===== DEMÓCRITO ===== DEMÓCRITO, [[lexico:f:filosofo|filósofo]] [[lexico:g:grego|grego]] (c. 460 370 a.C.), cujo [[lexico:m:materialismo|materialismo]] e cujo [[lexico:a:atomismo|atomismo]] inspiraram os de [[lexico:e:epicuro|Epicuro]] e de Lucrécio. Concebeu a [[lexico:n:natureza|natureza]] como um perpétuo [[lexico:m:movimento|movimento]] de "átomos", ou partículas indivisíveis e eternas, cujas combinações produziriam os mais diversos corpos. Mesmo o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] que temos das [[lexico:c:coisas|coisas]], seria devido à emissão, pelos objetos, de [[lexico:s:substancias|substâncias]] muito finas que atuariam sobre nossos sentidos. Demócrito foi considerado o precursor da [[lexico:t:teoria|teoria]] atômica. (V. otomismo.) Demócrito de Abdera, na Trácia, fundador — com Leucipo — da teoria atomista, viveu no século V e significou, sobretudo no [[lexico:f:fim|fim]] de sua longa [[lexico:v:vida|vida]], uma prefiguração do "[[lexico:s:sabio|sábio]]" que iria dominar na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] e na vida grega da [[lexico:e:epoca|época]] helenística. Para a [[lexico:f:fisica|física]] materialista de Demócrito, tudo, inclusive a [[lexico:a:alma|alma]], compõe-se de átomos, partículas materiais indivisíveis, que se reúnem e separam em [[lexico:v:virtude|virtude]] de um movimento [[lexico:m:mecanico|mecânico]]. É conhecida a ampla difusão desta doutrina no [[lexico:e:epicurismo|epicurismo]], e sua [[lexico:e:exposicao|exposição]] poética no poema de Tito Lucrécio Caro, De rerum natura. Em Demócrito, a [[lexico:v:visao|visão]] do [[lexico:h:homem|homem]] apresenta-se sobretudo de um [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista [[lexico:m:moral|moral]], como [[lexico:p:preocupacao|preocupação]] pela [[lexico:f:felicidade|felicidade]]. [[lexico:s:socrates|Sócrates]] está [[lexico:p:proximo|próximo]]. "A felicidade e a infelicidade estão na alma." (Fr. 170) "A felicidade [[lexico:n:nao|não]] reside na [[lexico:p:posse|posse]] de rebanhos ou de ouro, e sim que a alma seja a residência de um [[lexico:e:espirito|espírito]] feliz." (Fr. 171) "A [[lexico:a:arte|arte]] do médico [[lexico:c:cura|cura]] as enfermidades do [[lexico:c:corpo|corpo]], mas a [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]] liberta a alma das paixões." (Fr. 31) "[[lexico:q:quem|quem]] escolhe os [[lexico:b:bens|bens]] da alma, escolhe o [[lexico:d:divino|divino]]; quem escolhe os do corpo, o [[lexico:h:humano|humano]]." (Fr. 37) Demócrito faz a felicidade radicar na alma; dentro de sua concepção materialista, não se pode [[lexico:p:pensar|pensar]] em uma [[lexico:o:oposicao|oposição]] corpo-alma comparável à que se pode estabelecer entre [[lexico:e:espirito-e-materia|espírito e matéria]]; nele, trata-se mais de dois [[lexico:p:principios|princípios]] de vida: [[lexico:v:viver|viver]] segundo o corpo, isto é, segundo os bens sensíveis, ou segundo a alma, o mais propriamente [[lexico:p:pessoal|pessoal]] e humano no homem. A [[lexico:d:disjuncao|disjunção]] entre dois [[lexico:m:modos-de-vida|modos de vida]] está claramente apontada. Também a desvalorização das paixões, assimiladas às enfermidades, e, portanto, a [[lexico:t:tendencia|tendência]] ao [[lexico:i:ideal|ideal]] de serenidade e [[lexico:i:imperturbabilidade|imperturbabilidade]], de "[[lexico:a:apatheia|apatheia]]" ou "[[lexico:a:apatia|apatia]]", que irá definir o sábio da época alexandrina. Sobre Demócrito pode-se consultar: P. [[lexico:n:natorp|Natorp]]: Die Ethika des Demokritos. Text und Untersuchungen (Marburg, 1893); A. Dyroff: Demokritstudien. (Munchen, 1899) [Julián Marías]