===== DESCARTES ===== René Descartes (Cartesius, falecido em 1650), pondo em [[lexico:d:duvida|dúvida]], por [[lexico:m:meio|meio]] de sua "dúvida [[lexico:m:metodica|metódica]]", todos os fatos e verdades, com [[lexico:e:excecao|exceção]] da só [[lexico:p:proposicao|proposição]] "[[lexico:c:cogito|cogito]], ergo sum", foi, antes de mais [[lexico:n:nada|nada]], um desbravador de novos caminhos no domínio da [[lexico:c:critica|crítica]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. Partindo daquela proposição, ainda hoje discutível em seu [[lexico:s:significado|significado]], Descartes propôs-se reconstruir [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:u:universo|universo]] mediante o [[lexico:c:criterio|critério]] nela posto à [[lexico:p:prova|prova]], a [[lexico:s:saber|saber]]: as percepções claras e distintas [[lexico:n:nao|não]] podem [[lexico:s:ser|ser]] falsas. Assim, conhecemos nossa [[lexico:a:alma|alma]] como [[lexico:s:substancia|substância]] imaterial, cuja [[lexico:e:essencia|essência]] é o [[lexico:p:pensamento|pensamento]]; conhecemos outrossim a [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]] pela mera consideração do seu [[lexico:c:conceito|conceito]] que inclui clara e distintamente a [[lexico:e:existencia|existência]] — as outras duas [[lexico:p:provas-da-existencia-de-deus|provas da existência de Deus]] são menos características — e conhecemos, por [[lexico:u:ultimo|último]], a existência do [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:e:externo|externo]], que nos é garantida pela [[lexico:v:veracidade|veracidade]] de [[lexico:d:deus|Deus]], o qual não pode permitir que nossa [[lexico:t:tendencia|tendência]] [[lexico:n:natural|natural]] para admitir um mundo corpóreo nos iluda. — Em sua [[lexico:a:antropologia|antropologia]], Descartes prescinde completamente do [[lexico:f:fato|fato]] da [[lexico:r:relacao|relação]] mútua existente entre alma e [[lexico:c:corpo|corpo]], quando arvora o pensamento em [[lexico:e:essencia-da-alma|essência da alma]] e volatiliza na pura [[lexico:e:extensao|extensão]] a essência do corpo, dotado de uma só [[lexico:a:atividade|atividade]] que consiste no [[lexico:m:movimento|movimento]] local. .Não existe, por conseguinte, [[lexico:u:uniao|união]] íntima entre a alma e o corpo; a alma habita no corpo como numa [[lexico:m:maquina|máquina]] ou num [[lexico:a:automato|autômato]]. O corpo é mantido na [[lexico:v:vida|vida]] pelo "calor vital", que tem sua sede no [[lexico:c:coracao|coração]], ao passo que a alma se encontra localizada na glândula pineal. Não havendo nenhuma [[lexico:i:influencia|influência]] recíproca entre alma e corpo, a alma não recebe do mundo [[lexico:s:sensivel|sensível]] seus [[lexico:c:conceitos|conceitos]], mas possui [[lexico:i:ideias|ideias]] "inatas", ou seja, produzidas [[lexico:p:por-si|por si]] mesma, servindo a [[lexico:e:experiencia|experiência]] externa de mera [[lexico:c:causa|causa]] ocasional. Por sua [[lexico:e:epistemologia|epistemologia]], Descartes tornou-se o pai da [[lexico:m:moderna|moderna]] crítica subjetivista do conhecimento; seu [[lexico:o:ocasionalismo|ocasionalismo]] encontrou [[lexico:e:expressao|expressão]] exacerbada em [[lexico:m:malebranche|Malebranche]] ([[lexico:o:ontologismo|ontologismo]]); seu [[lexico:m:metodo|método]] racionalista foi continuado por [[lexico:s:spinoza|Spinoza]] e [[lexico:l:leibniz|Leibniz]]; e, acima de tudo, sua concepção mecanicista da [[lexico:n:natureza|natureza]] passou a fazer [[lexico:p:parte|parte]] da moderna cosmovisão, a qual sem dúvida, em tempos muito recentes, associou ao movimento a [[lexico:f:forca|força]] [[lexico:i:imanente|imanente]] às [[lexico:c:coisas|coisas]] ou até constitutiva [[lexico:b:bacon|Bacon]] foi um anunciador, Descartes um revelador. E não vai exagero na expressão. Com este francês o mundo entrou num [[lexico:c:caminho|caminho]] novo quanto à [[lexico:o:orientacao|orientação]] do pensamento, e as consequências foram e ainda são incalculáveis. Quando se considera um pouco mais de perto a [[lexico:f:figura|figura]] de Descartes, que à primeira vista não parece muito simpática, fica-se surpreendido, ao invés, por descobrir nela tão [[lexico:s:singular|singular]] atração. É que foi um [[lexico:h:homem|homem]] devotado de [[lexico:c:corpo-e-alma|corpo e alma]] ao [[lexico:o:objetivo|objetivo]] mais nobre que a existência terrestre nos possa propor: a busca da [[lexico:v:verdade|verdade]]. Vitam impendere [[lexico:v:vero|vero]]: esta divisa lhe convinha muito mais do que a [[lexico:r:rousseau|Rousseau]], que não receou adotá-la. Animado pelo [[lexico:d:desejo|desejo]], pela [[lexico:p:paixao|paixão]] de conhecer, retirou-se do mundo para satisfazê-la e, embora houvesse passado pela [[lexico:s:sociedade|sociedade]] a [[lexico:f:fim|fim]] de observá-la, desviou-se das honrarias e da [[lexico:g:gloria|glória]], sem desdenhá-las todavia quando o procuravam e não lhe causavam embaraços. Tão ardente [[lexico:c:curiosidade|curiosidade]] não foi apenas de [[lexico:o:ordem|ordem]] especulativa. Uma das razões que o levaram a insurgir-se contra a [[lexico:e:escola|escola]] antiga foi o desprezo que esta votava às ciências da natureza, afirmando que delas nenhum resultado ou proveito se podia tirar. Descartes entendia penetrar os segredos da natureza não somente para desvendá-los, mas também para utilizá-la e submetê-la. Era o mesmo objetivo de Bacon e continua ainda a ser o nosso. O pensador, contudo, não se restringia a ele e no fundo foi o pensamento que constituiu sempre o alvo principal do seu [[lexico:e:estudo|estudo]]. Este duplo [[lexico:a:aspecto|aspecto]] [[lexico:t:teorico|teórico]] e [[lexico:p:pratico|prático]] do seu [[lexico:e:espirito|espírito]] já o explica, como também lhe explica a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]; foi ainda a [[lexico:v:vocacao|vocação]] de Descartes que lhe formou o [[lexico:c:carater|caráter]]. Não foi em [[lexico:a:absoluto|absoluto]] um homem intratável que vivesse à margem dos outros homens. Cultivou a [[lexico:a:amizade|amizade]] e, se [[lexico:b:bem|Bem]] que ignoremos tudo da sua vida [[lexico:s:sentimental|sentimental]], sabe-se que teve uma filha ilegítima. Mostrou [[lexico:v:virtudes|virtudes]] e facetas agradáveis, como também mostrou caprichos e acessos de selvageria. O notável é que era ainda a sua carreira de [[lexico:s:sabio|sábio]] que os ditava. Conheceu e desconheceu [[lexico:p:pascal|Pascal]], e pressente-se entre ambos a rivalidade. Teve profunda estima por [[lexico:m:mersenne|Mersenne]], um amigo de verdade e um jactotum muito serviçal. Defendeu-se com galhardia contra os seus adversários da Holanda e de outras terras. Enfim, o retiro em que se enclausurou tão cedo, as precauções de que se cercava, a [[lexico:p:prudencia|prudência]] com que avançava — larvatus prodeo — os cuidados que tomava para evitar a [[lexico:s:sorte|sorte]] de um Galileu, tudo isso manifesta a [[lexico:c:consciencia|consciência]] clara de uma existência a ser vivida, de uma [[lexico:o:obra|obra]] a realizar, de uma [[lexico:p:preocupacao|preocupação]] [[lexico:s:superior|superior]] a que se devem subordinar todas as demais preocupações. Um sábio, em [[lexico:s:suma|suma]]. E é bem [[lexico:p:possivel|possível]] que tudo quanto se deve dizer acerca do seu caráter esteja resumido nestas [[lexico:p:palavras|palavras]] de Baillet, o biógrafo que lhe esboçou um [[lexico:r:retrato|retrato]] escassamente idealizado e sem dúvida o mais [[lexico:p:proximo|próximo]] do original: "...uma das máximas principais que prescrevera para a orientação da sua vida era a de procurar antes vencer a [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] do que à [[lexico:f:fortuna|fortuna]] e mudar antes os seus desejos do que a ordem do mundo". Este [[lexico:t:texto|texto]] se encontra, aliás, no [[lexico:d:discurso|discurso]] do método. Nasceu no ano de 1596 em La Haye, na Turena, e tinha ascendentes oriundos do Poitou. Fez os seus estudos no colégio dos jesuítas de La Flèche; o que foram esses estudos e a [[lexico:i:impressao|impressão]] que deles guardou, sabemo-lo por ele mesmo através da autobiografia intelectual que é o Discurso do método. Aprendeu filosofia com [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] e o horror que este lhe infundiu acabou por assumir a feição de um ódio [[lexico:p:pessoal|pessoal]]. Isto se compreende. Uma [[lexico:e:escolastica|escolástica]] degenerada já não lembrava sequer o [[lexico:v:valor|valor]] e a [[lexico:g:grandeza|grandeza]] da escolástica, e a igreja cometera o [[lexico:e:erro|erro]] de converter [[lexico:s:simples|simples]] questões de [[lexico:f:fisica|física]] em questões de [[lexico:d:dogma|dogma]]. No [[lexico:t:tempo|tempo]] de Galileu pretendia-se impor pela força, em [[lexico:a:astronomia|astronomia]], o [[lexico:s:sistema|sistema]] de Ptolomeu. Um [[lexico:g:genio|gênio]] como o de Descartes, [[lexico:a:aberto|aberto]] à livre [[lexico:o:observacao|observação]] das [[lexico:a:atividades|atividades]] do espírito e da natureza, não podia fazer outra [[lexico:c:coisa|coisa]] senão revoltar-se. Fê-lo com prudência, como dissemos acima, e não se revelando senão paulatinamente, mas de maneira irrevogável e sem voltar atrás. Continuava entretanto a estudar, pois em 1616 encontramo-lo a cursar [[lexico:d:direito|direito]] em Poitiers e a manusear ainda os livros. Como estes já o não satisfizessem, pensava em passar ao livro do mundo. Teria ele conhecido nessa [[lexico:e:epoca|época]] a vida de sociedade e uma certa dissipação? É o que se tem insinuado, sem provas suficientes. O que nos surpreende é vê-lo engajar-se então na carreira das armas. Talvez como meio de conhecer novas terras? Alistou-se sob as ordens de Maurício de Nassau, na Holanda, e um pouco mais [[lexico:t:tarde|Tarde]] encontrava-se em campanha a serviço do Duque da Baviera. Tomou parte no cerco de Praga e na batalha da Montanha Branca, em 1620. É difícil imaginar, apesar das afirmações de Baillet, que não se tenha batido, pois, como diz Louis Dimier, "não há meio de [[lexico:v:ver|ver]] a [[lexico:g:guerra|guerra]] sem fazê-la" e Descartes era um [[lexico:a:autentico|autêntico]] soldado. Sabemos de outras fontes que possuía [[lexico:c:coragem|coragem]], e ele mesmo [[lexico:f:fala|fala]] de um certo "calor do fígado" que, nesse tempo, o fazia "amar as armas". Tudo isso é bastante [[lexico:e:explicito|explícito]] e significativo. Mas [[lexico:e:esse|esse]] meditativo não esquecia a [[lexico:m:meditacao|meditação]]. Voltou a ela para tornar a encontrar o seu caminho. Já na Alemanha, encerra-se na famosa estufa (entenda-se num quarto bem aquecido) onde procede às suas pesquisas. Teve a sua noite, que não foi, como a de Pascal, uma [[lexico:r:revelacao|revelação]] fulminante, mas em que tomou consciência do seu alvo e dos seus meios. Em 1628, após [[lexico:t:ter|ter]] conduzido essa [[lexico:d:deliberacao|deliberação]] durante perto de dez anos e afastado a [[lexico:i:ideia|ideia]] de qualquer cargo [[lexico:t:temporal|temporal]], fixou-se na Holanda, onde residiu em várias localidades, de preferência no [[lexico:c:campo|campo]]: em Engeest, próximo de Leyde, em Egmond. Não abandonou mais o país, salvo para realizar algumas rápidas viagens e para ir morrer na Suécia, vinte anos mais tarde. Aquilo a que decidira aplicar-se era uma [[lexico:r:reforma|Reforma]] total dos métodos da [[lexico:i:inteligencia|inteligência]], que ele liberava e devolvia a si própria a fim de levá-la a enfrentar plenamente a sua sorte. Chegara a esta conclusão por estudos anteriores, muitas vezes todo especiais; pelas mesmas vias procedia à [[lexico:i:ilustracao|ilustração]] do que descobrira. A glória lhe veio sem que a tivesse procurado — muito ao contrário, apesar de todas as precauções que tomara para evitá-la — com todas as suas importunações, as suas frivolidades e os seus perigos. O homem que se pusera a salvo da igreja católica encontrava a perseguição das seitas luteranas. Defendeu-se aliás muito bem, pondo em campo amigos dedicados e poderosos; respondeu igualmente a outros adversários no [[lexico:p:puro|puro]] terreno da [[lexico:c:ciencia|ciência]] e soube garantir e fazer valer a sua obra, mas sem [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:i:interesse|interesse]] que não o dessa obra, pois não levava absolutamente em consideração a sua [[lexico:p:pessoa|pessoa]]. Cônscio do seu valor e do seu papel, permaneceu humilde, ou melhor: simples, e não lhe faltava nem [[lexico:b:bondade|bondade]] nem paciência, exceção feita de alguns ímpetos de mau [[lexico:h:humor|humor]]. Sua [[lexico:p:personalidade|personalidade]] define-se admiravelmente na preciosa [[lexico:c:correspondencia|correspondência]] com Elisabete, divulgada por Jacques Chevalier sob o título Cartas sobre a [[lexico:m:moral|moral]], e em suas [[lexico:r:relacoes|relações]] com a rainha Cristina. Vemos aí, uma soberana e uma princesa de [[lexico:s:sangue|sangue]] [[lexico:r:real|real]] tratarem de igual para igual com o [[lexico:f:filosofo|filósofo]], a [[lexico:q:quem|quem]] testemunham uma tocante amizade, enquanto ele, sem se apartar das conveniências, lhes fala como a filhas espirituais. O fim é conhecido: Cristina atraindo Descartes a Estocolmo para receber-lhe diretamente as lições e os conselhos, e Descartes, incapaz de resistir às inclemências do clima, falecendo ao cabo de poucos meses, em 11 de março de 1650. Seus restos [[lexico:m:mortais|mortais]] foram trasladados para Paris, onde repousam na igreja de S. Estêvão do Monte. O Discurso do método apareceu em 1636. Era o prefácio de um livro intitulado "[[lexico:e:ensaios|Ensaios]]" e compreendia uma Dióptrica, um Tratado dos meteoros e uma [[lexico:g:geometria|geometria]]. O êxito foi estrondoso. Aliás, tinha sido preparado. A reputação, naquele tempo, precedia os livros e os "curiosos", [[lexico:c:como-se|como se]] dizia, comunicavam uns com os outros e se informavam mutuamente dos seus trabalhos. O conteúdo da obra, por outro lado, era significativo. Descartes fora apreciado até então como homem de ciência. O que afirmava aqui, outrossim, e o que iria confirmar, era a sua [[lexico:q:qualidade|qualidade]] de filósofo. Entretanto, esta não nos deve fazer esquecer a outra, nem tampouco o fato de ter ele sempre apoiado a sua filosofia na experiência e em trabalhos exatos sobre matérias que eram da sua especialidade. Em 1641 veio a lume o complemento ou comentário do Discurso, as Meditações. Escritas em latim, traduziu-as o Duque de Luynes sob a direção e com as correções do autor. Suscitaram objeções que por sua vez provocaram "respostas" dotadas de grande alcance, com as quais se enriqueceu a obra. Controvérsias sobre pontos mais especiais, mas conduzidas num tom singularmente mais vivo e com outros adversários, notadamente o reitor da Universidade de Utrecht, Voetius, induziram Descartes a escrever, de 1642 a 1647, uma Carta ao Pe. Dinet, uma [[lexico:m:mensagem|mensagem]] aos magistrados de Utrecht, uma Carta ao embaixador da França, La Thuillerie, e uma outra Carta a Voetius, em que respondia com muita verve a um pedante. Foi em 1646 que Descartes escreveu para a princesa Elisabete o Tratado das paixões, cuja primeira edição foi publicada em Amsterdão no ano 1649. Um Tratado de [[lexico:m:mecanica|mecânica]], manuscrito, perdeu-se sem deixar vestígios. Sonhara com um tratado do mundo, em que levaria em conta a [[lexico:d:descoberta|descoberta]] de Galileu. Deste tratado extraiu, com prudentes readaptações, os [[lexico:p:principios|Princípios]] de filosofia, que apareceram em 1644. É de todas as suas obras a que menos apreciamos; no entanto, ela completou a consagração do autor em vida. De um [[lexico:d:dialogo|diálogo]] em francês sobre a Busca da verdade pelas luzes naturais só passou à posteridade uma versão latina e as Regula, "Regras para a direção do espírito", igualmente em latim, só viram a [[lexico:l:luz|luz]] em 1701. Como vemos, a obra [[lexico:e:escrita|escrita]] de Descartes não é enorme pela [[lexico:m:massa|massa]]. Representa menos um conjunto [[lexico:s:sistematico|sistemático]] e um monumento do que um pensamento em marcha, desenvolvendo-se, explicando-se e expandindo-se ao sabor das pessoas e das circunstâncias. Não que desconheça o valor da sua contribuição e o objetivo que colima: uma nova maneira de conduzir a inteligência; uma verdade fundada, não já na [[lexico:a:autoridade|autoridade]] ou na [[lexico:o:opiniao|opinião]], mas na [[lexico:c:certeza|certeza]]. E uma vida inteira consagrada unicamente a essa [[lexico:f:finalidade|finalidade]]. Descartes foi um homem que se inclinou, ou melhor que se retesou sobre o seu espírito, sobre o espírito em [[lexico:g:geral|geral]], no [[lexico:e:esforco|esforço]] mais sagaz e mais tenaz que já se envidou para descobrir-lhe o segredo.