===== CRÍTICA ===== (in. Critique, fr. Critique, al. Kritik, it. Critica). [[lexico:t:termo|termo]] introduzido por [[lexico:k:kant|Kant]] para designar o [[lexico:p:processo|processo]] através do qual a [[lexico:r:razao|razão]] empreende o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] de si: "o tribunal que garanta a razão em suas pretensões legítimas, mas condene as que [[lexico:n:nao|não]] têm [[lexico:f:fundamento|fundamento]]". A crítica não é, pois, "a crítica dos livros e dos sistemas filosóficos, mas a crítica da [[lexico:f:faculdade|faculdade]] da razão, em [[lexico:g:geral|geral]], com [[lexico:r:respeito|respeito]] a todos os conhecimentos aos quais ela pode aspirar independentemente da [[lexico:e:experiencia|experiência]]"; portanto, também é "a [[lexico:d:decisao|decisão]] sobre a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] ou [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] de uma [[lexico:m:metafisica|metafísica]] em geral e a [[lexico:d:determinacao|determinação]] tanto de suas fontes quanto de seu âmbito e de seus limites" (Crít. R. Pura, Pref. à 1a ed.). A [[lexico:t:tarefa|tarefa]] da crítica, portanto, é ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] negativa e positiva: negativa enquanto restringe o [[lexico:u:uso|uso]] da razão; positiva porque, nesses limites, a crítica garante à razão o uso legítimo de seus direitos (Ibid., Pref. à 2a ed.). A crítica assim entendida afigurava-se a Kant como uma das tarefas de sua [[lexico:e:epoca|época]] ou, como diz ele habitualmente, da "Idade [[lexico:m:moderna|moderna]]"; de [[lexico:f:fato|fato]], constituía a [[lexico:a:aspiracao|aspiração]] fundamental do [[lexico:i:iluminismo|Iluminismo]], que, decidido a submeter todas as [[lexico:c:coisas|coisas]] à crítica da razão, não se recusava a submeter a própria razão à crítica, para determinar seus limites e eliminar de seu âmbito os problemas fictícios. Pode-se dizer que [[lexico:q:quem|quem]] abriu [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:c:caminho|caminho]] ao Iluminismo foi um de seus maiores inspiradores, [[lexico:l:locke|Locke]]; este, segundo [[lexico:p:palavras|palavras]] contidas na Epístola ao leitor, a qual antecede o Ensaio sobre o [[lexico:e:entendimento|entendimento]] [[lexico:h:humano|humano]], concebeu o Ensaio com a [[lexico:f:finalidade|finalidade]] de "examinar as capacidades próprias do [[lexico:h:homem|homem]] e verificar quais objetos seu [[lexico:i:intelecto|intelecto]] é capaz ou não de considerar". O Iluminismo adotou esse [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista (v. [[lexico:c:coisa-em-si|coisa-em-si]]). O título que Kant pensara dar à [[lexico:c:critica-da-razao-pura|Crítica da Razão Pura]], ou seja, Os limites da [[lexico:s:sensibilidade|sensibilidade]] e da razão (carta a Marcos Herz, de 7-VI-1771) exprime [[lexico:b:bem|Bem]] o [[lexico:s:significado|significado]] que ficou ligado à [[lexico:p:palavra|palavra]] "crítica". Contra esse significado, [[lexico:h:hegel|Hegel]] objetou que "querer conhecer antes de conhecer é [[lexico:a:absurdo|absurdo]], tanto quanto o é o prudente propósito de quem quer aprender a nadar antes de se arriscar a entrar na água" (Ene, § 10). Mas essa [[lexico:o:objecao|objeção]] é infundada, pois a crítica kantiana não age no [[lexico:v:vazio|vazio]] nem precede o conhecimento, mas atua sobre os conhecimentos de que o homem efetivamente dispõe, com o [[lexico:f:fim|fim]] de determinar as condições de sua [[lexico:v:validade|validade]]. Não se trata, portanto, de aprender a nadar fora da água, mas de analisar os movimentos do nado para determinar as possibilidades efetivas que ele oferece, comparando-as às outras, fictícias, que levariam ao afogamento.