===== DESCONSTRUCIONISMO ===== Para compreendermos toda a [[lexico:d:discussao|discussão]] em torno daquilo que se apresentou, na [[lexico:l:linguagem|linguagem]] neo-estruturalista de Derrida, como [[lexico:d:desconstrucao|desconstrução]], [[lexico:n:nao|não]] podemos ficar retidos no [[lexico:p:paradigma|paradigma]] estruturalista. Estamos diante de duas direções e [[lexico:h:hipoteses|hipóteses]] que vêm sugeridas pelo desconstrucionismo. De um lado, está fora de [[lexico:d:duvida|dúvida]] que o [[lexico:p:problema|problema]] se apresentava nas análises da [[lexico:e:estrutura|estrutura]]. Ela podia apresentar-se como [[lexico:l:linguistica|linguística]], antropológica ou cultural e diante desses diversos aspectos da estrutura se fazia necessária uma via que levasse para [[lexico:a:alem|além]] da estrutura. Por [[lexico:e:esse|esse]] primeiro [[lexico:c:caminho|caminho]], a desconstrução possui uma [[lexico:v:vocacao|vocação]] anti- estruturalista e podemos observar em Derrida uma proposta de [[lexico:p:por|pôr]] em [[lexico:m:movimento|movimento]] a estrutura por [[lexico:m:meio|meio]] da decomposição, da dessedimentação e da desmontagem. O [[lexico:m:modelo|modelo]] da desconstrução era certamente tirado do [[lexico:u:universo|universo]] linguistico, mas tinha como direção expor as camadas de [[lexico:s:sentido|sentido]] escondidas por baixo das [[lexico:p:palavras|palavras]], dos [[lexico:c:conceitos|conceitos]] e dos conjuntos vocabulares, sobretudo nos textos. Esse desconstrucionismo volta-se contra as estruturas fonocêntricas e logocêntricas representativas da [[lexico:p:presenca|presença]] de uma [[lexico:r:razao|razão]] [[lexico:l:logica|lógica]] onipotente. Assim [[lexico:c:como-se|como se]] apresentou, no início, o [[lexico:p:processo|processo]] de desconstrução não pretendia [[lexico:s:ser|ser]] um [[lexico:m:metodo|método]], nem uma [[lexico:e:especie|espécie]] de movimento contra as estruturas do [[lexico:m:mundo|mundo]] acadêmico. No processo da desconstrução estava presente um movimento oposto à [[lexico:t:tendencia|tendência]] de universalização que se mostrava em cada [[lexico:d:discurso|discurso]]. Nesse sentido, ela possuí um [[lexico:c:carater|caráter]] irredutivelmente [[lexico:s:singular|singular]] que se volta para a [[lexico:s:singularidade|singularidade]] do [[lexico:t:texto|texto]]. A desconstrução trazia em si uma radical arbitrariedade, muito mais próxima de um certo [[lexico:j:jogo|jogo]] aleatório a partir de um texto que se escreve e se lê. Ela constituía um processo divinatório aproximativo, resistente a regras que pudessem dirigir a [[lexico:i:interpretacao|interpretação]]. A desconstrução se apresentaria como uma [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] dos [[lexico:e:elementos|elementos]] que não podiam ser atendidos pelos recursos da interpretação tradicional. Nesse sentido desconstrução se confrontava com o que representa o texto, a escritura, o [[lexico:s:signo|signo]], a [[lexico:s:sintaxe|sintaxe]], a [[lexico:g:gramatica|gramática]] e todos os [[lexico:c:corpus|corpus]] que pretendiam garantir a [[lexico:i:inteligibilidade|inteligibilidade]] e a universalidade por meio de regras. Desconstrução possuía, assim, nesse primeiro sentido, uma espécie de [[lexico:p:profundo|profundo]] caráter de [[lexico:e:exterioridade|exterioridade]]. A desconstrução procurava apresentar-se com uma determinada procedência ou como tendo uma [[lexico:o:origem|origem]] histórica. É assim que a desconstrução recorreu ao universo da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]. Podemos observar em Derrida um apelo às [[lexico:o:origens|origens]] husserlianas mediante a incorporação do sentido de Abbau, como dessedimentação de camadas de sentido. De [[lexico:o:outro|outro]] lado, Derrida recorre ao [[lexico:t:termo|termo]] Destruktion que [[lexico:h:heidegger|Heidegger]] utiliza no [[lexico:c:comeco|começo]] de [[lexico:s:ser-e-tempo|Ser e Tempo]]. Naturalmente a [[lexico:t:traducao|tradução]] dessas duas palavras se faria por intermédio