===== ENTE ===== Encontramos no ensaio Vom [[lexico:w:wesen:start|Wesen]] des Grundes a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de que o [[lexico:a:ato:start|ato]] de transcender [[lexico:n:nao:start|não]] [[lexico:p:parte:start|parte]] de um “[[lexico:e:eu:start|eu]]” fundador [[lexico:s:singular:start|singular]], mas se põe como [[lexico:p:principio:start|princípio]] instituidor de [[lexico:t:todo:start|todo]] eu, tu ou ele. Estamos, portanto, diante de um poder que determina não só a [[lexico:e:emergencia:start|emergência]] do ente intramundano, como também a da própria [[lexico:r:realidade:start|realidade]] humana. O ente fundado pelo projetar não é unicamente a circunstância do [[lexico:h:homem:start|homem]], mas o homem em sua circunstância. Podemos, entretanto, abordar essas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] a partir de [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista. Sabemos como o ente intramundano só se revela a partir de um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] de possibilidades inerentes à [[lexico:e:existencia:start|existência]]. Essas possibilidades poderiam [[lexico:s:ser:start|ser]] compreendidas como projetadas pelo homem, sendo o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] homem, nesse caso, um prius em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao aparecimento do ente intramundano. Porém, a [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]] em que nos colocamos, procurando incluir o homem dentro do [[lexico:c:circulo:start|círculo]] de um projetar instituidor, atesta-nos que aquela [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] antropocêntrica é inexata. A abertura das possibilidades não diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] unicamente à [[lexico:e:esfera:start|esfera]] do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] circundante, mas incide na própria estruturação e [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] do homem. Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]] devemos [[lexico:c:compreender:start|compreender]] a [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] de [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] de que ao traçar o mundo, o homem se vê traçado no interior do mundo e aí abandonado. O desvelamento do [[lexico:h:horizonte:start|horizonte]] mundanal é simultâneo ao desvelamento do próprio homem. As consequências filosóficas desse ponto de vista e sua elaboração especulativa oferecem perspectivas ainda inexploradas. Se o transcender instituidor das possibilidades abre [[lexico:c:campo:start|campo]] para a realização histórica, disso resulta que estamos diante de uma [[lexico:a:area:start|área]] meta-histórica de decisões que envolve e condiciona todas as vicissitudes humanas. É o que afirma Heidegger em diversas passagens da Carta sobre o [[lexico:h:humanismo:start|humanismo]]: “A [[lexico:h:historia:start|história]] do Ser suporta e determina toda a [[lexico:s:situacao:start|situação]] e [[lexico:c:condicao:start|condição]] humanas”. E ainda: “O jectante do [[lexico:p:projeto:start|projeto]] não é o homem, mas o próprio Ser que endereça o homem ao ek-sistir como à [[lexico:e:essencia:start|essência]] que lhe é própria”. Vemos, pois, que de uma abertura condicionadora do ente intramundano e somente dela, passamos a um desvelamento [[lexico:s:superior:start|superior]], onde se realiza simultaneamente a emergência das possibilidades circundantes e antropológicas. O ente [[lexico:h:humano:start|humano]], do mesmo [[lexico:m:modo:start|modo]] que o mundo circundante, é o resultado e a [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] de um transcender que traça e que constitui a trama das oportunidades de realização histórico-humanas. Assim como o ente intramundano não constitui uma realidade [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] última, um [[lexico:f:fato:start|fato]] irredutível e fundamental, o homem também, como algo revelado por um projetar instituidor, não seria qualquer [[lexico:c:coisa:start|coisa]] de [[lexico:u:ultimo:start|último]] e permanente no [[lexico:p:processo:start|processo]] histórico-mundial. Na [[lexico:e:expressao:start|expressão]] de Ernesto Grassi, o Ente é um [[lexico:a:aparecer:start|aparecer]] (Sichzeigen, Erscheinen) que se revela dentro de certos limites. [[lexico:e:esse:start|esse]] mostrar-se, esse aparecer do Ente é entretanto condicionado pelo projetar humano que prescreve os limites de mostrar-se. Acreditamos, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com uma nova perspectiva, que o Ente como aparecer deve ser estendido ao próprio homem, que se determinaria assim como o mostrar-se de um mostrar projetante mais originário. Essa perspectiva arranca a [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] filosófica de um sentido antropotrópico e a lança num terreno excêntrico, onde o Ente vem pensado fora da perspectiva exclusivamente humana. O homem é um Ente no conjunto dos Entes. O desvelamento instituidor do Ser outorgaria ao homem o [[lexico:n:nexo:start|nexo]] de suas oportunidades e desempenhos humanizantes e o núcleo da sua [[lexico:v:verdade:start|verdade]] propriamente humana. Veremos mais adiante qual foi o [[lexico:a:acontecimento:start|acontecimento]] que permitiu o recortar-se da [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] humana no conjunto do processo [[lexico:h:historico:start|histórico]] [[lexico:r:religioso:start|religioso]]. Repetimos que não só o [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] do mundo circundante é fruto de um desenhar projetante que o delineia e determina em sua [[lexico:s:singularidade:start|singularidade]] própria, como também o homem mesmo amanhece para o seu perfil hominídeo singular, por [[lexico:m:meio:start|meio]] de um transcender instituidor que lhe outorga e assegura suas possibilidades mais genuínas. Parece-nos ser [[lexico:p:possivel:start|possível]] interpretar dessa maneira o que diz Heidegger em seu ensaio Von Wesen der Wahrheit: “Entretanto, se o [[lexico:d:dasein:start|Dasein]] ek-sistente, como o deixar ser do Ente, libera o homem para a sua [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]], quer à sua [[lexico:e:escolha:start|escolha]] proporcione algum possível, quer lhe imponha algum [[lexico:n:necessario:start|necessário]], então não é o arbítrio humano que dispõe da liberdade”. Vemos claramente nesta passagem como o Ente que é franqueado pela abertura projetante pode consistir justamente nesse plexo de possibilidades que configuram a realidade humana. O desvendamento do Ente é a [[lexico:o:ocorrencia:start|ocorrência]] instituidora do [[lexico:e:espaco:start|espaço]] ocupado pelo homem. “A história das possibilidades essenciais da [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]] histórica – diz Heidegger – é coordenada para esta no desvelamento do Ente em sua [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]]”. O ponto [[lexico:e:essencial:start|essencial]] das nossas reflexões consiste justamente em mostrar essa incidência do ato de descobertura sobre a própria constituição da conexão humana. O desvelamento do Ente que deve ser compreendido em [[lexico:f:funcao:start|função]] de uma intervenção projetante do Ser é também o desencadear-se das impulsões antropopoiéticas. [VFSTM:232-234] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}