===== DIALEKTIKE ===== dialektikê: [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] 1. Segundo o [[lexico:t:testemunho:start|testemunho]] de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] a dialética foi uma [[lexico:i:invencao:start|invenção]] de [[lexico:z:zenao:start|Zenão]] de Eleia (D. L. ix, 25), provavelmente para servir de apoio às [[lexico:a:antinomias:start|antinomias]] hipotéticas de [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]] ([[lexico:p:platao:start|Platão]], Parm. 128c). Mas aquilo que era uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de polêmica verbal (o que Platão chamaria «[[lexico:e:eristica:start|erística]]» ou [[lexico:d:disputa:start|disputa]]; [[lexico:v:ver:start|ver]] Soph. 224e-226a, Republica 499a, [[lexico:f:fedro:start|Fedro]], 261c) para os [[lexico:e:eleatas:start|eleatas]], foi transformado por Platão num [[lexico:m:metodo-filosofico:start|método filosófico]] [[lexico:s:superior:start|superior]]. O elo de ligação foi sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] a [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] socrática da [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] e resposta em busca de definições éticas (ver Platão, [[lexico:f:fedon:start|Fédon]] 75d, 78d; [[lexico:x:xenofonte:start|Xenofonte]], Mem. I, 1, 16; e [[lexico:e:elenchos:start|elenchos]]), uma técnica que Platão explicitamente descreve como dialética (Crát. 390c). Com a hipostasiação das definições soeráticas nos eide platônicos (talvez refletida na transição do Fédon 99d-100a para ibid. 101d; ver [[lexico:e:eidos:start|eidos]]) o papel da dialética torna-se central e coroa o curriculum [[lexico:i:ideal:start|ideal]] descrito na [[lexico:r:republica:start|República]]: depois de dez anos dedicado à [[lexico:m:matematica:start|matemática]] o [[lexico:f:futuro:start|futuro]] [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] dedicará os anos entre os trinta e os trinta e cinco ao [[lexico:e:estudo:start|estudo]] da dialética (Republica 531d-534e, 537b-539e). 2. [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] a dialética? A pergunta [[lexico:n:nao:start|não]] é fácil visto que Platão, como de [[lexico:c:costume:start|costume]], pensou nela de várias maneiras. Há o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista do Fédon e da República que considera a dialética como uma ascensão progressivamente mais sinóptica, através de uma [[lexico:s:serie:start|série]] de «posições» (hypotheseis; a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] das Formas é uma delas no Fédon 100b), até que se alcança uma suprema (Fédon l0ld, Republica 511e). Na República, onde o contexto da [[lexico:d:discussao:start|discussão]] é confessadamente [[lexico:m:moral:start|moral]], este «[[lexico:p:principio:start|princípio]] an-hipotético» é identificado com o [[lexico:b:bom:start|Bom]] em si (auto to [[lexico:a:agathon:start|agathon]]; Republica 532 a-b) que inclui em si [[lexico:p:proprio:start|próprio]] todas as [[lexico:h:hipoteses:start|hipóteses]] inferiores (ibid. 533c-d). 3. Se a dialética do Fédon e da República pode [[lexico:s:ser:start|ser]] descrita como «sinóptica» (Republica 537c), a que surge do Fedro em diante é decididamente «diacrítica» (ver Soph. 226c, 253d). É apresentada no Fedro 265c-266b (confrontar Soph. 253d-e) e consiste em dois processos diferentes, «reunião» ([[lexico:s:synagoge:start|synagoge]]) e «[[lexico:d:divisao:start|divisão]]» ([[lexico:d:diairesis:start|diairesis]]), sendo o segundo [[lexico:p:processo:start|processo]] em [[lexico:p:particular:start|particular]] amplamente ilustrado em [[lexico:d:dialogos:start|diálogos]] subsequentes tais como: o [[lexico:s:sofista:start|sofista]], [[lexico:p:politico:start|Político]] e [[lexico:f:filebo:start|Filebo]]. A dialética primitiva aparecia [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] às operações do [[lexico:e:eros:start|Eros]], mas aqui somos transportados para um [[lexico:m:mundo:start|mundo]] quase aristotélico de [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] através da divisão: a ascensão foi substituída pela descida. Enquanto é manifesto que aqui é ainda com realidades ontológicas que lidamos, é de igual [[lexico:m:modo:start|modo]] evidente que foi [[lexico:d:dado:start|dado]] um passo [[lexico:c:crucial:start|crucial]] ao longo da estrada que conduz a uma [[lexico:l:logica:start|lógica]] conceptual. O [[lexico:t:termo:start|termo]] da diairesis é aquele eidos que se situa imediatamente acima dos particulares sensíveis (Soph. 229d), e, enquanto este é «realmente [[lexico:r:real:start|real]]» (ontos on) no [[lexico:e:esquema:start|esquema]] platônico das [[lexico:c:coisas:start|coisas]], é significativo que o mesmo processo, diairesis, termina em Aristóteles no [[lexico:a:atomon:start|atomon]] eidos, a ínfima [[lexico:s:species:start|species]] numa descida lógica ([[lexico:d:de-anima:start|De anima]] II, 414b); ver diairesis. 4. Aristóteles abandona o papel [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] central dado à dialética na República de Platão; em vez disso, está interessado nas [[lexico:o:operacoes-do-espirito:start|operações do espírito]] que culminam na [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] ([[lexico:a:apodeixis:start|apodeixis]]). A dialética não é estrita demonstração (Anal. pr. I, 24ajb; Top. I, 100a-b), pois não começa a partir das premissas que são verdadeiras e primárias, mas sim a partir das opiniões (endoxa) que são aceites pela maioria ou pelos sábios. A [[lexico:i:ironia:start|ironia]] desta [[lexico:d:distincao:start|distinção]] está em que o próprio processo de Aristóteles consiste frequentemente naquilo que ele descreveu como «dialético» (ver [[lexico:e:endoxon:start|endoxon]]). Mas como teorizador, Aristóteles tem pouco [[lexico:a:amor:start|amor]] pela dialética (of. De [[lexico:a:anima:start|anima]] r, 403a; Top. 105b), e sugere na [[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]] 987b que ela, ou melhor a confusão entre o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] e a [[lexico:r:realidade:start|realidade]], pode [[lexico:t:ter:start|ter]] sido uma [[lexico:d:destruicao:start|destruição]] feita por Platão. 5. Para os estoicos a dialética é reduzida à lógica, i. e., ao estudo das formas do [[lexico:d:discurso:start|discurso]] [[lexico:e:externo:start|externo]] e interno (D. L. VII, 43; cf. [[lexico:l:logos:start|Logos]], [[lexico:o:onoma:start|onoma]]), enquanto que simultaneamente alargam o seu [[lexico:c:campo:start|campo]] até abarcar a ótica e mesmo a [[lexico:f:fisica:start|física]] (ibid. VII, 46, 83). Daqui resulta que a lógica já não é um [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] ([[lexico:o:organon:start|Organon]]) da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] tal como foi compreendida pela [[lexico:e:escola-peripatetica:start|escola peripatética]] (a reunião dos tratados lógicos num Organon é pós-aristotélica, embora Aristóteles certamente previsse o papel propedêutico dos [[lexico:a:analiticos:start|Analíticos]]; cf. Metafísica 1005b). 6. A reabilitação da dialética no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] platônico foi levada a cabo por [[lexico:p:plotino:start|Plotino]] ([[lexico:e:eneadas:start|Eneadas]] I, 3). É uma vez mais, como na República, uma aproximação cognitiva dos inteligíveis (ver [[lexico:n:noesis:start|noesis]]), mas com evidentes tonalidades estóicas; a dialética é uma [[lexico:e:educacao:start|educação]] para a [[lexico:v:virtude:start|virtude]] e assim inclui tanto as [[lexico:a:acoes:start|ações]] e os objetos como os noeta. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}