do termo desconstrução. Poderia [[lexico:r:representar|representar]] primeiro apenas um expediente para garantir uma origem filosófica para um [[lexico:c:conceito|conceito]] que nascera no contexto linguístico, estruturalista. Assim como na [[lexico:c:critica|crítica]] ao [[lexico:e:estruturalismo|estruturalismo]] o conceito de desconstrução representava um movimento contra uma [[lexico:t:tradicao|tradição]] que se firmara a partir de teorias linguísticas, assim também o recurso ao conceito de [[lexico:d:destruicao|destruição]] em Heidegger iria trazer para a [[lexico:t:teoria|teoria]] da desconstrução uma crítica voltada contra a [[lexico:m:metafisica|metafísica]]. Desse [[lexico:m:modo|modo]] se encontraram duas direções críticas. Uma no interior das discussões sobre linguística, as [[lexico:r:relacoes|relações]] entre significante e [[lexico:s:significado|significado]], e a outra no contexto de uma teoria do encobrimento do ser na [[lexico:h:historia|história]] da metafísica. Esse segundo [[lexico:a:aspecto|aspecto]] trouxe para a teoria da desconstrução uma [[lexico:j:justificacao|justificação]] filosófica de caráter [[lexico:h:historico|histórico]] e [[lexico:o:ontologico|ontológico]]. A desconstrução em [[lexico:g:geral|geral]] não poderia ser apenas um [[lexico:a:ato|ato]] ou uma [[lexico:o:operacao|operação]] de um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] que propunha um novo dispositivo para enfrentar um texto ou uma [[lexico:l:leitura|leitura]]. Pelo contrário, pela Filosofia, a desconstrução iria se inserir num [[lexico:t:todo|todo]] maior que vê, na metafísica logocentrista, uma história do [[lexico:e:esquecimento|esquecimento]] do ser. Desse modo, a [[lexico:t:tarefa|tarefa]] de desconstruir um texto estava ligada a um [[lexico:a:acontecimento|acontecimento]] no qual se dá “a clausura do [[lexico:s:saber|saber]] e a disseminação do sentido”. Surgia, dessa maneira, uma [[lexico:h:hipotese|hipótese]] de [[lexico:t:trabalho|trabalho]] crítico que pretendia possuir origens semelhantes à [[lexico:h:hermeneutica|hermenêutica]] filosófica, movendo-se, no entanto, em direção oposta. A origem comum que liga desconstrução e hermenêutica apresenta apenas uma face. Esta tomou [[lexico:f:forma|forma]] em ambas quando essas já existiam, pela procedência de seu trabalho com o texto, a [[lexico:e:escrita|escrita]] e a linguagem. O universo em que se movimenta Derrida, contudo, para chegar ao conceito de desconstrução, é o da tradição estruturalista e linguística francesa, enquanto a hermenêutica, assim como é apresentada por Gadamer, nasce no contexto do [[lexico:r:romantismo|Romantismo]] alemão e das teorias da linguagem e da interpretação. Certamente, tanto a desconstrução quanto a hermenêutica têm como um de seus objetivos ir para além do [[lexico:u:universalismo|universalismo]] logocêntrico. Em ambas pode-se observar a busca da singularidade do texto, seja pelo ato de desconstruir, seja pelo ato de interpretar. O modo como as duas direções se situam com [[lexico:r:relacao|relação]] à linguagem, contudo, é profundamente diferente. Isso acontece mesmo que ambos tenham encontrado, na [[lexico:i:ideia|ideia]] heideggeriana da destruição da [[lexico:o:ontologia|ontologia]] e da história do ser como esquecimento, uma espécie de [[lexico:l:lugar|lugar]] histórico-ontológico, que lhes deveria garantir uma espessura filosófica. Sem dúvida, encontramos na [[lexico:r:raiz|raiz]] heideggeriana comum ao desconstrucionismo e à hermenêutica o [[lexico:p:ponto|ponto]] de convergência que hoje os aproxima, sob certos ângulos, na discussão filosófica. Os efeitos que resultam das duas posições ao se confrontarem com a [[lexico:h:historia-da-filosofia|história da Filosofia]], porém, não são os mesmos e representam o [[lexico:s:sintoma|sintoma]] de algo profundamente diferente. A [[lexico:a:analise|análise]] dessa [[lexico:d:diferenca|diferença]] é que nos irá permitir a [[lexico:c:compreensao|compreensão]] das possibilidades e dos limites das duas teorias. [ErStein2008:137-139]