===== ESCOLA ===== A [[lexico:p:palavra|palavra]] skholé hoje significa [[lexico:o:ocio|ócio]], [[lexico:e:estar|estar]] livre de negócios, [[lexico:t:tempo|tempo]] livre, [[lexico:l:lazer|lazer]]. Em latim se diz então otium. O contrário do otium é nec-otium (non-otium), donde vem a palavra negócio. Skholé vem do [[lexico:v:verbo|verbo]] skhein, ekhó, e significa propriamente ater-se, estar no vigor da atinência. Portanto, originariamente tanto skholé como otium [[lexico:n:nao|não]] se referem à folga da ociosidade nem ao descanso, mas sim ao [[lexico:m:modo|modo]] de [[lexico:t:trabalho|trabalho]] intenso de [[lexico:e:engajamento|engajamento]] no crescimento da autoidentidade, não obrigado de fora, não escravizado por lucro, medo, ganância ou pelo poder dominador do [[lexico:o:outro|outro]], mas livremente, assumido como exercício da criatividade humana na [[lexico:a:autonomia|autonomia]] da sua [[lexico:l:liberdade|liberdade]]. [[lexico:e:esse|esse]] modo de trabalhar mais [[lexico:t:tarde|Tarde]] deu [[lexico:o:origem|origem]] ao trabalho criativo das assim chamadas profissões livres, e caracterizou no Ocidente o vigor e a [[lexico:f:forca|força]] dos estudos universitários na construção da [[lexico:h:humanidade|humanidade]] livre, [[lexico:u:universal|universal]] (cf. o [[lexico:e:espirito|espírito]] "missionário" da Aufklärung-Iluminismo). Esse modo de [[lexico:s:ser|ser]] é o que está no fundo de [[lexico:t:todo|todo]] o elã da [[lexico:e:existencia|existência]] científica de hoje, mesmo que na sua realização haja defasagens e desvios, esquecimentos da [[lexico:c:compreensao|compreensão]] [[lexico:e:essencial|essencial]] do que seja a vigência das ciências. Como não vemos qualquer [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de comutação da [[lexico:p:pena|pena]] de trabalhos forçados a que nos condenaram por toda a [[lexico:v:vida|vida]], aspiramos, ansiosos, a que o «[[lexico:s:sistema|sistema]]» se aperfeiçoe, ou então, a que mude o sistema, mas, em qualquer dos casos, a divisa será «trabalho para todos», e aí temos a hilariante [[lexico:s:situacao|situação]] das Escolas Superiores, querendo marcar passo com o andamento do mercado de trabalho. Mas, assim, onde fica a escola, cujo [[lexico:s:sentido|sentido]] etimológico é o de «lazer», e o [[lexico:s:superior|superior]] com que se pretende, e mais não se pode pretender, do que assinalar a «maior altura»? Evidentemente que esta só poderá ser a «maior altura na escala dos conhecimentos tecnológicos», a «maior altura na gradação de líderes do trabalho coletivo», em [[lexico:s:suma|suma]], a «maior altura de um sacerdócio da [[lexico:u:utilidade|utilidade]] imediata». Que pode fazer a Escola Superior por [[lexico:q:quem|quem]] não se sente atraído senão pelo «[[lexico:s:saber|saber]] por [[lexico:a:amor|amor]] do saber»? Mas que blasfêmia [[lexico:e:eu|eu]] disse? Não atraí uma matilha de cães raivosos, correndo no meu encalço? A [[lexico:a:alegria|alegria]] de entrever ou julgar entrever o [[lexico:p:principio|princípio]] de todas as [[lexico:c:coisas|coisas]] é uma bofetada no rosto dos utilitaristas, dos imediatistas, dos oportunistas, dos «lutadores pela vida». E esses não irão oferecer-me a outra face. Não descansarão sem que me vejam [[lexico:b:bem|Bem]] aferrolhado numa masmorra da nova inquisição dos fins que cada um persegue na vida. [EudoroMito:118]