não separam o [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] de sua [[lexico:n:nacao:start|nação]], como ainda o vinculam a ela, pois as mesmas características se distinguem de suas equivalentes em outras nações. Um [[lexico:p:povo:start|povo]] não é uma [[lexico:s:soma:start|soma]] anárquica de indivíduos, ligados por atos contratuais de [[lexico:v:vontade:start|vontade]], ou por interesses políticos e econômicos, e sim uma totalidade anterior às partes que, segundo Humboldt, encerra em si e [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] todas possibilidades do seu desenvolvimento. O método da [[lexico:e:einfuhlung:start|Einfühlung]] — compenetração simpática — de Herder, com a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da [[lexico:o:originalidade:start|originalidade]] de cada cultura, se reproduz na obra de Niebuhr, famoso historiador de Roma, que lançou as bases duma visão nova da Antiguidade e que nos mostra o desenvolvimento de Roma até as guerras púnicas, como um [[lexico:t:todo:start|todo]] coerente e não como [[lexico:s:serie:start|série]] [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]] de fatos arbitrários. A [[lexico:e:escola-historica:start|Escola Histórica]] encontrou um de seus pontos mais altos no exame feito por Niebuhr das lendas que envolvem a história primitiva de Roma e na comparação dessas lendas com os Eddas germânicos e a Canção de Hildebrando. Na [[lexico:e:escola:start|escola]] Histórica não cabia de [[lexico:m:modo:start|modo]] algum a [[lexico:n:nocao:start|noção]] positivista de "[[lexico:f:fato:start|fato]]" [[lexico:p:politico:start|político]], de "fato" [[lexico:s:social:start|social]], ou de "fato" social, ou de "fato" econômico, porque o "fato" como significando o já feito, o já acabado e morto, é a [[lexico:n:negacao:start|negação]] da História vista como processual e [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]]; os fatos são apenas [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]] de fluxos mais profundos e só valem como indicações do processo que revelam. Assim, a noção mecânica de [[lexico:c:causa-e-efeito:start|causa e efeito]] (e de cultura como adição acumulativa), nos processos históricos, que foi combatida por todos os românticos (e combatida como estreita visão burguesa do [[lexico:m:mundo:start|mundo]]) é inteiramente substituída pela visão orgânica e processual dos grandes movimentos, onde, como [[lexico:b:bem:start|Bem]] argumentou [[lexico:s:spengler:start|Spengler]], na Introdução da [[lexico:d:decadencia-do-ocidente:start|Decadência do Ocidente]], não cabem as noções de [[lexico:c:causa:start|causa]] e [[lexico:e:efeito:start|efeito]], nem portanto a de [[lexico:d:determinismo:start|determinismo]]. — Organicista e historicista é também a obra do ingente historiador, Leopold von Ranke. Autor de uma História da Alemanha na [[lexico:e:epoca:start|Época]] da [[lexico:r:reforma:start|Reforma]], e de outras grandes obras sobre o Papado, sobre a Inglaterra e a França, — onde mostra organicamente a [[lexico:f:formacao:start|formação]] dos Estudos modernos desde a Renascença —- Ranke adotou a nomenclatura de [[lexico:f:fichte:start|Fichte]], que distinguia entre povos romanos e germânicos; mostrando a unidade das [[lexico:a:acoes:start|ações]] e reações de romanos e germanos, teve o [[lexico:i:ideal:start|ideal]] do [[lexico:u:universo:start|universo]] europeu como Nação Romano-Germânica, cujo centro de gravidade era a Alemanha. — Ranke procurou por toda [[lexico:p:parte:start|parte]] a [[lexico:s:sintese:start|síntese]] dos contrastes, síntese que só pode dar-se nas ideias-mestras sucessivas que dirigem as épocas. Suas elaborações sobre a [[lexico:h:historia-universal:start|História Universal]] o levaram a conceber a História como processo do [[lexico:e:espirito:start|Espírito]]. — Mas, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] em Ranke é que, nesse processo, cada [[lexico:e:estado:start|Estado]] se concebe como [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]] [[lexico:c:caracteristica:start|característica]]: Em seu [[lexico:d:dialogo:start|Diálogo]] Político, sublinha o papel da [[lexico:v:vida:start|vida]] original dos povos, que dá [[lexico:f:forma:start|forma]] e conteúdo às instituições políticas. As instituições políticas são recipientes vazios, são entidades mortas, sem essa íntima [[lexico:e:energia:start|energia]] vital dos povos, que lhes dá vida e [[lexico:s:sentido:start|sentido]]. Se nos colocamos na [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]] da Escola