===== CONSCIÊNCIA MORAL ===== Em [[lexico:s:sentido|sentido]] lato, [[lexico:c:consciencia-moral|consciência moral]] significa a [[lexico:c:capacidade|capacidade]] do [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:h:humano|humano]] para conhecer os valores, os preceitos e as leis morais (synderesis); em sentido mais restrito, designa a aplicação destes à [[lexico:a:acao|ação]] própria imediata. E aquela [[lexico:i:instancia|instância]] interior, que notifica ao [[lexico:h:homem|homem]], de maneira inteiramente [[lexico:p:pessoal|pessoal]] e forçosamente perceptível, o que ele deve fazer ou omitir, que emite seu [[lexico:j:juizo|juízo]] antes da ação como [[lexico:v:voz|voz]] avisa-dora, proibitória, preceptiva ou permissória, e como [[lexico:f:forca|força]] laudatória ou condenatória ([[lexico:r:remorso|remorso]]), uma vez cumprida a ação. [[lexico:t:testemunho|testemunho]] impressionante do poder da [[lexico:c:consciencia|consciência]] é o [[lexico:a:arrependimento|arrependimento]] [[lexico:m:moral|moral]], pelo qual o homem detesta, com pesar, sua má ação, e que [[lexico:n:nao|não]] raro o impele a confessar externamente sua [[lexico:c:culpa|culpa]]. A [[lexico:o:origem|origem]] da consciência reside na [[lexico:a:aptidao|aptidão]] do homem, como [[lexico:p:pessoa|pessoa]] e [[lexico:i:imagem-de-deus|imagem de Deus]], para realizar valores morais, [[lexico:b:bem|Bem]] como na capacidade para conhecê-los e aplicá-los à [[lexico:s:situacao|situação]] pessoal, individual. De [[lexico:s:suma|suma]] importância é, naturalmente, para o incremento dos demais aspectos da [[lexico:v:vida|vida]] do espírito, como, no domínio ético, a [[lexico:i:instrucao|instrução]], a [[lexico:e:educacao|educação]] e a direção, mediante a [[lexico:a:autoridade|autoridade]] e a [[lexico:c:comunidade|comunidade]]. Podemos distinguir uma consciência [[lexico:a:antecedente|antecedente]] e uma [[lexico:c:consequente|consequente]], e, [[lexico:a:alem|além]] disso, uma consciência verdadeira e uma errônea. Esta última pode [[lexico:s:ser|ser]] invencível, e, por conseguinte, isenta de culpa, ou vencível e, por conseguinte, culpável. Entre a consciência laxa ou embotada e a consciência angustiosa ou escrupulosa encontra-se a consciência delicada, finamente formada. Visto a consciência aplicar as exigências gerais da [[lexico:l:lei-moral|lei moral]] ao caso presente, [[lexico:c:concreto|concreto]], daí resultam os seguintes deveres relativamente ao seu ditame: não se deve agir com [[lexico:d:duvida|dúvida]] verdadeira, insolúvel, acerca da legitimidade da ação. Requer-se, pois, uma [[lexico:c:certeza|certeza]] prática (não rigorosamente científica). (Sobre a maneira d obter indiretamente uma consciência certa: [[lexico:p:probabilismo|probabilismo]]). Deve-se seguir sempre o ditame [[lexico:i:imperativo|imperativo]] da consciência, mesmo no caso da consciência errônea invencível e inculpável. O [[lexico:a:agente|agente]] não tem outra [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] [[lexico:r:razoavel|razoável]]. Acomoda-se ele à [[lexico:v:vontade-de-deus|vontade de Deus]], tanto quanto momentaneamente lhe é [[lexico:p:possivel|possível]]. Contudo não devemos apelar precipitadamente para nossa própria consciência certa, principalmente quando outras autoridades superiores julgam de maneira discrepante, porque não teríamos então o caso da consciência inculpavelmente errônea. Existe, portanto, a estrita [[lexico:o:obrigacao|obrigação]] de formar uma reta consciência, mediante a [[lexico:r:reflexao|reflexão]], a instrução, a tomada de conselho, etc. Da obrigação de seguir a própria consciência, até quando errônea, decorre a [[lexico:l:liberdade|liberdade]] de consciência e a [[lexico:t:tolerancia|tolerância]], ou seja, o [[lexico:d:dever|dever]] de respeitar as decisões de outrem, mesmo que se julguem erradas, e não obrigar a [[lexico:a:acoes|ações]] por ele tidas como contrárias à consciência. Entretanto, não é proibido insurgir-se contra ações que provêm de uma consciência errônea e prejudicam o [[lexico:d:direito|direito]] dos indivíduos ou da comunidade. Também pode o [[lexico:e:estado|Estado]] obviar (eficientemente) uma injustificada [[lexico:r:recusa|recusa]] de prestar serviços, pela [[lexico:n:negacao|negação]] das vantagens jurídicas correspondentes. — [[lexico:b:brugger|Brugger]] Peculiar dificuldade para se formar uma consciência surge no caso da chamada colisão de deveres. Não se trata aqui de um [[lexico:m:mal|mal]] clara ou facilmente reconhecível, mas de dois deveres, que parece serem por igual prementes e que pretendem ser cumpridos no mesmo [[lexico:m:momento|momento]], apesar de o não poderem ser simultaneamente. Não pode haver [[lexico:r:real|real]] colisão de deveres, fundada na [[lexico:o:ordem|ordem]] moral. Ela iria de encontro à [[lexico:s:santidade|santidade]] e [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]] de [[lexico:d:deus|Deus]], que