===== CRIAÇÃO ARTÍSTICA ===== A [[lexico:i:influencia:start|influência]] dessa concepção, que vinculava indissoluvelmente o [[lexico:t:temperamento:start|temperamento]] saturnino à convivência com o [[lexico:f:fantasma:start|fantasma]], estende-se [[lexico:b:bem:start|Bem]] cedo para [[lexico:a:alem:start|além]] do seu âmbito original, e ainda aparece evidenciada em passagem do Trattato della nobiltà della pittura, de Romano [[lexico:a:alberti:start|Alberti]], que foi muitas vezes citada na [[lexico:h:historia:start|história]] do [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de [[lexico:m:melancolia:start|melancolia]], sem que se ressaltasse que, mais de [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] séculos antes da [[lexico:p:psicanalise:start|psicanálise]], já lançava as bases de uma [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da [[lexico:a:arte:start|arte]] entendida como [[lexico:o:operacao:start|operação]] fantasmática: *Os pintores tornam-se melancólicos — escreve Romano Alberti — porque, querendo eles imitar, importa que mantenham os fantasmas presos no [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]], e que os expressem da mesma maneira como antes os tinham visto presentes; e isso [[lexico:n:nao:start|não]] só uma vez, mas continuamente, sendo [[lexico:e:esse:start|esse]] o seu exercício; é por manterem de tal [[lexico:m:modo:start|modo]] a [[lexico:m:mente:start|mente]] abstrata e separada da [[lexico:m:materia:start|matéria]] que surge a melancolia, que, porém, segundo [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], significa [[lexico:e:engenho:start|engenho]] e [[lexico:p:prudencia:start|prudência]], porque, conforme diz o mesmo, quase todos os engenhosos e prudentes foram melancólicos. * A [[lexico:a:associacao:start|associação]] tradicional da melancolia com a [[lexico:a:atividade:start|atividade]] artística encontra a sua [[lexico:j:justificacao:start|justificação]] precisamente na exacerbada prática fantasmática, que constitui a sua [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] comum. Ambas põem-se sob o [[lexico:s:signo:start|signo]] do [[lexico:s:spiritus:start|spiritus]] phantasticus, o [[lexico:c:corpo:start|corpo]] sutil que não apenas proporciona o veículo dos sonhos, do [[lexico:a:amor:start|amor]] e dos influxos mágicos, mas aparece também íntima e enigmaticamente ligado às mais nobres criações da [[lexico:c:cultura:start|cultura]] humana. Se isso for [[lexico:v:verdade:start|verdade]], não será uma circunstância sem [[lexico:s:significado:start|significado]] que um dos textos em que [[lexico:f:freud:start|Freud]] se detém mais longamente na [[lexico:a:analise:start|análise]] dos fantasmas do [[lexico:d:desejo:start|desejo]] seja exatamente o ensaio sobre a [[lexico:c:criacao:start|Criação]] literária e o [[lexico:s:sonho:start|sonho]] de olhos abertos, no qual ele procura esboçar uma teoria psicanalítica da [[lexico:c:criacao-artistica:start|criação artística]] e formula a [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] segundo a qual a [[lexico:o:obra:start|obra]] de arte seria, de algum modo, continuação do [[lexico:j:jogo:start|jogo]] infantil e da inconfessada mas nunca abandonada prática fantasmática do adulto. [AgambenE:52-53] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}