===== DOMÍNIO DA ESTÉTICA ===== Será a [[lexico:e:estetica:start|estética]] uma [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] unitária, ou antes um aglomerado de investigações particulares, heterogêneas e absolutamente independentes? Ao que se pode responder que as investigações estéticas devem estender-se a [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] domínios diferentes, para a estética satisfazer ao seu [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]]: 1.° A estética tem por objetivo analisar e [[lexico:e:explicar:start|explicar]] psicologicamente a [[lexico:e:emocao:start|emoção]] estética (em [[lexico:f:funcao:start|função]] das suas condições internas e externas); tal é o objetivo especial da estética psicológica. 2.° A estética deve fornecer ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] uma [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da [[lexico:c:criacao-artistica:start|criação artística]], já analisando-a psicologicamente, já investigando as suas condições individuais e sociais, já estudando a sua [[lexico:o:origem:start|origem]] na [[lexico:e:especie:start|espécie]] humana ou nos mais remotos esboços e nas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] primitivas da [[lexico:a:arte:start|arte]] e da [[lexico:c:civilizacao:start|civilização]] humana. 3.° A estética, como ciência objetiva, trata da arte, do [[lexico:s:sistema:start|sistema]] das diversas artes e das obras de arte, das suas propriedades, dos seus meios especificamente artísticos, das suas leis, da sua [[lexico:t:tecnica:start|técnica]], e, adentro de cada arte, trata ainda do sistema das formas fundamentais (no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] mais lato do [[lexico:t:termo:start|termo]]). 4.° A [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] estética estende-se igualmente ao vasto domínio da [[lexico:c:cultura:start|cultura]] estética. O nosso [[lexico:i:instinto:start|instinto]] estético [[lexico:n:nao:start|não]] se exterioriza de [[lexico:f:forma:start|forma]] alguma apenas na [[lexico:c:criacao:start|criação]] de obras de arte. O [[lexico:s:senso:start|senso]] [[lexico:a:artistico:start|artístico]] do [[lexico:h:homem:start|homem]] manifesta-se muito mais e muito mais diretamente quando procuramos impregnar esteticamente toda a nossa [[lexico:e:existencia:start|existência]] e embelezar a sua forma externa. Revestimos esteticamente e embelezamos o nosso [[lexico:c:corpo:start|corpo]], o nosso vestuário, os nossos instrumentos e utensílios e todas as condições externas da [[lexico:v:vida:start|vida]]. De maneira nenhuma se deve identificar este quarto [[lexico:d:dominio-da-estetica:start|domínio da estética]] com o mencionado em [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] [[lexico:l:lugar:start|lugar]]; só um exame superficialíssimo nos induziria a [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] identificação. [[lexico:c:criar:start|criar]] obras de arte, que [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmas devem agradar e imprimir uma forma esteticamente agradável aos objetos que quotidianamente nos rodeiam, ou procurar embelezar a nossa vida, são [[lexico:c:coisas:start|coisas]] completamente diferentes. Nos dois casos manifestam-se tendências «toto genere» diferentes; no primeiro, a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] puramente artística, sem [[lexico:s:subordinacao:start|subordinação]] a qualquer [[lexico:f:fim:start|fim]] utilitário; no segundo, a tendência cultural propriamente dita, que tem em vista um fim [[lexico:p:pratico:start|prático]]. A cultura do [[lexico:b:belo:start|belo]] subordina-se inteiramente às necessidades práticas da vida; a criação duma [[lexico:o:obra:start|obra]] de arte prescinde totalmente delas. Estes dois lados da [[lexico:a:atitude:start|atitude]] estética devem, portanto, [[lexico:s:ser:start|ser]] examinados independentemente. Uma estética que desejar satisfazer realmente ao seu objetivo deverá elaborar todos domínios, e da precedente [[lexico:s:sintese:start|síntese]] das tendências estéticas da [[lexico:a:atualidade:start|atualidade]] vemos que elas se estendem de [[lexico:f:fato:start|fato]] a todos estes problemas. Mas não são estes diversos domínios da estética de [[lexico:n:natureza:start|natureza]] totalmente diferente? Que tem que [[lexico:v:ver:start|ver]], por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] da emoção estética com o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] da