===== CONSTITUIÇÃO FENOMENOLÓGICA ===== Ao descrever a [[lexico:v:vida:start|vida]] [[lexico:i:intencional:start|intencional]] distingue [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] entre o [[lexico:a:ato:start|ato]] ou [[lexico:f:funcao:start|função]] objetiva de visar, ou [[lexico:n:noese:start|noese]], e o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] ou [[lexico:n:noema:start|noema]] que, do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista fenomenológico [[lexico:n:nada:start|nada]] mais é do que correlato da noese. A [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]] foi nos primeiros tempos apenas uma [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] descritiva da [[lexico:c:correlacao:start|correlação]] noese-noema (v. [[lexico:n:noese-e-noema:start|noese e noema]]) ou cogito-cogitatum. O «correlativismo» era filosoficamente neutro, [[lexico:n:nao:start|não]] continha nenhuma [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] ou [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. Husserl abandonou este ponto de vista para, graças ao [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de «[[lexico:c:constituicao:start|constituição]]», transitar para o que denominou [[lexico:i:idealismo-transcendental:start|idealismo transcendental]]. De um [[lexico:m:modo:start|modo]] muito breve diremos que, nesta [[lexico:o:orientacao:start|orientação]], o noema não é mero correlato da noese, mas «constituído» por esta. Embora seja difícil discriminar os matizes de [[lexico:s:significado:start|significado]] do conceito de constituição, a partir do ano de 1927 Husserl considerou-a como Leistung, o que se pode traduzir por prestação, efetivação. Graças a essa Leistung é que uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] determinada pode [[lexico:e:existir:start|existir]] para o [[lexico:e:ego:start|ego]] [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] (ou para a [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] dos egos [[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]]), [[lexico:t:ter:start|ter]] o [[lexico:v:valor:start|valor]] de um [[lexico:e:ente:start|ente]]. O [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]], neste [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] transcendental, será pois aquilo que tem para mim (ou para nós) a [[lexico:v:validade:start|validade]] de ente, porque na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que sou um ego transcendental (ou somos uma comunidade de egos transcendentais) é que efetuo (ou efetuamos) certas prestações constituintes. Deste modo é que surge um [[lexico:m:mundo:start|mundo]]. Quer dizer, para Husserl a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de fenômeno é sempre a [[lexico:n:negacao:start|negação]] de qualquer [[lexico:a:atitude:start|atitude]] fenomenista e constitui o [[lexico:p:plano:start|plano]], penosamente conquistado pela [[lexico:r:reducao:start|redução]] fenomenológica, o plano transcendental, fundamentum [[lexico:a:absolutum:start|absolutum]] et inconcussitm sobre o qual assenta, com [[lexico:e:evidencia-apoditica:start|evidência apodítica]], uma [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] rigorosa, partindo dos problemas da constituição do objeto em [[lexico:g:geral:start|geral]], passando pelas grandes ontologias regionais do [[lexico:s:ser:start|ser]] material, do ser vivo, do [[lexico:s:ser-espiritual:start|ser espiritual]], até ao [[lexico:p:problema:start|problema]] de uma [[lexico:p:possivel:start|possível]] metafísica e de uma [[lexico:t:teologia:start|teologia]] filosófica e à [[lexico:t:teleologia:start|teleologia]] da vida intencional e da [[lexico:h:historia:start|história]]. Assim se poderia realizar — é [[lexico:c:crenca:start|crença]] de Husserl — a [[lexico:i:ideia:start|ideia]], posta primeiramente por [[lexico:p:platao:start|Platão]], de uma filosofia como ciência única, [[lexico:u:universal:start|universal]] e plenamente fundamentada, a que [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] impôs uma viragem radical no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de uma apoditicidade egológica, através da fenomenologia transcendental, que tem por missão esclarecer criticamente as ciências particulares, tanto fatuais como [[lexico:a:a-priori:start|a priori]], e assim transformá-las em ramos da filosofia como ciência universal. [Morujão] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}