===== EMPIRISMO ===== (in. Empiricism; fr. Empirisme; al. Empirismus; it. Empirismó). O empirismo, ou [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], é a corrente filosófica que considera a experiência como [[lexico:f:fonte:start|fonte]] única do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] ([[lexico:f:fonte-do-conhecimento:start|fonte do conhecimento]]). O empirismo ignora que a experiência só é [[lexico:p:possivel:start|possível]] na [[lexico:p:pressuposicao:start|pressuposição]] de condições [[lexico:n:nao:start|não]] experimentáveis. O empirismo propõe-se, de [[lexico:m:modo:start|modo]] especial, [[lexico:e:explicar:start|explicar]] os [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] e juízos [[lexico:u:universais:start|universais]] mediante a pura experiência. Sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], "[[lexico:t:todo:start|todo]] nosso conhecimento começa com a experiência" e por ela é, de qualquer maneira, condicionado. Mas não se pode admitir que nossos conhecimentos se restrinjam ao domínio da mera experiência. Nem sequer pode [[lexico:s:ser:start|ser]] derivado da experiência o [[lexico:p:principio:start|princípio]]: "todo conhecimento proveniente da experiência é [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]"; menos ainda o [[lexico:a:axioma:start|axioma]] básico do empirismo: "só a experiência garante o conhecimento verdadeiro". — O empirismo deve renunciar igualmente a explicar os conceitos universais. As representações sensoriais comuns ou esquemas não bastam para explicá-los, porque tais esquemas não podem como [[lexico:p:predicados:start|predicados]], ser atribuídos de modo [[lexico:i:identico:start|idêntico]] a muitos objetos reais. O [[lexico:c:conceito:start|conceito]] [[lexico:l:logico:start|lógico]] de "[[lexico:h:homem:start|homem]]" é rigorosamente [[lexico:u:uno:start|uno]], ao passo que seu [[lexico:e:esquema:start|esquema]] [[lexico:s:sensorial:start|sensorial]] admite diversas formas. Por isso, tampouco esses esquemas podem desempenhar o papel de [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] ou [[lexico:p:predicado:start|predicado]] em juízos universais. Por sua vez, precisam eles de uma [[lexico:n:norma:start|norma]], para serem produzidos e conhecidos como esquemas, e essa norma é o conceito lógico. Nem basta apelar para representações acessórios sensoriais subconscientes, porque o [[lexico:c:conceito-universal:start|conceito universal]] é [[lexico:r:representacao:start|representação]] [[lexico:c:consciente:start|consciente]] e clara. Não se nega que o conceito possivelmente se revista de esquema [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] e seja acompanhado de representações acessórias sensíveis; mas este [[lexico:p:processo:start|processo]] pressupõe o conceito lógico. — O empirismo confunde, outrossim, a [[lexico:r:relacao:start|relação]] intelectiva sujeito-predicado com a [[lexico:a:associacao:start|associação]] cega. O empirismo tenta fundamentar a [[lexico:v:validade:start|validade]] dos juízos universais a partir da [[lexico:i:inducao:start|indução]]. Mas a indução tem pressuposições (a [[lexico:l:lei:start|lei]] de uniformidade da [[lexico:n:natureza:start|natureza]]) que não podem ser fundamentadas pela mera experiência. — A rejeição da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] como conhecimento que transcende a experiência desconhece que a própria experiência é condicionada por [[lexico:p:principios:start|princípios]] transempíricos, de [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que em todo verdadeiro conhecimento ela é implicitamente ultrapassada. Precursor do empirismo [[lexico:m:moderno:start|moderno]] foi o [[lexico:n:nominalismo:start|nominalismo]] da baixa e alta Idade Média. [[lexico:b:bacon:start|Bacon]] de Vendam (+ 1626) formula, em termos claros e inequívocos, no "Novum Organum" os princípios do empirismo e arvora a indução em [[lexico:m:metodo:start|método]] [[lexico:u:unico:start|único]] da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]]. Esta doutrina foi ulteriormente ampliada na direção do [[lexico:s:sensismo:start|sensismo]] de J. [[lexico:l:locke:start|Locke]] (+ 1709) e do [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]] de [[lexico:c:condillac:start|Condillac]] (+ 1780). Também o [[lexico:n:neopositivismo:start|neopositivismo]] é um rebento do empirismo. [[lexico:k:kant:start|Kant]] admite, sem dúvida, que a experiência só é possível graças a funções não experienciais do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], mas, por não haver analisado profundamente estas funções, circunscreve a validade objetiva delas, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com os princípios do empirismo. — VIDE [[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]]. — Santeler. Com este [[lexico:n:nome:start|nome]] designa-se uma doutrina filosófica e em [[lexico:p:particular:start|particular]] gnoseológica segundo a qual o conhecimento se funda na experiência. Costuma contrapor-se o empirismo ao racionalismo, para o qual o conhecimento se funda, pelo menos em grande [[lexico:p:parte:start|parte]] na [[lexico:r:razao:start|razão]]. Contrapõe-se também ao [[lexico:i:inatismo:start|inatismo]], segundo o qual o espírito, a [[lexico:a:alma:start|alma]], e, em [[lexico:g:geral:start|geral]], o [[lexico:c:chamado:start|chamado]] “sujeito cognoscente” possui [[lexico:i:ideias-inatas:start|ideias inatas]], isto é, anteriores a toda a aquisição de dados. Para os empiristas, o sujeito cognoscente é [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] a uma [[lexico:t:tabua-rasa:start|tábua rasa]] onde se inscrevem as impressões procedentes do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]]. Pode-se dizer que, em geral, há três tipos de empirismo: o [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]], o gnoseológico e o metafísico. Para o primeiro, o conhecimento tem integralmente a sua [[lexico:o:origem:start|origem]] na experiência; o segundo defende que a validade de todo o conhecimento radica na experiência; o [[lexico:u:ultimo:start|último]] afirma que a própria [[lexico:r:realidade:start|realidade]] é empírica, isto é, que não há outra realidade para [[lexico:a:alem:start|além]] da que é acessível à experiência e em particular à experiência sensível. Neste artigo restringir-se-á o [[lexico:t:termo:start|termo]] empirismo ao chamado empirismo moderno e especialmente ao [[lexico:e:empirismo-ingles:start|empirismo inglês]], representado por Francis Bacon, [[lexico:h:hobbes:start|Hobbes]], Locke, [[lexico:b:berkeley:start|Berkeley]] e [[lexico:h:hume:start|Hume]]. Costuma-se opor este empirismo ao racionalismo continental (especialmente o de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], [[lexico:m:malebranche:start|Malebranche]], Espinosa, [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]]), embora sem grande pretexto, pois há autores empiristas, como Locke, que revelam uma forte componente racionalista. Comum a todos os empiristas ingleses é a concepção do espírito ou sujeito cognoscente como um receptáculo no qual ingressam os dados do mundo exterior transmitidos pelos sentidos mediante a [[lexico:p:percepcao:start|percepção]]. Os dados que ingressam nesse receptáculo são as chamadas (por Locke e Berkeley) [[lexico:i:ideias:start|ideias]], que Hume denomina sensações. Essas ideias ou sensações constituem a base de todo o conhecimento. Mas o conhecimento não se reduz a elas. com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], se o conhecimento fosse assim consistiria numa [[lexico:s:serie:start|série]] desconexa de dados meramente presentes. É mister que as ideias ou sensações se acumulem, por assim dizer, no espírito, de onde acorrem, ou melhor, de onde “são chamadas” para se ligarem a outras percepções. Graças a isso, torna-se possível executar operações como recordar, [[lexico:p:pensar:start|pensar]], etc. - a menos que sejam estas operações as que tornam possível o recorrer às ideias ou sensações depositadas -; em todo o caso, é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] que esta segunda fase do processo cognitivo para que o conhecimento seja propriamente [[lexico:e:esse:start|esse]] e não mera [[lexico:p:presenca:start|presença]] de percepções continuamente mutáveis. A relação entre a primeira e a segunda fase do processo cognitivo é paralela à relação entre as ideias ou sensações primitivas e as ideias ou sensações ditas “complexas”, sem as quais não poderia haver noções de objetos