não pode necessitar um homem a pecar. À colisão só existe no deficiente [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] do homem. Deve, portanto, ser solucionada, investigando-se a qual dos deveres deve ser dada preferência num [[lexico:d:dado|dado]] momento. Não podendo isto fazer-se um caso [[lexico:p:particular|particular]], quer dizer que [[lexico:f:falta|falta]] a liberdade necessária para a ação moral e para a falta moral. A solução destes e de outros casos de consciência, denominada [[lexico:c:casuistica|casuística]], é [[lexico:t:tarefa|tarefa]], frequentemente mal compreendida, mas importante e insubstituível, de uma [[lexico:e:etica|ética]] que queira influir na atuação real dos homens. Nenhum jurista razoável põe em dúvida a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de um tratado em que se estudem casos concretos de direito civil e penal referentes a situações individuais, que exponha a importância e aplicação exata das leis, e sirva de auxiliar não só ao estudante aprendiz, mas também ao jurista [[lexico:p:pratico|prático]] no exercício tantas vezes árduo de sua profissão. Esta dificuldade existe igualmente para [[lexico:q:quem|quem]] tem a missão custosa e cheia de [[lexico:r:responsabilidade|responsabilidade]] de dirigir homens. Todavia a [[lexico:e:exposicao|exposição]] positiva da [[lexico:l:lei|lei]] moral deve preceder a casuística. Na [[lexico:s:selecao|seleção]] e solução dos casos de consciência, importa evitar as possibilidades abstrusas e irreais. — Schuster. Esta consciência distingue-se da consciência em sentido [[lexico:p:psicologico|psicológico]], em sentido epistemológico ou em sentido gnoseológico, e em sentido metafísico, a que nos referimos no artigo anterior. O sentido da [[lexico:e:expressao|expressão]] “consciência moral” popularizou-se nas frases “apelo à consciência”, “voz da consciência”, etc. Mas, no seu sentido mais comum, a consciência moral aparece como algo demasiado [[lexico:s:simples|simples]]. Os filósofos investigaram, com [[lexico:e:efeito|efeito]], em que sentido se pode [[lexico:f:falar|falar]] de uma voz da consciência e, sobretudo, qual é - se é que existe, a origem dessa voz. Adoptaremos aqui uma [[lexico:c:classificacao|classificação]] que se apoia antes nas concepções das [[lexico:o:origens|origens]] da consciência moral. Encontramos as seguintes: 1: a consciência moral pode ser concebida como inata. Supõe-se neste caso, pelo mero [[lexico:f:fato|fato]] de existirem, todos os homens têm uma consciência moral. O que pode entender-se em dois sentidos. a: a consciência moral é algo que se tem sempre efetivamente; b: a consciência moral é algo que se tem a possibilidade de se possuir sempre que se suscite para isso uma [[lexico:s:sensibilidade|sensibilidade]] moral adequada. 2: a consciência moral pode ser concebida como adquirida. Pode considerar-se que se adquire por educação das potências morais íntimas no homem, neste caso esta [[lexico:p:posicao|posição]] aproxima-se da última mencionada, ou pode supor-se que se adquire no decurso da [[lexico:h:historia|história]], da [[lexico:e:evolucao|evolução]] [[lexico:n:natural|natural]], das [[lexico:r:relacoes|relações]] sociais, etc. Uma [[lexico:c:consequencia|consequência]] desta [[lexico:t:teoria|teoria]] é a de que a consciência moral não só pode surgir ou pode não surgir no homem, mas também a de que o seu conteúdo depende por sua vez do conteúdo natural, [[lexico:h:historico|histórico]], [[lexico:s:social|social]], etc. As teorias naturalistas, historicistas, social- históricas, sociais, etc, entram dentro deste [[lexico:g:grupo|grupo]]. 3: a origem da consciência moral pode ser atribuída a uma [[lexico:e:entidade|entidade]] divina. A moral resultante é então heterónoma ou, mais propriamente teónoma. 4: a origem da consciência moral pode atribuir-se a uma [[lexico:f:fonte|fonte]] humana. Por sua vez, essa fonte humana pode conceber-se como natural, histórica ou social, e assim esta posição combina-se com a dois. Também pode considerar-se que esta fonte é individual ou social. 5: o fundo donde procede uma consciência moral pode ser [[lexico:r:racional|racional]] ou [[lexico:i:irracional|irracional]]. Estas duas posições combinam-se frequentemente com quaisquer outras das atrás mencionadas. 6: o fundo donde procede a consciência moral pode ser pessoal ou [[lexico:i:impessoal|impessoal]]. 7: finalmente, o fundo donde procede a consciência moral pode ser [[lexico:a:autentico|autêntico]] ou inautêntico. Se se dá o primeiro, podem admitir-se muitas das concepções anteriores. Se se dá o segundo, as concepções usualmente admitidas são as da sua origem natural e puramente social. A consciência moral é então desmascarada como um sentido que o homem adquiriu em [[lexico:v:virtude|virtude]] de certas conveniências sociais ou de certos processos naturais e que pode desaparecer logo que essas conveniências deixem de vigorar.