===== CORPO E ALMA ===== A [[lexico:r:relacao:start|relação]] entre [[lexico:c:corpo-e-alma:start|corpo e alma]], em [[lexico:p:parte:start|parte]] empiricamente [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de [[lexico:v:vivencia:start|vivência]], em parte relação ôntica, só deduzível mediante exame filosófico, entre o [[lexico:c:corpo:start|corpo]] animado e a [[lexico:a:alma:start|alma]] espiritual que o vivifica e dirige, tem proposto, desde tempos imemoriais, à [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] e à [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] um sem-número de problemas. — O corpo apresenta-se à [[lexico:o:observacao:start|observação]] empírica como objeto peculiar, como base e [[lexico:c:campo:start|campo]] de [[lexico:e:expressao:start|expressão]] da vivência psíquica ( Corpo II). — Das Teorias metafísicas acerca do corpo e da alma, umas acentuam de maneira unilateral apenas a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] do [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:h:humano:start|humano]] ( [[lexico:m:monismo:start|monismo]]); outras, a [[lexico:d:dualidade:start|dualidade]] e [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] entre ambos ([[lexico:p:puro:start|puro]] [[lexico:d:dualismo:start|dualismo]]); outras, finalmente, procuram satisfazer, a um [[lexico:t:tempo:start|tempo]], a unidade e a dualidade do ser humano, consoante são vivencialmente apreendidas (duo-monismo). O monismo materialista admite apenas a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] da [[lexico:m:materia:start|matéria]] e nega a [[lexico:e:existencia:start|existência]] de uma alma imortal ([[lexico:m:materialismo:start|materialismo]], alma). O monismo espiritualista vê no [[lexico:s:somatico:start|somático]] apenas o [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]] de [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] da realidade única, espiritual ([[lexico:w:wundt:start|Wundt]], [[lexico:e:espiritualismo:start|espiritualismo]]). O [[lexico:m:moderno:start|moderno]] [[lexico:p:paralelismo-psicofisico:start|paralelismo psicofísico]] ou a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da [[lexico:i:identidade:start|identidade]] considera o espiritual e o somático como as duas faces ou modos de manifestação de uma realidade única, em si [[lexico:i:incognoscivel:start|incognoscível]]. Consequentemente afirma e deve pressupor que os processos somáticos e psíquicos (vivências) mantêm entre si rigoroso paralelismo (G-Th. Fechner e a [[lexico:f:forma:start|forma]] de monismo dominante em fina do século XIX). O monismo, sejam quais forem as formas em que se apresente, contesta a realidade demonstravel e a oposição [[lexico:e:essencial:start|essencial]] entre o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] da matéria e o mundo do psiquismo (já em seu [[lexico:g:grau:start|grau]] inferior: o do principio vital, com maior [[lexico:r:razao:start|razão]] o da [[lexico:v:vida-consciente:start|vida consciente]] e, muito mais ainda, o do [[lexico:s:ser-espiritual:start|ser espiritual]]). [[lexico:n:nao:start|Não]] explica como é que o material "aparece" como espiritual, e o espiritual como material. O duplo [[lexico:f:fato:start|fato]] de, por um lado, a [[lexico:v:vida:start|vida]] espiritual se efetuar sem intrínseca colaboração da matéria, e de, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, o [[lexico:i:inconsciente:start|Inconsciente]] se verificar sem vivência psíquica, contradiz a [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] de uma [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] absolutamente paralela de vivências psíquicas e de processos materiais. O dualismo puro em sua forma extrema ([[lexico:m:malebranche:start|Malebranche]], [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]]), preparada pela [[lexico:s:separacao:start|separação]] demasiado vincada por [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] entre o [[lexico:p:psiquico:start|psíquico]] (da [[lexico:r:res-cogitans:start|res cogitans]]) e o corpóreo (res extensa), negava toda [[lexico:i:interacao:start|interação]] entre o corpo e a alma, reduzia os fatos manifestamente indicativos de uma relação mútua à circunstância de o Criador haver ordenado, desde o [[lexico:p:principio:start|princípio]], os processos somáticos e os psíquicos por uma forma tal, que estão entre si coordenados numa [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] pré-estabelecida (harmonia praestabilita), sem [[lexico:i:influencia:start|influência]] recíproca. [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] concepção, hoje só historicamente importante, contradizia com demasiada clareza a global [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] vivida que o [[lexico:h:homem:start|homem]] tem de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], em especial a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] da [[lexico:r:responsabilidade:start|responsabilidade]] pelas [[lexico:a:acoes:start|ações]] do corpo, e explicava de maneira cientificamente inadmissível, pelo recurso [[lexico:i:imediato:start|imediato]] a [[lexico:d:deus:start|Deus]], [[lexico:c:causa-primeira:start|causa primeira]], o que primariamente exige uma [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] [[lexico:n:natural:start|natural]]. Mais chegado ao que sucede na [[lexico:n:natureza:start|natureza]] é o dualismo da teoria da [[lexico:a:acao-reciproca:start|ação recíproca]] (defendida por [[lexico:p:platao:start|Platão]] e por muitos neovitalistas modernos, como Becher), segundo a qual o corpo e a alma são duas [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] completas que mutuamente se influem por uma [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]] eficiente acidental. (Relembre-se a velha [[lexico:i:imagem:start|imagem]] da alma como piloto no navio que seria o corpo ou mesmo como prisioneira no cárcere do corpo). Os modernos defensores desta concepção estavam em disposição de refutar as objeções movidas contra toda forma de dualismo em [[lexico:n:nome:start|nome]] da [[lexico:l:lei:start|lei]] de conservação da [[lexico:e:energia:start|energia]]. Porém a teoria da [[lexico:a:acao:start|ação]] recíproca mostra-se muito pouco conforme com a unidade do ser vivo [[lexico:o:organico:start|orgânico]] (não é só a enteléquía nem só a matéria que "vive", mas a vida é um modo de ser do [[lexico:t:todo:start|todo]] indivisível, que é todo o [[lexico:v:vivente:start|vivente]]). Vital (Princípio). O duo-monismo, concepção hilemórfica ([[lexico:h:hilemorfismo:start|hilemorfismo]]) elaborada por [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], considera o corpo e a alma como duas "substâncias incompletas" em seu ser [[lexico:s:substancial:start|substancial]]. Estas não se influem mutuamente com atos individuais eficientes de [[lexico:c:carater:start|caráter]] acidental, mas estão unidas em seu ser substancial, de [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que formam o todo de uma [[lexico:s:substancia:start|substância]] completa vivente, que é o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] vital. Sendo assim, a alma considera-se como sendo o princípio determinante, informante, a forma do corpo, pela qual a outra substância comparte — o princípio material — é elevada a participar no ser vivente do todo. Segundo concepção posterior, mitigada, do hilemorfismo, este princípio material conserva seu ser [[lexico:p:proprio:start|próprio]] material com suas determinações físico-químicas, limitando-se a alma informante a dar a específica natureza de ser vivente. Talvez já segundo o próprio Aristóteles, e decerto segundo S. Tomás e outros defensores do hilemorfismo rigoroso, existe, ao invés, a par da forma (a alma) um [[lexico:u:unico:start|único]] princípio puramente, [[lexico:p:passivo:start|passivo]], [[lexico:i:indeterminado:start|indeterminado]] e em si [[lexico:p:privado:start|privado]] de existência (a [[lexico:m:materia-prima:start|matéria prima]]), o qual tão-somente por [[lexico:m:meio:start|meio]] da forma é [[lexico:c:chamado:start|chamado]] a participar tanto do ser quanto da vida. Ambas opiniões apelam para considerações de [[lexico:o:ordem:start|ordem]] [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] e empírica. Prescindimos aqui das discrepâncias de [[lexico:e:escola:start|escola]] entre os escolásticos. O hilemorfismo, pelo menos em sua forma mitigada, é, por exclusão do dualismo [[lexico:e:extremo:start|extremo]] e do monismo, a única teoria que satisfaz por igual a unidade e a dualidade do ser humano, muito embora contenha seus pontos obscuros (mas não contradições!). Um [[lexico:p:problema:start|problema]] [[lexico:p:particular:start|particular]], não resolvido claramente por Aristóteles, e para o qual S. Tomás elaborou em termos inteligíveis a [[lexico:f:formula:start|fórmula]] de solução, é o seguinte: como pode a alma espiritual unir-se tão intimamente ao corpo para constituir com ele uma unidade substancial ? Não existem no homem duas almas, uma vital e outra espiritual desligada do corpo (hoje muitas vezes designada como [[lexico:p:pneuma:start|pneuma]], por uma aplicação teologicamente falsa de uma [[lexico:p:palavra:start|palavra]] de S. Paulo), nem a alma espiritual tem partes subordinadas mediante as quais somente vivifique o corpo (J. P. Olivi). Pelo contrário, a alma, una, [[lexico:s:simples:start|simples]] e espiritual, é também alma vital ou vegetativa ao mesmo tempo que, sozinha, perfaz suas [[lexico:a:atividades:start|atividades]] espirituais. — A unidade substancial de alma e corpo, a despeito da [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] essencial deste e daquela, permite [[lexico:c:compreender:start|compreender]] no [[lexico:p:plano:start|plano]] metafísico os fatos empiricamente conhecidos: por um lado, o [[lexico:c:condicionamento:start|condicionamento]] da atividade espiritual do homem pelo ser material (influências cósmicas, [[lexico:h:hereditariedade:start|hereditariedade]], enfermidade) e, por outro lado, a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] espontânea de as vivências espirituais se exprimirem também no corpóreo (com a repercussão ou redundância na [[lexico:e:esfera:start|esfera]] vital) Corpo II. A [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] do ser humano, de novo tão acentuada pela [[lexico:m:moderna:start|moderna]] [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]] empírica encontra no duo-monismo suas substruções metafísicas. — Willwoll. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}