compostos de várias ideias elementares, isto é, de objetos (que se supõem ser [[lexico:s:substancias:start|substâncias]]) com qualidades. Com efeito, a [[lexico:f:formacao:start|formação]] dos objetos compostos não segue a [[lexico:o:ordem:start|ordem]] na qual foram obrigatoriamente dadas as impressões primárias, mas outras ordens diferentes que, além disso, sempre têm de ser confirmadas mediante o recurso à experiência primeira. Acima destes processos encontra-se o processo chamado [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]], mediante o qual se torna possível o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] de conceitos e, em geral, de algo [[lexico:u:universal:start|universal]]. Isto não significa que o universal seja aceite como propriamente [[lexico:r:real:start|real]]. Os autores que são, ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], empiristas e nominalistas manifestam especialmente uma grande desconfiança para com tudo o que aparece como [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]] e, relativamente a este [[lexico:t:tema:start|tema]], estabelecem-se grandes diferenças entre os autores empiristas. Também diferem os empirismos no que respeita à [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] dos processos de [[lexico:i:inferencia:start|inferência]] e àquilo a que Hume chamou [[lexico:r:relacoes:start|relações]] de ideias. A [[lexico:a:admissao:start|admissão]] de uma diferença básica entre os fatos e as ideias, como propõe Hume (para o qual as ideias, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de relações de ideias, são meras possibilidades de combinação) não é o único [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de empirismo existente, mas é um dos formulados com maior [[lexico:p:precisao:start|precisão]] e que exerceu maior [[lexico:i:influencia:start|influência]]. Grande parte das tendências empiristas contemporâneas, inclusive o [[lexico:p:positivismo-logico:start|positivismo lógico]], seguiram, neste [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]], o empirismo de Hume. Nos empiristas atrás mencionados, é caraterístico aquilo a que chamamos “empirismo psicológico”, a que dão um alcance gnoseológico. Contra isto se rebelou Kant. No princípio da [[lexico:c:critica-da-razao-pura:start|Crítica da Razão Pura]], Kant declara que, embora todo o conhecimento comece com a experiência, nem todo o conhecimento procede de a experiência. Isto quer dizer que a [[lexico:o:origem-do-conhecimento:start|origem do conhecimento]] reside (psicologicamente) na experiência, mas a validade do conhecimento reside (gnoseologicamente) fora da experiência. Assim, nem todo o conhecimento é, para Kant, [[lexico:a:a-posteriori:start|a posteriori]]; constitui-se por [[lexico:m:meio:start|meio]] do [[lexico:a:a-priori:start|a priori]]. Para os empiristas ingleses, especialmente para Hume, o a posteriori é [[lexico:s:sintetico:start|sintético]] e o a priori é [[lexico:a:analitico:start|analítico]]. Para Kant existe a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de [[lexico:j:juizos-sinteticos-a-priori:start|juízos sintéticos a priori]] (na [[lexico:m:matematica:start|matemática]] e na [[lexico:f:fisica:start|física]]). O conjunto dos processos empíricos. (É nessa acepção que se fala dos "tateamentos do empirismo".) — A [[lexico:p:palavra:start|palavra]] designa também uma doutrina (desenvolvida por Locke e Hume) segundo a qual todo o conhecimento deriva da experiência. O empirismo opõe-se ao "racionalismo" e à [[lexico:t:teoria:start|teoria]] das ideias inatas (Descartes). Corrente filosófica para a qual a experiência é [[lexico:c:criterio:start|critério]] ou norma da [[lexico:v:verdade:start|verdade]], considerando-se a palavra "experiência" no [[lexico:s:significado:start|significado]] 2. Em geral, essa corrente caracteriza-se pelo seguinte: 1) [[lexico:n:negacao:start|negação]] do [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] da verdade ou, ao menos, da verdade acessível ao homem; 2) reconhecimento de que toda verdade pode e deve ser posta à [[lexico:p:prova:start|prova]], logo eventualmente modificada, corrigida ou abandonada. Portanto, o empirismo não se opõe à razão ou não a nega, a não ser quando a razão pretende estabelecer