===== ECONOMIA ===== (gr. [[lexico:o:oikonomia:start|oikonomia]]; lat. oeconomia; in. Economy; fr. Economie; al. Oekonomie, ital. Economia). [[lexico:o:ordem:start|ordem]] ou [[lexico:r:regularidade:start|regularidade]] de uma [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] qualquer, seja esta uma casa, uma [[lexico:c:cidade:start|cidade]], um [[lexico:e:estado:start|Estado]] ou o [[lexico:m:mundo:start|mundo]]. No Novo Testamento essa [[lexico:p:palavra:start|palavra]], às vezes, é usada para indicar o [[lexico:p:plano:start|plano]] providencial (S. Paulo, Eph., I, 10). Orígenes chamou de "economia" a [[lexico:e:encarnacao:start|encarnação]] do [[lexico:v:verbo:start|verbo]], pois ela restituiu providencialmente ao mundo a ordem e a sua verdadeira [[lexico:r:regra:start|regra]] (Contra Cels., 11, 9). Mas, ao menos no que diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] às totalidades finitas, a melhor ordem é a que produz o resultado máximo com o [[lexico:e:esforco:start|esforço]] mínimo, de tal [[lexico:m:modo:start|modo]] que mesmo a [[lexico:l:lei:start|lei]] do menor esforço foi entendida, na [[lexico:h:historia-da-filosofia:start|história da filosofia]], como "[[lexico:p:principio:start|princípio]] da economia". [[lexico:e:esse:start|esse]] princípio, como regra metodológica, [[lexico:n:nao:start|não]] deve [[lexico:s:ser:start|ser]] confundido com o princípio da [[lexico:a:acao-minima:start|ação mínima]], que, num primeiro [[lexico:m:momento:start|momento]], é um princípio [[lexico:f:fisico:start|físico]] e metafísico e, num segundo momento, uma lei da [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]]. Pode-se dizer que o princípio da economia foi formulado pela primeira vez por Ockham, no séc. XIV, com a [[lexico:f:formula:start|fórmula]] "Pluralitas non estponenda sine necessitate" e "Frustra fit per plura [[lexico:q:quod:start|quod]] potest [[lexico:f:fieri:start|fieri]] perpauciora"’. Ockham utilizou constantemente esse princípio para eliminar muitas das entidades admitidas pela [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]] tradicional: p. ex., a specie, [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] ou [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]], como intermediária do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] (In Sent, II, q. 14, P). Mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]], com o [[lexico:n:nome:start|nome]] de [[lexico:n:navalha-de-ockham:start|navalha de ockham]], esse princípio foi expresso com a fórmula "Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem", [[lexico:f:forma:start|forma]] que se encontra a partir da Logica vetus et nova (1654) de Clauberg. [[lexico:k:kant:start|Kant]] refere-se a esse princípio como [[lexico:e:expressao:start|expressão]] da exigência de buscar na [[lexico:n:natureza:start|natureza]] (ou melhor, de realizar através de seu conhecimento) a [[lexico:m:maxima:start|máxima]] [[lexico:u:unidade:start|unidade]] e simplicidade possíveis. E diz.- "A [[lexico:e:existencia:start|existência]] dessa unidade na natureza é pressuposta pelos filósofos na conhecida regra da [[lexico:e:escola:start|escola]], segundo a qual os [[lexico:p:principios:start|princípios]] não devem ser multiplicados sem [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]]. Com isso se diz que a natureza das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] dá azo à [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]] e que a [[lexico:a:aparente:start|aparente]] [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] infinita não deve impedir-nos de supor que, por trás dela, haja uma unidade das propriedades fundamentais, da qual pode ser extraída a [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]] por [[lexico:m:meio:start|meio]] de múltiplas determinações" (Crít. R. Pura, [[lexico:d:dialetica:start|Dialética]], livro II, seç. III, Do [[lexico:u:uso:start|uso]] regulativo das [[lexico:i:ideias:start|ideias]]; Crít. do [[lexico:j:juizo:start|Juízo]], Intr., I). A [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] contemporânea insistiu e ainda hoje insiste muito na importância dessa regra metodológica. Para isso contribuíram sobretudo [[lexico:a:avenarius:start|Avenarius]] (Die Phil. als Denken der Welt gemäss den Princip des kleinsten Kraftmasses, 1876) e [[lexico:m:mach:start|Mach]], que disse: "Os métodos pelos quais se constitui o [[lexico:s:saber:start|saber]] são de natureza [[lexico:e:economica:start|econômica]]" (Die Principien der Würmenlehre, 2-ed., 1900, p. 39). Segundo Mach, é esse princípio que preside, p. ex., à [[lexico:f:formacao:start|formação]] dos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]], que nascem da [[lexico:s:situacao:start|situação]] de desequilíbrio entre o [[lexico:n:numero:start|número]]» das reações biologicamente importantes, que é bastante limitado, e a variedade, quase ilimitada, das coisas existentes. Permitindo classificar adequadamente essa variedade, o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] permite enfrentá-la do modo mais econômico, ou seja, com o mínimo esforço (Erkenntniss und Irrtum, 1905, cap. 8). Essa exigência ainda hoje é considerada válida na construção das [[lexico:h:hipoteses:start|hipóteses]] ou teorias científicas (v. [[lexico:t:teoria:start|teoria]]). É o mesmo conformismo, a [[lexico:s:suposicao:start|suposição]] de que os homens se comportam ao invés de agir em [[lexico:r:relacao:start|relação]] aos demais, que está na base da [[lexico:m:moderna:start|moderna]] [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] da economia, cujo nascimento coincidiu com o surgimento da [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] e que, juntamente com seu principal [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] técnico, a [[lexico:e:estatistica:start|estatística]], se tornou a ciência [[lexico:s:social:start|social]] por [[lexico:e:excelencia:start|excelência]]. A economia – que até a era moderna constituía uma [[lexico:p:parte:start|parte]] não muito importante da [[lexico:e:etica:start|ética]] e da [[lexico:p:politica:start|política]], e que se baseia na [[lexico:p:premissa:start|premissa]] de que os homens agem em relação às suas [[lexico:a:atividades:start|atividades]] econômicas como agem em relação a tudo mais – só veio adquirir [[lexico:c:carater:start|caráter]] científico quando os homens tornaram-se seres sociais e passaram a seguir unanimemente certos padrões de [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]], de [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que aqueles que não seguissem as regras podiam ser considerados associais ou anormais. [[lexico:n:nota:start|nota]]: “A concepção da [[lexico:e:economia-politica:start|economia política]] primeiramente como uma ‘ciência’ remonta a [[lexico:a:adam-smith:start|Adam Smith]]”, e era desconhecida não só da [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]] e da Idade Média, mas também da doutrina canônica, a primeira “doutrina econômica completa” que “diferia da economia moderna por ser uma ‘[[lexico:a:arte:start|arte]]’ e não uma ‘ciência’” (W. J. Ashley, An introduction to English economic history and theory, p. 379 ss.). A economia clássica pressupunha que o [[lexico:h:homem:start|homem]], na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que é um ser ativo, age exclusivamente por [[lexico:i:interesse:start|interesse]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]] e é movido por um [[lexico:u:unico:start|único]] [[lexico:d:desejo:start|desejo]], o desejo de aquisição. A introdução, por Adam Smith, de uma “mão invisível para promover um [[lexico:f:fim:start|fim]] que não fazia parte da [[lexico:i:intencao:start|intenção]] ” demonstra que mesmo esse mínimo de [[lexico:a:acao:start|ação]], com a sua [[lexico:m:motivacao:start|motivação]] [[lexico:u:uniforme:start|uniforme]], contém ainda demasiada iniciativa imprevisível para o estabelecimento de uma ciência. [[lexico:m:marx:start|Marx]] desenvolveu a economia clássica mais ainda ao substituir os interesses individuais e pessoais por interesses de [[lexico:g:grupo:start|grupo]] ou de [[lexico:c:classe:start|classe]], e ao reduzir esses interesses de classe a duas classes principais, de capitalistas e operários, de sorte que só lhe restou um conflito em que a economia clássica enxergava uma [[lexico:m:multidao:start|multidão]] de conflitos contraditórios. O [[lexico:m:motivo:start|motivo]] pelo qual o [[lexico:s:sistema:start|sistema]] econômico de Marx é mais consistente e coerente, e, portanto, aparentemente muito mais “científico” que os de seus predecessores, reside primordialmente na construção do “homem socializado”, que é um ser ainda menos ativo que o “homem econômico” da economia liberal. [ArendtCH, 6] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}