===== CONVENCIONALISMO MODERADO ===== Exatamente como correção a tal [[lexico:c:convencionalismo:start|convencionalismo]] extremado o [[lexico:f:fisico:start|físico]] Pierre [[lexico:d:duhem:start|Duhem]] (1861-1916) e o matemático Henri Poincaré (1854-1912) criaram uma [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:c:convencionalismo-moderado:start|convencionalismo moderado]], que foi e continua sendo uma [[lexico:t:teoria-da-ciencia:start|Teoria da Ciência]] influente e fecunda. Poincaré expôs a sua concepção em dois célebres volumes, A [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] e a [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] (1902) e O [[lexico:v:valor:start|valor]] da ciência (1905), mostrando-se disposto a reconhecer o [[lexico:e:elemento:start|elemento]] convencional na ciência sem que isso o leve a sacrificar o menos presente e [[lexico:r:real:start|real]] [[lexico:c:carater:start|caráter]] cognoscitivo e [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] das teorias científicas. Escreve Poincaré em O valor da ciência: "Para [[lexico:l:le-roy:start|Le Roy]], a ciência [[lexico:n:nada:start|nada]] mais é do que [[lexico:n:norma:start|norma]] de [[lexico:a:acao:start|ação]]. [[lexico:n:nao:start|Não]] nos é [[lexico:p:possivel:start|possível]] conhecer nada. Entretanto, aqui estamos e somos obrigados a agir. Desse [[lexico:m:modo:start|modo]], por [[lexico:a:acaso:start|acaso]], fixamo-nos normas. E é ao conjunto dessas normas que chamamos ciência. Da mesma forma, desejosos de divertirem-se, os homens instituíram algumas regras de [[lexico:j:jogo:start|jogo]], como, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], do trique-traque, que poderiam se apoiar no [[lexico:c:consenso-universal:start|consenso universal]] melhor do que a própria ciência. E, do mesmo modo, sendo obrigados a escolher, mas incapazes de fazê-lo, lançam ao [[lexico:a:ar:start|ar]] uma moeda. A [[lexico:r:regra:start|regra]] do trique-traque é certamente uma regra de ação como a ciência, mas deve-se acreditar verdadeiramente que a comparação seja justa e que não vemos a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]]?" E prossegue ele: "As regras do jogo são convenções arbitrárias. Teríamos podido também adotar a convenção oposta, que não teria sido menos boa que a outra. A ciência, ao contrário, é norma de ação que tem êxito, pelo menos em linhas gerais, ao passo que, acrescento, a norma contrária não teria êxito. Se digo ‘para produzir hidrogênio, faça um ácido agir sobre o zinco’, estou formulando uma norma de ação que têm êxito. [[lexico:e:eu:start|eu]] teria podido dizer "faça a água destilada agir sobre o ouro’, o que também teria sido uma norma, só que não teria obtido êxito. Portanto, se as ‘receitas’ científicas têm valor como norma de ação, isso depende do [[lexico:f:fato:start|fato]] de nós sabermos que elas alcançam êxito, pelo menos geralmente. Mas [[lexico:s:saber:start|saber]] isso significa saber [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]]. Então, por que nos dizeis que não podemos conhecer nada? A ciência prevê — e exatamente porque prevê ela pode [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:u:util:start|útil]] e servir de norma de ação." {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}