===== DIÁLOGOS PLATÔNICOS ===== Mas por que [[lexico:d:dialogos:start|diálogos]]? Há para isso um [[lexico:m:motivo:start|motivo]] definido: muitos filósofos depois de [[lexico:p:platao:start|Platão]] também deram à sua [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], “more socratico”, a [[lexico:f:forma:start|forma]] de elaborados diálogos, mas nenhum jamais alcançou a altura do início platônico. Uma das respostas para isso pode [[lexico:s:ser:start|ser]] a de que eles escreveram diálogos porque queriam escrever, ao passo que Platão, ao que tudo indica, realmente [[lexico:n:nao:start|não]] queria escrever. A forma dialógica era para Platão, pode-se supor, a saída de um [[lexico:d:dilema:start|dilema]] que surge dolorosamente e de [[lexico:m:modo:start|modo]] quase inevitável com sua [[lexico:c:critica:start|crítica]] à [[lexico:e:escrita:start|escrita]]. [LéxicoPlatão:13] Platão recusou-se sempre terminantemente a escrever sobre os últimos [[lexico:p:principios:start|princípios]]. Entretanto, mesmo em [[lexico:r:relacao:start|relação]] aos temas a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] dos quais considerou que pudesse escrever, buscou sempre evitar conferir-lhes tratamento "[[lexico:s:sistematico:start|sistemático]]", procurando reproduzir o [[lexico:e:espirito:start|espírito]] do [[lexico:d:dialogo:start|diálogo]] [[lexico:s:socratico:start|socrático]], cujas peculiaridades buscava imitar. Tentou reproduzir o [[lexico:j:jogo:start|jogo]] das perguntas e respostas, com todos os meandros da [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], com as fugazes e imprevistas revelações que impulsionam para a [[lexico:v:verdade:start|verdade]] sem, porém, revelá-la, convidando a [[lexico:a:alma:start|alma]] do [[lexico:o:ouvinte:start|ouvinte]] a realizar o seu encontro com ela, com as rupturas dramáticas de [[lexico:s:sequencia:start|sequência]] que preparam para ulteriores investigações: em [[lexico:s:suma:start|suma]], toda aquela [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]] tipicamente socrática estava presente. Nasceu assim o "diálogo socrático", que se tornou um [[lexico:g:genero:start|gênero]] literário específico, adotado por numerosos discípulos de [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] e por filósofos posteriores, gênero cujo inventor foi provavelmente Platão e do qual certamente ele foi o maior representante, ou melhor, o [[lexico:u:unico:start|único]] representante [[lexico:a:autentico:start|autêntico]], porquanto somente em Platão é [[lexico:p:possivel:start|possível]] reconhecer a verdadeira [[lexico:n:natureza:start|natureza]] do filosofar socrático que, nos outros escritores, decai ao nível de mero expediente forçado. Consequentemente, para Platão, o [[lexico:e:escrito:start|escrito]] filosófico apresentava-se como "diálogo", que frequentemente teria Sócrates como [[lexico:p:protagonista:start|protagonista]], discutindo com um ou vários interlocutores, ao lado dos quais surgirá o leitor, com [[lexico:f:funcao:start|função]] igualmente importante, [[lexico:c:chamado:start|chamado]] a participar também como [[lexico:i:interlocutor:start|interlocutor]] absolutamente insubstituível, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] que cabe precisamente ao leitor a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] de extrair maieuticamente a solução dos diversos problemas discutidos. Com base no exposto, é evidente que o Sócrates dos [[lexico:d:dialogos-platonicos:start|diálogos platônicos]] passa de "[[lexico:p:pessoa:start|pessoa]]" histórica a "[[lexico:p:personagem:start|personagem]]" da [[lexico:a:acao:start|ação]] dialógica, a tal [[lexico:p:ponto:start|ponto]] que, para entender Platão, como já [[lexico:b:bem:start|Bem]] observava [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], "não importa indagar sobre o que pertence a Sócrates ou a Platão nos diálogos". Na verdade, Platão realiza sempre, desde o início, uma [[lexico:t:transposicao:start|transposição]] do [[lexico:p:plano:start|plano]] [[lexico:h:historico:start|histórico]] para o plano [[lexico:t:teorico:start|teórico]]: e é nessa [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]] teórica que devem ser lidos todos os escritos platônicos. Assim, o Sócrates dos diálogos, na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], é Platão. E o Platão escrito, pelos [[lexico:m:motivos:start|motivos]] acima aduzidos, deve ser lido levando-se em conta o Platão não escrito. De qualquer forma, constitui [[lexico:e:erro:start|erro]] ler os diálogos como [[lexico:f:fonte:start|fonte]] totalmente "autônoma" do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] platônico, repudiando a [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] indireta. É importante notar que a [[lexico:p:problematica:start|problemática]] da [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] não emerge em Platão apenas no [[lexico:c:cratilo:start|Crátilo]], mas já pelo [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:f:fato:start|fato]] de [[lexico:t:ter:start|ter]] escolhido o diálogo como forma literária para a [[lexico:a:apresentacao:start|apresentação]] de seu pensamento. Hoje, os intérpretes estão divididos a respeito de sua [[lexico:s:significacao:start|significação]]. Qual a relação entre a forma e o conteúdo sistemático da filosofia? A polêmica se exacerbou a partir da [[lexico:q:questao:start|questão]] da relação entre os assim chamados "escritos exotéricos", que teriam como [[lexico:i:intencao:start|intenção]] popularizar o conteúdo de seu pensamento, e os "escritos esotéricos", destinados a especialistas, que conteriam, então, seu pensamento em forma propriamente filosófica e [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]]. Em ambos os casos, volta a questão básica: qual o papel da linguagem na tarefa fundamental da filosofia enquanto "[[lexico:c:ciencia:start|ciência]] dos princípios primeiros". Cf. H. J. Krämer, [[lexico:a:arete:start|arete]] bei Platon und Aristoteles. Zum [[lexico:w:wesen:start|Wesen]] und zur [[lexico:g:geschichte:start|Geschichte]] der platonsichen Ontologie, Heidelberg, 1959. K. Gaiser, Platons ungeschriebene Lehre, 2a ed., Stuttgart, 1968. V. Hösle, Wahrheit und Geschichte. Studien zur Struktur der Philosophiegeschichte unter paradigmatischer Analyse der Entwicklung von Parmenides bis Platon, Stuttgart/Bad-Cannstatt, 1984, pp. 372ss. Essa linha de [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] defende a [[lexico:t:tese:start|tese]] de que a reconstrução da "Exotérica" acadêmica joga nova [[lexico:l:luz:start|luz]] sobre os diálogos e é capaz de esclarecer o [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] [[lexico:p:projeto:start|projeto]] global da filosofía platônica. A respeito da tese contrária, cf. F. Ricken, Philosophie der Antike, Stuttgart, 1988, pp. 102-104. Cf. ainda a respeito: H. J. Krämer, Platone e i fondamenti della metafisica, Milão, 1982. H. G. Gadamer, Idee und Zahl. Studien zur platonischen Philosophie, Heidelberg, 1968. W. Wieland, Platon und die Formen des Wissens, Göttingen, 1982. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}