===== DIVINO ===== Segundo a sua concepção [[lexico:n:nao|não]] podemos apelar, pretendendo fundamentar e [[lexico:e:explicar|explicar]] o aparecimento da [[lexico:r:religiao|religião]] e da [[lexico:c:cultura|cultura]], para um conjunto de aspirações, necessidades e ideais humanos, pois essas forças em sua [[lexico:m:modalidade|modalidade]] histórica já supõem em [[lexico:a:aberto|aberto]] o [[lexico:e:espaco|espaço]] de sua [[lexico:m:manifestacao|manifestação]]. Finalidades, ideais, necessidades, sonhos, já são Einzelformen eines Gesamtstiles des Lebens [fórmulas singulares de um estilo integral de vida], desempenhos intramundanos, que supõem e pressupõem uma dotação de [[lexico:s:sentido|sentido]] prévio. Essa dotação de sentido é o resultado emergente de uma epifania do divino, daquela [[lexico:p:poesia|poesia]] em si e [[lexico:p:por-si|por si]] de que falava [[lexico:s:schelling|Schelling]]: “A epifania majestosa”, diz-nos Walter [[lexico:o:otto|Otto]], “em cujo quadrado o [[lexico:h:homem|homem]] recebe a sua própria [[lexico:i:imagem|imagem]] e irradia também a partir de [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] aquele [[lexico:t:todo|todo]] em [[lexico:m:movimento|movimento]] que denominamos o [[lexico:e:estilo|estilo]] total da [[lexico:v:vida|vida]]. No [[lexico:c:comeco|começo]] está sempre [[lexico:d:deus|Deus]]”. [ W. F. Otto, Dionysos: Mythos und Kultus. Coleção Frankfurter Studien zur Religion und Kurtur der Antike, Band IV. Frankfurt, Klostermann, s/d, p. 30.] Em [[lexico:c:consequencia|consequência]], a Manifestação mítico-divina que estilizava e põe em movimento um ciclo [[lexico:h:historico|histórico]], de todas as [[lexico:c:coisas-reais|coisas reais]] ou atuantes, é a mais [[lexico:r:real|real]] ou [[lexico:a:atuante|atuante]] (von allem wirklichen, das Wirklichste ). Não só o divino ou o [[lexico:m:mito|mito]] formador da cultura e da [[lexico:h:historia|história]] absorve em si a [[lexico:r:realidade|realidade]] de todo o real, que [[lexico:n:nada|nada]] mais é que sua [[lexico:e:expressao|expressão]], mas também a atuação de Todo o atuante. A verdadeira [[lexico:a:atividade|atividade]] ou [[lexico:p:produtividade|produtividade]], a autêntica [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de [[lexico:c:criacao|criação]] pertence exclusivamente, segundo Otto, à Erscheinung der Gottheit [aparição da divindade]; dela depende o grande [[lexico:a:ato|ato]] criador (no sentido transcendental-projetivo) que desenha todas as formações particulares de uma cultura. Nada que no [[lexico:m:mundo|mundo]] teria demonstrado, através do [[lexico:t:tempo|tempo]], uma tal capacidade criadora ou produtiva, no sentido de [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] do [[lexico:p:possivel|possível]], como das Bild der Göttlichen . A [[lexico:r:revolucao|revolução]] do divino é o [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] originante de uma [[lexico:f:forma|forma]] vital, [[lexico:r:revelacao|revelação]] determinada na acepção frobeniuseana de uma Ergriffenheit. Quando Walter Otto afirma que “no começo está sempre Deus”, não devemos imaginar essa revelação como uma [[lexico:i:ideia|ideia]] subjetiva, um [[lexico:p:pensamento|pensamento]] [[lexico:h:humano|humano]], pois, como vimos, a própria imagem do homem com suas forças e possibilidades é determinada abalio pela Offenbarung do divino. [VFSTM:171-172]