verdades necessárias, que valham em absoluto, de tal [[lexico:f:forma:start|forma]] que seria inútil ou contraditório submetê-las a controle. Foi desse modo que [[lexico:s:sexto-empirico:start|Sexto Empírico]] caracterizou o empirismo, e, com base nessas características, reconhecia o seu parentesco com o [[lexico:c:ceticismo:start|ceticismo]]; essas características continuaram sendo fundamentais em todas as doutrinas posteriormente denominadas empíricas, quaisquer que fossem suas determinações peculiares. Sexto [[lexico:e:empirico:start|Empírico]] diz que o médico empírico, ou melhor, metódico, "[[lexico:n:nada:start|nada]] afirma temerariamente acerca dos fatos obscuros, mas, sem pretender dizer se são compreensíveis ou não, acompanha os fenômenos e destes toma aquele que lhe parece [[lexico:u:util:start|útil]], assim como fazem os céticos". E acrescenta: o que a medicina [[lexico:m:metodica:start|metódica]] e o ceticismo têm em íbmum é a [[lexico:f:falta:start|falta]] de dogmas e a indiferença no [[lexico:u:uso:start|uso]] das [[lexico:p:palavras:start|palavras]], sendo comum também a [[lexico:r:regra:start|regra]] de seguir as indicações da natureza é as fornecidas pelas necessidades do [[lexico:c:corpo:start|corpo]] (Pirr. hyp., I, 236-41). Depois de vários séculos, Leibniz dava o mesmo conceito de empirismo, mas contrapondo nitidamente o procedimento empírico ao [[lexico:r:racional:start|racional]]: "Os homens agem como os animais na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que o concatenamento de suas percepções só é realizado pela [[lexico:m:memoria:start|memória]], assemelhando-se assim aos médicos empíricos, que só têm prática e nenhuma teoria. Em três quartos de nossas [[lexico:a:acoes:start|ações]] nós somos apenas empíricos: p. ex., quando prevemos que vai amanhecer, estamos agindo empiricamente, pois estamos esperando que aconteça o que sempre aconteceu. Só o astrônomo julga esse [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] com a razão. Mas é o conhecimento das verdades necessárias e eternas que nos distingue dos [[lexico:s:simples:start|simples]] animais e nos faz [[lexico:t:ter:start|ter]] razão e ciência, elevando-nos ao conhecimento de nós mesmos e de [[lexico:d:deus:start|Deus]]" (Monad., §§ 28-29). A razão, nesse sentido, é infalível. Se como [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] humana pode enganar-se, como "concatenação das verdades e das objeções em boa forma, é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] que a razão nos engane" (Théod., Disc, § 65). É muito [[lexico:p:provavel:start|provável]] que dessas observações de Leibniz nos tenha chegado o conceito de empirismo, do racionalismo e da [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] entre ambos. O racionalismo defende a [[lexico:t:tese:start|tese]] da [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] da razão como "concatenação das verdades", e não como faculdade, no sentido de que ela não pode ser diferente do que é e, portanto, não pode sofrer desmentidos e não exige confirmações. A tese do empirismo é de que essa necessidade não existe e que, portanto, toda e qualquer "concatenação de verdades" deve poder ser posta à prova, controlada e eventualmente modificada ou abandonada. A essa [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] fundamental do empirismo e com base nela acrescentam-se outras, com as quais ele foi associado em cada fase de sua [[lexico:h:historia:start|história]]: 1) Negação de qualquer conhecimento ou princípio [[lexico:i:inato:start|inato]], que deva ser necessariamente reconhecido como válido, sem qualquer atesta-ção ou [[lexico:v:verificacao:start|verificação]]. Essa característica, estabelecida por Locke no primeiro livro de Ensaio, foi das que mais sobressaíram no séc. XVIII e às vezes serviu para definir o empirismo, embora não passe de [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] derivada dele. 2) Negação do "[[lexico:s:supra-sensivel:start|supra-sensível]]", entendido como qualquer realidade não passível de verificação e controle de qualquer tipo. Ora, os melhores e mais diretos instrumentos de que o homem dispõe para a verificação de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] e das realidades em que está mais diretamente interessado são os órgãos dos sentidos; desse modo, o empirismo apresenta-se na [[lexico:m:maioria-das-vezes:start|maioria das vezes]] como o recurso à [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] sensível enquanto método para decidir o que deve ser considerado real. Essa característica foi quase sempre usada para definir a natureza do empirismo; sendo considerada fundamental. Na verdade, por mais importante que seja, não é fundamental, mas secundária e derivada de outra, segundo a qual o empirismo é a exigência de que qualquer verdade só seja aceita se puder ser devidamente verificada e confirmada. 