===== ENTELECHEIA ===== entelécheia: [[lexico:e:estado|Estado]] de completude ou [[lexico:p:perfeicao|perfeição]], [[lexico:a:atualidade|atualidade]] 1. Embora [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] use normalmente entelecheia, que é provavelmente de seu cunho [[lexico:p:pessoal|pessoal]], como sinônimo de [[lexico:e:energeia|energeia]], há um passo ([[lexico:m:metafisica|Metafísica]] 1050a) que pelo menos sugere que os dois termos, embora intimamente ligados, [[lexico:n:nao|não]] são perfeitamente idênticos. Estão relacionados através da [[lexico:n:nocao|noção]] de [[lexico:e:ergon|ergon]]: ergon é a [[lexico:f:funcao|função]] de uma [[lexico:c:capacidade|capacidade]] ([[lexico:d:dynamis|dynamis]]) e assim a sua completude e realização ([[lexico:t:telos|telos]]). Por isso o estado de funcionamento (energeia) «tende para» o estado de completude (en-telecheia), especialmente por Aristóteles já [[lexico:t:ter|ter]] salientado (ibid. 1048b) que energeia difere de [[lexico:k:kinesis|kinesis]] pelo [[lexico:f:fato|fato]] da última [[lexico:s:ser|ser]] incompleta (ateies), enquanto a primeira o não é. 2. O [[lexico:u:uso|uso]] mais curioso que Aristóteles faz de entelecheia é provavelmente a sua [[lexico:s:substituicao|substituição]] por [[lexico:e:eidos|eidos]] na [[lexico:d:definicao|definição]] de [[lexico:a:alma|alma]], que assim se torna ([[lexico:d:de-anima|De anima]] II, 412a): «a primeira entelecheia de um [[lexico:c:corpo|corpo]] [[lexico:n:natural|natural]] que potencialmente tem [[lexico:v:vida|vida]]». Para Brisson & Pradeau (2002 p.137), Aristóteles emprega o [[lexico:t:termo|termo]] entelecheia (que se poder traduzir por "realização") para designar o [[lexico:a:ato|ato]] [[lexico:p:perfeito|perfeito]] e completo, que alcançou sua meta (seu telos). Este ato pode ter duas [[lexico:s:significacoes|significações]]: "a [[lexico:e:entelequia|enteléquia]] se toma em um duplo [[lexico:s:sentido|sentido]]; ela é por vezes a [[lexico:c:ciencia|ciência]], por vezes como o exercício da ciência" (De [[lexico:a:anima|anima]], II, 1, 412a22-24, em seguida II, 5, 417b9-17). Trata-se de uma enteléquia segunda quando a ciência é possuída e exercida, e de uma enteléquia primeira quando a ciência não senão possuída.