===== DUALISMO ===== Toda [[lexico:t:teoria|teoria]] que se refere a dois [[lexico:p:principios|princípios]]: o dualismo da [[lexico:a:alma|alma]] e do [[lexico:c:corpo|corpo]], a propósito da [[lexico:n:natureza-humana|natureza humana]], da [[lexico:v:vontade|vontade]] e do [[lexico:e:entendimento|entendimento]], no que concerne às funções do [[lexico:e:espirito|espírito]] ([[lexico:d:descartes|Descartes]]). — A [[lexico:o:oposicao|oposição]] mais frequente é a do [[lexico:h:homem|homem]] e do [[lexico:m:mundo|mundo]], do espírito e da [[lexico:m:materia|matéria]]; toda doutrina humanista é dualista, sob [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:a:aspecto|aspecto]], na [[lexico:m:medida|medida]] em que afirma a [[lexico:l:liberdade|liberdade]] do homem e a [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] de reduzi-lo às leis da [[lexico:n:natureza|natureza]] ([[lexico:d:determinismo|determinismo]] [[lexico:a:absoluto|absoluto]], [[lexico:p:panteismo|panteísmo]]), de absorver o [[lexico:i:individuo|indivíduo]] nos mecanismos sociais, numa administração ([[lexico:t:totalitarismo|totalitarismo]]), por [[lexico:e:exemplo|exemplo]]. [Contr.: monismo.] O dualismo em [[lexico:g:geral|geral]], em oposição ao [[lexico:m:monismo|monismo]], mantém os contrastes essenciais existentes na [[lexico:r:realidade|realidade]] entre o [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:c:contingente|contingente]] e o Ser absoluto (mundo e [[lexico:d:deus|Deus]]) e, dentro da [[lexico:e:esfera|esfera]] do contingente, entre conhecer e ser, entre matéria e espírito, respectivamente entre [[lexico:m:materia-e-forma|matéria e forma]] vital unida ao material, entre ser e [[lexico:a:acao|ação]], entre [[lexico:s:substancia|substância]] e [[lexico:a:acidente|acidente]], etc. — Toda [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]] se deve reduzir certamente à [[lexico:u:unidade|unidade]] em seu [[lexico:u:ultimo|último]] [[lexico:f:fundamento|fundamento]], mas [[lexico:n:nao|não]] deve ser suprimida em sua própria esfera. — Ao invés, dualismo designa, com frequência, o [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:e:extremo|extremo]] do monismo: a [[lexico:d:dualidade|dualidade]] pura, irredutível. Assim, o dualismo metafísico estreme explica a [[lexico:l:limitacao|limitação]] e o [[lexico:m:mal|mal]] no mundo, pela aceitação de dois princípios: um [[lexico:p:principio|princípio]] "potencial", a par de Deus, e coeterno com Ele, que põe obstáculos e limites à Sua ação configuradora do [[lexico:u:universo|universo]] (a matéria eterna de [[lexico:p:platao|Platão]]), ou então um ser mau [[lexico:i:independente|independente]] frente ao princípio [[lexico:b:bom|Bom]] ([[lexico:m:maniqueismo|maniqueísmo]]). Também o dualismo antropológico, tal como é defendido por Descartes, não toma em conta a unidade de [[lexico:c:corpo-e-alma|corpo e alma]] que, superando a dualidade, existe no homem (corpo e alma [Relação entre]). — WlLLWOLL. No século XVIII, opôs-se o dualismo ao monismo. Eram dualistas os que afirmavam a [[lexico:e:existencia|existência]] de duas [[lexico:s:substancias|substâncias]], a material e a espiritual, ao contrário dos monistas, que não admitiam senão uma. Com os vocábulos dualista e monista, caraterizavam-se posições muito fundamentais no [[lexico:p:problema|problema]] da [[lexico:r:relacao|relação]] [[lexico:a:alma-corpo|alma-corpo]], de tão amplas ressonâncias na [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]], a partir de Descartes. Assim, Descartes carateriza-se como francamente dualista, enquanto Espinosa representa o caso mais extremo do monismo. Só a posterior [[lexico:g:generalizacao|generalização]] do [[lexico:t:termo|termo]] fez que dualismo significasse, em geral, qualquer [[lexico:c:contraposicao|contraposição]] de duas tendências irredutíveis entre si. [[lexico:a:alem|Além]] disso, entende-se o dualismo de diversas maneiras, consoante o [[lexico:c:campo|campo]] a que se aplique, falando-se de dualismo [[lexico:p:psicologico|psicológico]] ([[lexico:u:uniao|união]] da alma com o corpo, da liberdade e do determinismo), dualismo [[lexico:m:moral|moral]] (o [[lexico:b:bem|Bem]] e e a alma, a natureza e a [[lexico:g:graca|graça]]), de dualismo gnoseológico ([[lexico:s:sujeito-e-objeto|sujeito e objeto]]), de dualismo [[lexico:r:religioso|religioso]], etc. Contudo, chama-se também dualista a qualquer doutrina [[lexico:m:metafisica|metafísica]] que supõe a existência de dois princípios ou realidades irredutíveis entre si e não subordináveis, que servem para a [[lexico:e:explicacao|explicação]] do universo. Na [[lexico:v:verdade|verdade]], esta última doutrina é a que se considera dualista por [[lexico:e:excelencia|excelência]]. Os múltiplos dualismos que podem manifestar-se nas teorias filosóficas - como o [[lexico:c:chamado|chamado]] dualismo aristotélico da [[lexico:f:forma|forma]] e da matéria, o dualismo kantiano da [[lexico:n:necessidade|necessidade]] e liberdade, de [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] e [[lexico:n:numeno|númeno]] - são-no na medida em que se interpretam os termos opostos de um [[lexico:m:modo|modo]] absolutamente realista e até se lhes dá um certo cariz valorativo. Só deste [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista podemos dizer que o dualismo se opõe ao monismo, que não apregoa a [[lexico:s:subordinacao|subordinação]] de umas realidades a outras, mas que tende constantemente à identificação dos opostos, mediante a [[lexico:s:subsuncao|subsunção]] dos mesmos numa [[lexico:o:ordem|ordem]] ou princípio [[lexico:s:superior|superior]]. (in. Dualism; fr. Dualisme; al. Dualismus; it. Dualismo). Esse termo foi cunhado no séc. XVIII (aparece pela primeira vez, provavelmente, em Thomas Hyde, Historia religionis veterumpersarum, 1700, cap. IX, p. 164), para indicar a doutrina de Zoroastro, que admite dois princípios ou divindades, um do bem e outro do mal, em [[lexico:l:luta|luta]] constante entre si. [[lexico:b:bayle|Bayle]] e [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] empregam essa [[lexico:p:palavra|palavra]] no mesmo [[lexico:s:sentido|sentido]], mas Christian [[lexico:w:wolff|Wolff]] dá-lhe [[lexico:s:significado|significado]] diferente, ao dizer que são "dualistas aqueles que admitem a existência de substâncias materiais e de substâncias espirituais" (Psychol. rat., § 39). Esse foi o significado que se tornou mais comum e difundido na [[lexico:t:tradicao|tradição]] filosófica. Segundo ele, o fundador do dualismo seria Descartes, que reconheceu a existência de duas espécies diferentes de substâncias: a corpórea e a espiritual. Essa palavra, todavia, muitas vezes foi estendida para indicar outras oposições reais que os filósofos descobriram no universo: p. ex., a oposição aristotélica entre matéria e forma, a medieval entre [[lexico:e:existencia-e-essencia|existência e essência]] e uma oposição que ocorre em todos os tempos, entre [[lexico:a:aparencia|aparência]] e realidade. Arthur O. Lovejoy examinou historicamente a revolta contra o dualismo (The Revolt Against Dualism, 1930), insistindo na necessidade de certa forma de dualismo ou pelo menos de "bifurcação da [[lexico:e:experiencia|experiência]]" que justifique a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre a aparência ilusória e a realidade (v. monismo).