3) Ênfase na importância da realidade [[lexico:a:atual:start|atual]] ou imediatamente presente aos órgãos de verificação e comprovação, ou seja, no fato-, essa ênfase é consequência do recurso à evidência sensível. Essa é a característica que [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] reconhecia como [[lexico:m:merito:start|mérito]] do empirismo: o princípio de que "[[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] verdade deve [[lexico:e:estar:start|estar]] na realidade e estar lá para a percepção", e portanto "aquilo que o homem quiser admitir em seu [[lexico:s:saber:start|saber]] deverá ir [[lexico:v:ver:start|ver]] pessoalmente, confirmar pessoalmente sua presença" (Enc., § 38). Desse [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, a [[lexico:a:atitude:start|atitude]] empírica consiste em ressaltar a importância dos fatos, dos dados, das condiçõesque tornam possível a verificação de uma verdade qualquer, pois a verdade só é verdade quando verificada como tal, e o único meio de verificá-la, se ela se refere a [[lexico:c:coisas-reais:start|coisas reais]], é confrontá-la com os fatos nos quais essas [[lexico:c:coisas:start|coisas]] se apresentam, por assim dizer, em [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]]. 4) Reconhecimento do caráter [[lexico:h:humano:start|humano]] limitado, parcial ou imperfeito dos instrumentos de que o homem dispõe para verificar e comprovar a verdade, além da aplicação e do uso desses instrumentos em todos os campos de [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] acessíveis ao homem e só neles. Essa é a característica limitativa ou [[lexico:c:critica:start|crítica]] do empirismo, que é tradicionalmente associado ao reconhecimento da [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] das possibilidades humanas, e, portanto, da [[lexico:r:restricao:start|restrição]] da [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] aos limites impostos por essas possibilidades, ao mesmo tempo em que é associado à [[lexico:d:decisao:start|decisão]] de prosseguir as investigações até onde tais possibilidades o permitam e em qualquer [[lexico:c:campo:start|campo]] que o permitam. Sob esse aspecto, o empirismo é substancialmente uma [[lexico:i:instancia:start|instância]] cética, que de dúvida geral transformou-se em dúvida organizada e metódica para experimentar, em todos os campos, o alcance da verdade que o homem pode obter. O empirismo alija da filosofia, e de qualquer pesquisa legítima, os problemas referentes a coisas que não sejam acessíveis aos instrumentos de que o homem dispõe. Hume entendia o empirismo nesse sentido. Donde a constante polêmica do empirismo moderno contra a "metafísica", que é precisamente o campo desses problemas ou ao menos é assim considerada pelas correntes empíricas. Mas no [[lexico:p:proprio:start|próprio]] domínio das realidades acessíveis ao homem, o empirismo frequentemente encontra limites que lhe parecem intransponíveis, como p. ex. a "[[lexico:s:substancia:start|substância]]" de que [[lexico:f:fala:start|fala]] Locke ou a "[[lexico:c:coisa:start|coisa]] em si" de que falam os empiristas do séc. XVIII e o próprio Kant. Essas características são típicas do empirismo moderno que se inicia com Locke. Não incluem, [[lexico:c:como-se:start|como se]] vê, nenhuma [[lexico:r:renuncia:start|renúncia]] ao uso de instrumentos racionais ou lógicos, se adequados às possibilidades humanas. Não incluem sequer a renúncia a qualquer tipo de [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]], [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] ou teorização, em qualquer escala