obra de arte ou com a cultura estética? Basta [[lexico:p:por:start|pôr]] está [[lexico:q:questao:start|questão]] para vermos claramente que, isoladamente consideradas, nenhuma das concepções da estética acima expostas é capaz de satisfazer a estes objetivos. Nem a estética puramente psicológica nem a objetiva podem, do seu [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, tratar todos estes problemas sem os [[lexico:s:subsumir:start|subsumir]] a pontos de vista totalmente inadequados. A única concepção [[lexico:p:possivel:start|possível]] da estética por [[lexico:m:meio:start|meio]] da qual se satisfaça simultaneamente a toda a sua [[lexico:e:extensao:start|extensão]] e à natureza específica dos seus diversos ramos é aquela que encara, como seu [[lexico:p:problema:start|problema]] fundamental, a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] e a [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] omnímoda da atitude estética do homem para com o [[lexico:m:mundo:start|mundo]], na sua caraterística [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] da atitude teórica e prática. A atitude estética do homem, porém, tanto pode ser fruir como criar, e entre a emoção estética e a criação artística existe um [[lexico:n:nexo:start|nexo]] íntimo. Mas, para se [[lexico:c:compreender:start|compreender]] plenamente a criação artística, é naturalmente [[lexico:n:necessario:start|necessário]] compreender também o seu [[lexico:p:produto:start|produto]], a obra de arte, e [[lexico:b:bem:start|Bem]] assim a sua [[lexico:i:influencia:start|influência]] [[lexico:g:geral:start|geral]] sobre a nossa forma de vida (a cultura estética). Por isso, concebo o objetivo da estética em geral e a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] interna dos seus objetivos particulares da seguinte maneira: no domínio dos fatos estéticos não se trata apenas duma espécie [[lexico:p:particular:start|particular]] de fenômenos conscientes, como sustenta a estética psicológica, mas duma atitude «[[lexico:s:sui-generis:start|sui generis]]» do homem para com o mundo, que deve ser examinada pela estética científica sob o seu [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] objetivo e [[lexico:s:subjetivo:start|subjetivo]] e cuja natureza específica é mister separar e distinguir da atitude cognitiva, prática e [[lexico:m:moral:start|moral]] do homem, mediante determinados [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]]. Daqui se deduz facilmente como, por meio desta [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:f:formula:start|fórmula]], a [[lexico:a:aparente:start|aparente]] heterogeneidade dos domínios estéticos desaparece completamente e se estabelece a sua unidade. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]]: olhando do nosso ponto de vista, o domínio estético a investigar em primeiro lugar é a atitude do homem na emoção e apreciação estética; o segundo [[lexico:o:objeto:start|objeto]] da estética é a atitude produtiva ou representativa e criadora do [[lexico:a:artista:start|artista]] e do diletante; o terceiro domínio abrange então os diversos produtos ou «obras» da criação artística, que se agrupam em determinados domínios da [[lexico:r:representacao:start|representação]] e criação estética segundo a unidade do seu objetivo e dos seus meios (o mundo da arte, das artes e as diversas obras de arte). As obras de arte também são, por sua vez, objetos de apreciação e emoção estética e devem, portanto, ser examinados sob um duplo aspecto: como produtos da criação artística e como objetos de apreciação e emoção estética. O quarto domínio é a atitude estética em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a todas as condições externas e internas da nossa existência, ou a extensão da atitude estética a essas condições vitais (a cultura estética). 0 sistema completo de investigações estéticas que resulta desta concepção forma o tronco duma estética empírica com os seus diversos ramos. Pode-se todavia questionar se, a par desta estética empírica, não será possível construir ainda uma estética filosófica, no sentido dum sistema de juízos e noções estéticas, ou até mesmo uma [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] do belo? Deixamos essa questão por solucionar; mas, se uma estética filosófica é possível, ela só se poderá construir sobre os alicerces duma estética empírica. E. Meumann, A Estética Contemporânea, trad. do Dr. Feliciano dos Santos, pp. 63-67. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}