===== ESCOLA DE BADEN ===== Embora a [[lexico:e:escola-de-baden:start|escola de Baden]] (ou [[lexico:e:escola:start|escola]] do sudoeste alemão ou escola axiológica) compartilhe com a de Marburgo as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] fundamentais do [[lexico:k:kantismo:start|kantismo]], em muitos aspectos difere dela profunda e essencialmente. Seus sequazes [[lexico:n:nao:start|não]] se orientam tão exclusivamente para as ciências da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], mas partem da [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] da [[lexico:c:cultura:start|cultura]] e concentram a [[lexico:a:atencao:start|atenção]] no [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da mesma, e portanto na [[lexico:h:historia:start|história]]. É notória neles a [[lexico:i:influencia:start|influência]] do [[lexico:h:historicismo-alemao:start|historicismo alemão]] (§ 13). Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, segundo eles o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] [[lexico:c:crucial:start|crucial]] do kantismo reside mais na [[lexico:c:critica-da-razao-pratica:start|Crítica da Razão Prática]] do que na [[lexico:c:critica-da-razao-pura:start|Crítica da Razão Pura]]. O [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] deles é tão radical como o dos marburgenses, mas não são racionalistas radicais e admitem a [[lexico:e:existencia:start|existência]] de um [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:i:irracional:start|irracional]] na [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. O que para eles constitui o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] do [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] não são as leis lógicas, mas as leis axiológicas, baseadas em valores. Por isso, a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] deles é pluralista e revela uma [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] mais profunda do [[lexico:v:valor:start|valor]] peculiar do [[lexico:f:fato:start|fato]] [[lexico:r:religioso:start|religioso]]. Em [[lexico:r:relacao:start|relação]] à [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] em [[lexico:g:geral:start|geral]], não existe realidade [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]]. Se os juízos baseados nas realidades imanentes pretendem mesmo assim chegar à [[lexico:v:verdade:start|verdade]] e à [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]], isso se deve à existência de valores [[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]], que contêm um [[lexico:d:dever-ser:start|dever-ser]]: um [[lexico:j:juizo:start|juízo]] é [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]], quando corresponde a uma [[lexico:o:obrigacao:start|obrigação]] de ser, isto é, a um [[lexico:d:dever:start|dever]] [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]]. [[lexico:c:como-se:start|como se]] vê, esta doutrina admite a existência de conteúdos irracionais e não vai ao [[lexico:e:extremo:start|extremo]] de tudo reduzir a métodos lógicos. Porque o fundamento do ser é constituído por valores que são independentes da [[lexico:r:razao:start|razão]] e até mesmo da "consciência em geral". Os valores, de que se ocupam a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], a [[lexico:l:logica:start|lógica]], a [[lexico:m:moral:start|moral]], a [[lexico:e:estetica:start|estética]], etc, não são, por [[lexico:f:forma:start|forma]] alguma, [[lexico:r:relativos:start|relativos]]: possuem [[lexico:v:validade:start|validade]] absoluta. São leis imanentes, ideais. Pertencem a um [[lexico:r:reino:start|reino]] imutável e [[lexico:e:eterno:start|eterno]], não existem mas simplesmente valem (gelten), sem serem reais. Esses valores são de três classes: valores de verdade, valores morais e valores estéticos; [[lexico:w:windelband:start|Windelband]] situa acima deles os valores do religioso. É [[lexico:p:proprio:start|próprio]] dos valores religiosos o não ser [[lexico:p:possivel:start|possível]] pensá-los sem [[lexico:r:referencia:start|referência]] a uma realidade transcendente. Não podemos chegar a um [[lexico:d:deus:start|Deus]] transcendente mediante um [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] [[lexico:p:puro:start|puro]], sem [[lexico:c:contradicao:start|contradição]]; mas para crer neste deus — e esta [[lexico:c:crenca:start|crença]] é exigida pela existência dos valores religiosos — não precisamos compreendê-lo. Aqui a [[lexico:i:imanencia:start|imanência]] total é superada, sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], à custa de um [[lexico:i:irracionalismo:start|irracionalismo]] religioso. [[lexico:a:alem:start|Além]] da teoria dos valores, que permite considerá-los como os fundadores de uma [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] filosófica nova, os filósofos de Baden prestaram igualmente relevantes serviços à [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] das [[lexico:c:ciencias-do-espirito:start|ciências do espírito]]. Se as ciências da natureza são [[lexico:n:nomoteticas:start|nomotéticas]], isto é, ciências que enunciam leis (Windelband) e procedem generalizando ([[lexico:r:rickert:start|Rickert]]), as ciências do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] são ideográficas e individualizantes. Não visam elas estabelecer leis [[lexico:u:universais:start|universais]], mas descrever o individual. Mas, como o historiador não pode ocupar-se de qualquer ser individual à discrição, deve fazer uma [[lexico:e:escolha:start|escolha]]. Esta pressupõe um juízo de valor; por conseguinte, a base de todas as ciências do espírito é uma apreciação axiológica. Rickert propõe-se a [[lexico:q:questao:start|questão]] de [[lexico:s:saber:start|saber]] como [[lexico:e:explicar:start|explicar]] a relação recíproca dos dois reinos, o reino da realidade e o dos valores. Segundo ele, a relação só é possível mediante uma [[lexico:e:esfera:start|esfera]] diferente de ambos os reinos. A esta esfera dá ele o [[lexico:n:nome:start|nome]] de "[[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] reino" e, às [[lexico:r:relacoes:start|relações]] que o compõem, a [[lexico:d:designacao:start|designação]] de "estruturas de [[lexico:s:sentido:start|sentido]]" (Sinngebilde). A este reino corresponde a cultura. Prosseguindo em desenvolver as ideias da escola de Baden e, além disso, aproveitando-se de seus contatos com a [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]], [[lexico:l:lask:start|Lask]] elaborou um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] que admite os conteúdos intuitivos. Estes conteúdos são, certamente, imanentes, mas nem por isso sua doutrina deixa de se opor radicalmente à concepção dos filósofos de Marburgo. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}