ou [[lexico:g:grau:start|grau]], implicando só a exigência de que qualquer generalização, hipótese ou teorização possa ser posta à prova e, portanto, confirmada ou refutada. A mais recente forma de empirismo, qual seja, o [[lexico:e:empirismo-logico:start|empirismo lógico]] do [[lexico:c:circulo-de-viena:start|Círculo de Viena]] e de algumas correntes inglesas e americanas, ajusta-se às características acima expostas. Com efeito, "a exigência fundamental do empirismo lógico é que qualquer [[lexico:e:enunciado:start|enunciado]], para ter sentido, deve ser de certo modo verificado, confirmado ou submetido à prova" (Carnap, Testability and Meaning, em Phil. of Science, 1953, p. 73), e esse princípio leva a restringir a investigação apenas ao domínio dos significados linguísticos que satisfaçam à tradicional exigência empirista de verificação e comprovação e a declarar "desprovidos de sentido" todos os outros. No que concerne ao [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] antigo e medieval, não se pode dizer que apresente formas completas de empirismo. Nele podem ser facilmente encontrados aspectos ou tendências de empirismo, mas não se observa o conhecimento nem a aceitação da exigência fundamental de que qualquer verdade seja verificada ou comprovada por um método [[lexico:a:adequado:start|adequado]]. Mas encontra-se frequentemente a característica 2), o [[lexico:s:sensacionismo:start|sensacionismo]], que foi de [[lexico:f:fato:start|fato]] compartilhado por cirenaicos, estoicos e epicuristas. Entre [[lexico:p:platao:start|Platão]] e [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], o mais [[lexico:p:proximo:start|próximo]] do empirismo é Platão, apesar do [[lexico:i:interesse:start|interesse]] que Aristóteles demonstrou pelo mundo [[lexico:n:natural:start|natural]] e da [[lexico:e:extensao:start|extensão]] de suas pesquisas nesse campo. De fato, o que Aristóteles considerava como [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de investigação em qualquer campo é a substância, a razão de ser das coisas, da qual são dedutíveis, por via [[lexico:s:silogistica:start|silogística]], todas as propriedades da coisa, e a substância, embora empiricamente seja aquilo que se apresenta sempre do mesmo modo, não é suscetível de verificação ou comprovação pela experiência, mas a ela se chega por meio da [[lexico:d:deducao:start|dedução]] dos princípios evidentes comuns a todas as ciências e dos princípios próprios de cada ciência (v. substância). O método dialético de Platão (v. [[lexico:d:dialetica:start|dialética]]), no entanto, parece consistir justamente na verificação e na comprovação das determinações atribuídas a determinada realidade; assim, essas determinações podem ser abandonadas, corrigidas ou modificadas pelos empregos sucessivos do método. Mas o empirismo de Platão só pode ser reconhecido pelos modernos, já que Platão contrapunha o seu método precisamente à experiência e nele evidenciava as características contrárias: como aparece claramente no trecho de Leis (citado no verbete experiência) em que à experiência do médico de [[lexico:e:escravos:start|escravos]] contrapõe o procedimento racional do médico de homens livres (Leis, IV, 720 c-d). Na Idade Média, a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] empirista manifesta-se na negação frequente da realidade do universal, que sempre implica o recurso à experiência, e no reconhecimento da experiência como processo que permite verificar e comprovar a realidade atual das coisas; p. ex., como conhecimento intuitivo. Nesse sentido, a doutrina de Ockham é a principal [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] do empirismo medieval. Finalmente, a [[lexico:a:antitese:start|antítese]] estabelecida por Francis Bacon entre a [[lexico:a:antecipacao:start|antecipação]] da natureza, que, sem verificação nem comprovação, salta dos casos particulares para os axiomas generalíssimos, e a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] da natureza, que consiste em ir, "sem saltos e por graus", das coisas particulares aos axiomas (Nov. Org., I, 24), representa a certidão de nascimento do empirismo moderno e de sua oposição a qualquer forma de racionalismo dogmático. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}