===== EPISTEMOLOGIA TOMISTA ===== Historicamente, nós o sabemos, a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] antiga se desenvolvera de [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:n:natural:start|natural]] sobre a base do [[lexico:r:realismo:start|realismo]] da [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]]. As críticas que acabamos de ouvir devem nos conduzir a abandonar essa [[lexico:p:posicao:start|posição]] inicial, isto é, à [[lexico:r:renuncia:start|renúncia]] de partir do [[lexico:s:ser:start|ser]] para tomar, inversamente, nosso [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida no [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] [[lexico:p:puro:start|puro]], no [[lexico:c:cogito:start|cogito]] cartesiano, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], ou na posição incondicionada do [[lexico:e:eu:start|eu]], tal como o preconiza o [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] de um [[lexico:f:fichte:start|Fichte]]? E desde já, que consequências iniciais e imediatas acarretam, precisamente, para o realismo, as críticas formuladas acima? Objeções céticas. Estas objeções repousavam fundamentalmente, como vimos, sobre a constatação do [[lexico:e:erro:start|erro]]. Enganamo-nos às vezes Seguir-se-á daí que nosso [[lexico:e:espirito:start|espírito]] se engana sempre e que, portanto, é impotente para alcançar a [[lexico:v:verdade:start|verdade]]? Engano-me algumas vezes, portanto devo sempre me enganar... [[lexico:q:quem:start|quem]] [[lexico:n:nao:start|não]] vê que esta [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] é um [[lexico:s:sofisma:start|sofisma]]! Que [[lexico:s:significacao:start|significação]] poderia [[lexico:t:ter:start|ter]] para mim o [[lexico:f:fato:start|fato]] de me enganar, se não soubesse, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] a verdade, ou o que é não se enganar? Mais radicalmente: se me engano sempre, será que não me engano no [[lexico:m:momento:start|momento]] em que afirmo que estou fatalmente no erro? O [[lexico:c:ceticismo:start|ceticismo]] completo, [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] já o observara, é destruidor de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]. Aquele que duvida somente pode ser [[lexico:c:consequente:start|consequente]] consigo mesmo abstendo-se de afirmar e mesmo de dar o menor [[lexico:s:sinal:start|sinal]], isto é, comportando-se como um cepo. O que o fato [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] do erro, evidentemente incontestável, nos impõe determinar é a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] verdadeira da verdade e do seu contrário, o erro, assim como os meios de distinguir uma de outro: tal fato postula a [[lexico:i:instituicao:start|instituição]] de uma [[lexico:c:criteriologia:start|criteriologia]], e [[lexico:n:nada:start|nada]] mais. [[lexico:i:imanencia:start|Imanência]] do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]. É [[lexico:i:impossivel:start|impossível]], nos é [[lexico:d:dito:start|dito]], fazer reunir no conhecimento um [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] e um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] previamente separados um do outro; por outro lado, a [[lexico:a:atividade:start|atividade]] intelectual é [[lexico:i:imanente:start|imanente]] ao sujeito pensante; um [[lexico:a:alem:start|além]] do pensamento é impensável. Fórmulas como esta poderiam receber um [[lexico:s:sentido:start|sentido]] aceitável; mas tais [[lexico:c:como-se:start|como se]] apresentam e na significação que se pretende lhes emprestar, falseiam completamente a posição de um realismo são. Em tal filosofia, não se trata de modo algum de procurar estabelecer uma ponte entre dois [[lexico:m:mundos:start|mundos]] previamente separados e opostos, o do pensamento e o da [[lexico:c:coisa:start|coisa]] em si: o fato desta [[lexico:u:uniao:start|união]] pertence ao [[lexico:d:dado:start|dado]] [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]]; a coisa só me aparece nas suas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] com o pensamento. O que se torna [[lexico:p:problema:start|problema]] é o como e não a [[lexico:e:existencia:start|existência]] de um liame entre o espírito e o [[lexico:r:real:start|real]]. Mas, insistir-se-á, este liame repousa sobre uma [[lexico:s:suposicao:start|suposição]] impossível, a de um pensamento que sai de sua imanência para penetrar nas [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. Este modo de encerrar um ser sobre si mesmo, responderíamos, não corresponde a uma concepção demasiado materialista da [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]]? Em outros termos, quem me diz que, mesmo sendo imanente, uma atividade não pode ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] possuir uma [[lexico:d:dimensao:start|dimensão]] [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]]? No momento em que penso, tenho, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], o [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] de conservar em mim minhas [[lexico:i:ideias:start|ideias]], mas ao mesmo tempo eu as considero como me colocando em [[lexico:r:relacao:start|relação]] com um [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]] à minha [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]. Existe, certamente, algo de misterioso nesta compenetração de seres que parece se realizar no conhecimento. Mas não se vê [[lexico:b:bem:start|Bem]] porque a isto opor-se-á, [[lexico:a:a-priori:start|a priori]], uma inaceitação. A atividade do conhecimento. O pensamento é ativo, criador mesmo, na elaboração das ciências e até mesmo nos seus atos elementares: é um fato incontestável. Mas segue-se daí que o pensamento seja uma [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] de [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] absoluta e apriorística do seu objeto? A mais rudimentar [[lexico:a:analise:start|análise]] reflexiva não nos assegura que o conhecimento é também passividade, ou que, se o objeto nos aparece sob uma certa relação construída por nós, sob outros aspectos ele se manifesta como dado, e mesmo que este [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] de dado parece se impôr de maneira primitiva? Em [[lexico:t:todo:start|todo]] caso é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] examinar as coisas de perto e não é de modo algum evidente que o conhecimento seja determinação absoluta de um objeto ou atividade pura. Dizer, por exemplo, que a inteligência é um poder de [[lexico:s:sintese:start|síntese]] a priori, é traduzir de modo incompleto o que nós é dado espontaneamente no [[lexico:j:juizo:start|juízo]]: a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] experimentada é mais complexa. De outro lado, esta [[lexico:a:aspiracao:start|aspiração]] à [[lexico:a:autonomia:start|autonomia]] ou este [[lexico:d:desejo:start|desejo]] de [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] ou de franquia, que se crê reconhecer na [[lexico:r:raiz:start|raiz]] mesma da [[lexico:v:vida:start|vida]] do espírito, pode corresponder a algo de [[lexico:a:autentico:start|autêntico]] em nós, sem que seja negada a priori toda dependência desse mesmo espírito. Talvez exista um espírito perfeitamente autônomo, mas nada nos diz que [[lexico:e:esse:start|esse]] espírito deva ser o nosso, que nos parece, ao contrário, tão [[lexico:r:relativo:start|relativo]] em outra coisa. Podemos concluir, portanto, que, se colocam um certo [[lexico:n:numero:start|número]] de problemas que convém, com efeito, resolver problemas das relações no conhecimento da verdade e do erro, da imanência e da [[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]], da atividade e da passividade - os fatos alegados acima não nos inclinam de modo algum a renunciar a priori ao realismo, ou a afirmar que o ser é redutível ao pensamento. Não nos é, de maneira alguma, imposto partir de uma outra suposição que não aquela do realismo. Isto é [[lexico:p:possivel:start|possível]]? É o que convém examinar [[lexico:a:agora:start|agora]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}