===== EPOCHÉ FENOMENOLÓGICA ===== VIDE [[lexico:e:epoche|epoche]]; epoché A [[lexico:t:transcendencia|transcendência]] é [[lexico:f:fonte|fonte]] de incertezas e a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] procura uma base indubitável; por isso é que se pratica a chamada epoché ou [[lexico:r:reducao|redução]] fenomenológica. Deve-se no entanto distinguir entre epoché (suspensão) e redução. A primeira é suspensão da [[lexico:c:crenca|crença]] na [[lexico:e:existencia|existência]] da [[lexico:r:realidade|realidade]], colocação desta entre parêntesis, fora de circuito, suspensão da [[lexico:t:tese|tese]] do [[lexico:m:mundo|mundo]], do [[lexico:v:viver|viver]] dirigido imediatamente às [[lexico:c:coisas|coisas]]; porque pratico essa epoché é que posso, consecutivamente, reduzir o mundo, no seu [[lexico:v:valor|valor]] de [[lexico:s:ser|ser]] ingênuo, ao [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]] e revelar este [[lexico:u:ultimo|último]] como correlato [[lexico:i:imediato|imediato]] da [[lexico:c:consciencia|consciência]]. *[[lexico:n:nota|nota]]: Os termos epoché e redução aparecem, contudo, quase sempre indiferentemente para designar o mesmo [[lexico:c:conceito|conceito]]. (Ideen I, §31, Cartesionische Meditationen § 8, Die Idee der Phänomenologie, pp. 39, 44, 45). Em rigor, porém, são dois [[lexico:c:conceitos|conceitos]] distintos, embora relacionados. Graças à prática da epoché é que se consegue a redução (Cf. [[lexico:k:krisis|krisis]], § 41 e Erste Philosophie II, pp. 178). J. Fragata (A [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] de [[lexico:h:husserl|Husserl]] como [[lexico:f:fundamento|fundamento]] da filosofia, Braga, 1959, pp. 93, nota 40) dá um esclarecimento muito feliz ao afirmar: «’Epoche’ refere-se, portanto, mais diretamente ao [[lexico:t:termo|termo]] [[lexico:a:a-quo|a quo]]; ‘redução’, ao termo [[lexico:a:ad-quem|ad quem]]. Como, porém, exercer a ‘epoché’ é simultaneamente ‘reduzir’, os dois termos são [[lexico:e:empregados|empregados]] indiferentemente pelo [[lexico:p:proprio|próprio]] Husserl».* Temos por um lado a realidade [[lexico:t:transcendente|transcendente]], que corresponde às coisas enquanto existentes fora ou para [[lexico:a:alem|além]] da consciência; por [[lexico:o:outro|outro]], toda a realidade transcendental, que se aplica às «coisas» enquanto reduzidas à consciência. Ambos os [[lexico:m:mundos|mundos]] são reais (wirklich) porque nenhum deles é ilusório; o primeiro, contudo, é [[lexico:r:real|real]], num [[lexico:s:sentido|sentido]] «[[lexico:n:natural|natural]]» ou [[lexico:p:pratico|prático]], que [[lexico:n:nao|não]] interessa ao [[lexico:f:filosofo|filósofo]]. O segundo é «real» num sentido primordial e [[lexico:a:apoditico|apodítico]]. A epoché vai necessariamente afetar todas as ciências que dizem [[lexico:r:respeito|respeito]] a [[lexico:e:esse|esse]] mundo natural. Na [[lexico:m:medida|medida]] em que representam fatos culturais são postos fora de circuito os produtos da [[lexico:c:civilizacao|civilização]], obras técnicas e de belas artes, o [[lexico:e:estado|Estado]], os [[lexico:c:costumes|costumes]], o [[lexico:d:direito|direito]], a [[lexico:r:religiao|religião]], em [[lexico:s:suma|suma]], todas as ciências da [[lexico:n:natureza|natureza]] e do [[lexico:e:espirito|espírito]], [[lexico:b:bem|Bem]] como a [[lexico:m:matematica|matemática]] e as disciplinas afins. Efetuando a redução de todas as coisas ao fluxo da consciência, abandonando assim o nível do mundo natural, resta ainda uma transcendência [[lexico:s:sui-generis|sui generis]]: referimo-nos à transcendência de [[lexico:d:deus|Deus]], que não se dá em Abschattungen, antes aparece como um [[lexico:a:absoluto|absoluto]] exigido pela [[lexico:t:teleologia|teleologia]] admirável que se manifesta no mundo natural. Transcendência polar real desse mundo e, portanto, válida dentro dos limites intra-mundanos. Desta [[lexico:f:forma|forma]] todas estas realidades ficam reduzidas a fenômenos da minha [[lexico:s:subjetividade|subjetividade]], do meu [[lexico:e:eu|eu]]. [Morujão]