===== CRÍTICA AO DUALISMO ===== Face à [[lexico:e:explicacao|explicação]] mecanicista do psiquismo, encontrava [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] a doutrina, de que um dia participou, do [[lexico:d:dualismo|dualismo]] platônico das [[lexico:s:substancias|substâncias]]. Se a [[lexico:a:alma|alma]] [[lexico:n:nao|não]] pode [[lexico:s:ser|ser]] confundida com os [[lexico:e:elementos|elementos]] corporais ou com seu [[lexico:c:comportamento|comportamento]], não se poderia então dizer que é uma [[lexico:e:entidade|entidade]] espiritual separada do [[lexico:c:corpo|corpo]] e cuja [[lexico:a:acao|ação]] sobre este se exerceria do [[lexico:e:exterior|exterior]], como a ação de um motor? "[[lexico:p:platao|Platão]] e os que o seguiram pretenderam que a alma intelectiva não é unida ao corpo como a [[lexico:f:forma|forma]] à [[lexico:m:materia|matéria]], mas somente como um motor ao [[lexico:m:movel|móvel]]; diziam que a alma está no corpo como um piloto no navio, e que não havia [[lexico:u:uniao|união]] entre a alma e o corpo somente por um contato de [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:d:dinamica|dinâmica]]". Cont. Gentil. II, c. 57 Entre os numerosos argumentos colocados pela [[lexico:c:critica|crítica]] aristotélica para rechaçar a [[lexico:f:formula|fórmula]] dualista do [[lexico:h:homem|homem]], dois parecem [[lexico:t:ter|ter]] sido decisivos: 1. Se alma e corpo constituem cada qual uma [[lexico:u:unidade|unidade]] [[lexico:s:substancial|substancial]] autônoma, não se vê como, de sua [[lexico:a:associacao|associação]], possa resultar uma verdadeira unidade de ser. Nesta [[lexico:h:hipotese|hipótese]], só se pode [[lexico:f:falar|falar]] em unidade acidental: "relinquitur igitur [[lexico:q:quod|quod]] homo non sit unum [[lexico:s:simpliciter|simpliciter]], et per consequens nec [[lexico:e:ens|ens]] simpliciter, sed ens [[lexico:p:per-accidens|per accidens]]" (Loc. cit.). De [[lexico:n:nada|nada]] serve pretender, para escapar a esta dificuldade, que a alma é o homem, aparecendo o corpo somente como um [[lexico:i:instrumento|instrumento]] usado pela alma pois, neste caso, o homem, cuja [[lexico:e:essencia|essência]] total seria de ordem espiritual, não pertenceria mais ao [[lexico:m:mundo|mundo]] das [[lexico:c:coisas|coisas]] físicas, [[lexico:o:o-que-e|o que é]] contrário à [[lexico:e:experiencia|experiência]]. Não se pode deixar de [[lexico:c:compreender|compreender]] o componente corporal na [[lexico:d:definicao|definição]] mesma do ser [[lexico:h:humano|humano]]. 2. Também não se vê como, na solução platônica, é ainda [[lexico:p:possivel|possível]] falar de operações comuns à alma e ao corpo, como temer, irritar-se ou ter sensações que, sendo psíquicas, determinam modificações corporais. É, pois, [[lexico:n:necessario|necessário]] que haja entre a alma e o corpo uma verdadeira unidade de ordem [[lexico:o:ontologica|ontológica]]. Note-se que não se escapa, no [[lexico:p:platonismo|platonismo]], à dificuldade da explicação dos movimentos comuns ao corpo e à alma, dizendo que ativamente eles procedem da alma enquanto que são passivamente recebidos no corpo. É [[lexico:b:bem|Bem]] [[lexico:v:verdade|verdade]] que os seres espirituais, os puros [[lexico:e:espiritos|espíritos]] por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], podem agir sobre os corpos, e neste caso falar-se-á de contato, mas de um contato somente [[lexico:d:dinamico|dinâmico]], e que não realiza a [[lexico:f:funcao|função]] dos dois termos: "as coisas que se unem segundo um contato deste [[lexico:g:genero|gênero]] não são absolutamente unas: são unas na [[lexico:a:atividade|atividade]] e na passividade, o que não é ser [[lexico:u:uno|uno]] absolutamente" (Con. Gent. II, c. 56). Sendo agir e padecer dois [[lexico:p:predicamentos|predicamentos]] distintos, cai-se realmente no [[lexico:p:plano|plano]] da ação, no dualismo do espiritual e do corporal. A [[lexico:u:unidade-do-vivente|unidade do vivente]], manifestada de tantas maneiras, requer, pois, que entre os dois [[lexico:p:principios|princípios]] que se deve nele distinguir, a alma e o corpo, haja mais que a [[lexico:s:simples|simples]] associação do motor e daquele que se move. É então que se nos apresenta a solução original e tão notável de Aristóteles.