Histórica, [[lexico:n:nada:start|nada]] nos parecerá mais digno de lástima do que a noção contratualista da perfectibilidade humana indefinida, que pretende fabricar constituições perfeitas para toda e qualquer nação, com o total desprezo de suas peculiaridades, de sua história e suas formas de vida. As nações — dizia Ranke — são seres espirituais, são criações originais do [[lexico:g:genio:start|gênio]] humano e são individualidades em si. A [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] social e a vida [[lexico:p:politica:start|política]] devem [[lexico:r:representar:start|representar]] o princípio espiritual [[lexico:c:caracteristico:start|característico]] de cada Nação, concebendo-se cada Nação como indivíduo [[lexico:s:singular:start|singular]], distinto de todos os demais, apesar das semelhanças e conexões históricas. As Nações segundo Ranke são, portanto, totalidades individuais, portadoras de [[lexico:p:principios:start|princípios]] próprios imanentes; são [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] divinos, [[lexico:c:como-se:start|como se]] lê no Diálogo Político. Também Mommsen, que não valoriza excessivamente as [[lexico:o:origens:start|origens]] nacionais, nos [[lexico:f:fala:start|fala]], desde o [[lexico:c:comeco:start|começo]] da sua História Romana, da evolução própria e individual das nações, com seu ciclo de juventude, de maturidade e de [[lexico:v:velhice:start|velhice]]. Mommsen observa que, — ao contrário dos Gregos, cuja unidade nacional se manifestava nas artes e nos esportes — os Romanos foram o [[lexico:u:unico:start|único]] povo da antiguidade que soube constituir sob forma política a sua unidade nacional característica. [NOTA: Para uma visão de conjunto da obra de Leopold von Ranke, leia-se a conferência comemorativa pronunciada em 1936, na Academia Prussiana de Ciências, por Friedrich Meinecke, e publicada como apêndice da grande obra sobre o Historicismo e sua gênese (trad. esp. Fondo de Cultura, México, 1943).] Na [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] dos Valores, a [[lexico:r:razao:start|razão]] se opõe ao [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]]. Desde que os românticos puseram a Nação como [[lexico:e:ente:start|ente]] valioso, a Nação deixou de [[lexico:s:ser:start|ser]] simplesmente uma organização político-jurídica. Tornou-se um ente vital, congênito a uma escala [[lexico:p:particular:start|particular]] de Valores, da qual os aspectos político-jurídicos são apenas a [[lexico:c:consequencia:start|consequência]]. Como sabemos, a Escola Histórica combateu energicamente a ideia dum [[lexico:d:direito-natural:start|direito natural]] [[lexico:u:universal:start|universal]], principalmente de um [[lexico:d:direito:start|direito]] [[lexico:p:positivo:start|positivo]] universal, afirmando ao contrário as características populares de cada povo com o seu direito. Friedrich Karl von Savigny, expoente máximo da Escola Histórica do Direito, fala num Volksrecht e não num direito [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]] e internacional. O direito, segundo a Escola Histórica, é vital e [[lexico:o:organico:start|orgânico]], particular e intransferível; é [[lexico:e:exteriorizacao:start|exteriorização]] do [[lexico:v:volk:start|Volk]] e congênito a ele. O direito da Escola Histórica está em diametral [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] às teorias racionalistas que pretendiam encontrar uma [[lexico:f:formula:start|fórmula]] de [[lexico:g:governo:start|governo]] que fosse a receita internacional da [[lexico:f:felicidade:start|felicidade]]. A ideia do direito pré-fabricado, que moveu toda a [[lexico:r:revolucao:start|Revolução]] Francesa no seu ódio contra os valores tradicionais, essa ideia se torna mais que absurda na Escola Histórica: Torna-se impensável. Porque o direito, segundo Savigny, emana do passado total da Nação, emana da íntima [[lexico:e:essencia:start|essência]] nacional, e a Nação é um [[lexico:o:organismo:start|organismo]] [[lexico:d:dinamico:start|dinâmico]], que tem sua vida própria. Cada Nação deve ser considerada como um Indivíduo em [[lexico:p:ponto:start|ponto]] grande, como já ensinava Möser, no século XVIII. O Direito, em [[lexico:s:suma:start|suma]], cresce com a Nação, chegando um [[lexico:m:momento:start|momento]] em que o direito popular se desdobra numa jurisprudência manipulada pelos juristas: E seria [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]] que a jurisprudência viesse a ser uma [[lexico:c:contradicao:start|contradição]] do direito. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}