===== ÉPOCA ===== (gr. [[lexico:e:epoche:start|epoche]]; in. Epoch; fr. Époque; al. Epoche; it. Epoca). Tendo como [[lexico:r:referencia:start|referência]] o antigo [[lexico:s:significado:start|significado]] astronômico de época como [[lexico:p:ponto:start|ponto]] do [[lexico:t:tempo:start|tempo]] em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao qual são definidas as posições dos astros e contados seus movimentos (cf. Ptolomeu, Alm., III, 9), essa [[lexico:p:palavra:start|palavra]] às vezes é usada para indicar um [[lexico:a:acontecimento:start|acontecimento]] de especial importância, que estabelece ou permite reconhecer o [[lexico:c:carater:start|caráter]] de um período [[lexico:h:historico:start|histórico]]. Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]], diz-se que certo acontecimento "faz época". Essa palavra passa a significar o período histórico caracterizado pelo acontecimento. Essa [[lexico:n:nocao:start|noção]] distingue-se de idade porque, enquanto esta última é o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de uma [[lexico:l:lei:start|lei]] de [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] dos períodos históricos, a época é o conceito do caráter central e determinante de certo acontecimento histórico. Nesse sentido, no início do séc. XIX, [[lexico:s:saint-simon:start|Saint-Simon]] distinguia as época "críticas" e as "orgânicas" (v. crise). [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] falava das época da [[lexico:h:historia:start|história]] do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] como de vários graus (Stufen) do [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] unitário dessa história, distinguindo a época caracterizada pela [[lexico:u:unidade:start|unidade]] do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] com a [[lexico:n:natureza:start|natureza]], que é o Mundo oriental, a época caracterizada pela [[lexico:s:separacao:start|separação]] dos dois termos, que se realizou no mundo [[lexico:g:grego:start|grego]] como [[lexico:i:ideal:start|ideal]] de [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] individual e no mundo romano como [[lexico:s:subordinacao:start|subordinação]] do [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] ao [[lexico:e:estado:start|Estado]], e época germânica, que se realizou no mundo cristão, na qual "o espírito [[lexico:d:divino:start|divino]] veio ao mundo e assumiu seu [[lexico:l:lugar:start|lugar]] no indivíduo, que [[lexico:a:agora:start|agora]] está completamente livre, tendo em si a liberdade [[lexico:s:substancial:start|substancial]]" (Philosophie der [[lexico:g:geschichte:start|Geschichte]], ed. Lasson, pp. 136-37). Mas foi [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]] [[lexico:q:quem:start|quem]] introduziu a noção de época na [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] historiográfica. Segundo ele, época é uma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] que tem centro em si mesma e por isso interliga num [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:u:unico:start|único]] todas as suas manifestações. Cada [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]] que nela vive tem em comum a [[lexico:m:medida:start|medida]] das suas [[lexico:a:acoes:start|ações]], de seus sentimentos e sua [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]]. A [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] da [[lexico:a:analise:start|análise]] histórica é rastrear a coincidência de objetivos, valores e modos de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] que constituem época, pois é só em relação com a estrutura total da época que se pode calcular a importância da contribuição de um indivíduo (Der Aufbau der geschichtlichen Welt, em Gesammelte Schriften, VII, p. 155). Adotando esses [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]], [[lexico:s:spengler:start|Spengler]] acrescentava o caráter de [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]]: "Um acontecimento faz época quando marca uma virada necessária, uma guinada do [[lexico:d:destino:start|destino]] no desenvolvimento de uma [[lexico:c:cultura:start|cultura]]. Um acontecimento [[lexico:f:fortuito:start|fortuito]], que é a [[lexico:i:imagem:start|imagem]] cristalizada da superfície histórica, poderia [[lexico:s:ser:start|ser]] representado por outros casos correspondentes; a época é necessária e predeterminada" (Der Untergang des Abendlandes, I, 2, 17). A [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:u:uso:start|uso]] está ligado o significado que [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] dá a esse [[lexico:t:termo:start|termo]]: "Toda época da [[lexico:h:historia-universal:start|história universal]] é uma época do ser. A [[lexico:e:essencia:start|essência]] epocal do Ser entra no caráter [[lexico:t:temporal:start|temporal]] íntimo e [[lexico:o:oculto:start|oculto]] do Ser e caracteriza a essência do tempo pensada no Ser" (Holzwege, p. 311; cf. Chiodi, L’[[lexico:u:ultimo:start|último]] Heidegger, 1952, p. 29; ID., L’esistenzialismo di Heidegger, 2. ed., 1955, pp. 191-92): [[lexico:j:jaspers:start|Jaspers]] [[lexico:f:fala:start|fala]] de uma época axial, que corresponderia à idade histórica que vai do séc. VIII ao séc. II a.C., na qual ocorreram alguns acontecimentos de relevo na história do mundo (período [[lexico:c:classico:start|clássico]] da [[lexico:g:grecia:start|Grécia]]; [[lexico:c:confucio:start|Confúcio]] e [[lexico:l:lao-tse:start|Lao-tsé]] na China; Upanixade e Buda na Índia; Zaratustra na Pérsia; os profetas na Palestina, etc). A novidade dessa época é que nela "o [[lexico:h:homem:start|homem]] tomou [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] do ser em [[lexico:g:geral:start|geral]], de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] e dos seus limites; tomou consciência de que o mundo é temível, de sua própria fraqueza. Fez perguntas fundamentais, partiu do [[lexico:a:abismo:start|abismo]] para a [[lexico:l:libertacao:start|libertação]] e para a [[lexico:r:redencao:start|redenção]]" (Einführungin die Philosophie, 1950, cap. IX; trad. it., p. 154). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}