===== CRÍTICA DA RAZÃO HISTÓRICA ===== A [[lexico:o:obra:start|obra]] de Wilhelm [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]] (1833-1911) representa uma articulada e tenaz tentativa de construção de "[[lexico:c:critica-da-razao-historica:start|crítica da razão histórica]]". Em outros termos, a [[lexico:i:intencao:start|intenção]] de Dilthey é a de fundamentar a [[lexico:v:validade:start|validade]] das [[lexico:c:ciencias-do-espirito:start|ciências do espírito]] (Geisteswissenschaften). Contrário à [[lexico:f:filosofia-da-historia:start|filosofia da história]] de [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], ele também é avesso ao [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]], que reduz o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:h:historico:start|histórico]] à [[lexico:n:natureza:start|natureza]] ao pretender aplicar ao mundo histórico o [[lexico:e:esquema:start|esquema]] causal-determinista, que, para Dilthey, só é válido para a natureza. E, embora Dilthey esteja de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com os neocriticistas em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao "[[lexico:r:retorno:start|retorno]] a [[lexico:k:kant:start|Kant]]", ele pretende levar a [[lexico:p:problematica:start|problemática]] do [[lexico:c:criticismo:start|criticismo]] ao interior das ciências histórico-sociais, que tratam de homens que [[lexico:n:nao:start|não]] são apenas [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], mas também [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] e [[lexico:v:vontade:start|vontade]]. Dilthey, portanto, pretendeu concluir uma "[[lexico:c:critica:start|crítica]] da [[lexico:r:razao:start|razão]] histórica". E não devemos de [[lexico:m:modo:start|modo]] algum esquecer que ele [[lexico:p:proprio:start|próprio]] foi historiador, como atestam os seus trabalhos [[lexico:v:vida:start|vida]] de [[lexico:s:schleiermacher:start|Schleiermacher]] (1867-1870), A [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] da vida no [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]] e na [[lexico:r:reforma:start|Reforma]] (1891-1900), A [[lexico:h:historia:start|história]] do jovem Hegel (1905-1906), [[lexico:e:experiencia:start|Experiência]] vivida e [[lexico:p:poesia:start|poesia]] (sobre o [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]], 1905) e As três épocas da [[lexico:e:estetica:start|estética]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]] (1892). Já na Introdução às ciências do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] (que é de 1883), Dilthey sustentava que as ciências da natureza e as ciências do espírito se diferenciam antes de mais [[lexico:n:nada:start|nada]] por seu [[lexico:o:objeto:start|objeto]]. O objeto das ciências da natureza constituem-no os fenômenos externos ao [[lexico:h:homem:start|homem]], ao passo que as ciências do espírito estudam o mundo das [[lexico:r:relacoes:start|relações]] entre os indivíduos, mundo do qual o homem tem [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] imediata. A [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] dos objetos de [[lexico:e:estudo:start|estudo]] implica na diferença gnosiológica: é a [[lexico:o:observacao:start|observação]] externa que nos dá os dados das ciências naturais, ao passo que é a observação interna, isto é, o [[lexico:e:erlebnis:start|Erlebnis]] (experiência vivida), que nos dá os dados das ciências do espírito. E também são diferentes as [[lexico:c:categorias:start|categorias]] ou [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] de que se servem as [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] do espírito: as categorias de [[lexico:s:significado:start|significado]], [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]], [[lexico:v:valor:start|valor]] e assim por diante não pertencem às ciências da natureza. Escreve Dilthey: "Nós compreendemos os fatos sociais do interior: é-nos [[lexico:p:possivel:start|possível]] reproduzi-los até certo [[lexico:p:ponto:start|ponto]] em nós, baseando-nos na observação dos nossos próprios estados; e, intuindo-os, acompanhamos a [[lexico:r:representacao:start|representação]] do mundo histórico com o [[lexico:a:amor:start|amor]] e o ódio, com toda a gama dos nossos afetos. A natureza, porém, é muda para nós (...). A natureza nos é estranha. Ela é para nós algo de [[lexico:e:externo:start|externo]], não de interior. A [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] é o nosso mundo". E [[lexico:e:esse:start|esse]] mundo [[lexico:h:humano:start|humano]], que tem o seu centro no [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], se configura — através das relações dos indivíduos — em sistemas de [[lexico:c:cultura:start|cultura]] e de organizações sociais que possuem [[lexico:e:existencia:start|existência]] histórica. A [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] do mundo humano é estrutura histórica. Nas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] para uma [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] descritiva e [[lexico:a:analitica:start|analítica]] (1894) e nas Contribuições ao estudo da [[lexico:i:individualidade:start|individualidade]] (1895-1896), Dilthey enfrenta respectivamente o [[lexico:p:problema:start|problema]] da psicologia analítica (diferente da psicologia explicativa de [[lexico:t:tipo:start|tipo]] possitivista) como [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] das outras ciências do espírito e o problema da relação entre uniformidade e identificação histórica: as ciências do espírito estudam tanto as leis e a uniformidade dos fenômenos como os acontecimentos em sua [[lexico:s:singularidade:start|singularidade]] e o "tipo" tem a [[lexico:f:funcao:start|função]] de ligar esses dois opostos. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, neste [[lexico:u:ultimo:start|último]] [[lexico:e:escrito:start|escrito]], Dilthey parece persuadido de que o Erlebnis não pode [[lexico:s:ser:start|ser]] considerado como fundamento exclusivo das ciências do espírito: a experiência interna deve ser integrada com o Verstehen (entender), que é reviver (Nacherleben) e reproduzir (Nachbilden), porque só assim se terá a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] dos outros indivíduos. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}