===== CONSCIÊNCIA DE CLASSE ===== (in Consciousness of class; fr. Conscience de [[lexico:c:classe:start|classe]]; al. Klassenbewusstsein; it. Conscienza di classe). [[lexico:e:esse:start|esse]] foi um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] em que [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] insistiu; segundo ele, o [[lexico:f:fato:start|fato]] de um [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] pertencer a uma classe é determinado [[lexico:n:nao:start|não]] só pelas circunstâncias objetivas, mas também pela [[lexico:v:vontade:start|vontade]] do indivíduo, de tal [[lexico:m:modo:start|modo]] que o fato de pertencer a essa classe "pela [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] subjetiva tem o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] de [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:o:obra:start|obra]] da própria vontade" (Phil. do dir., § 206). Hegel acrescenta que, para o [[lexico:h:homem:start|homem]], "ser [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]]" significa "pertencer a uma classe determinada", porque o homem sem classe seria um [[lexico:s:simples:start|simples]] indivíduo isolado e não participaria da universalidade [[lexico:r:real:start|real]] própria da classe. Portanto, para o indivíduo, reconhecer-se como pertencente a uma classe não é uma degradação, mas a aquisição de sua "[[lexico:r:realidade:start|realidade]] e [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] [[lexico:e:etica:start|ética]]", ou seja, o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] da [[lexico:u:unidade:start|unidade]], realizada no indivíduo, entre universalidade e particularidade (Ibid., § 207 e Zusatz). Para [[lexico:m:marx:start|Marx]], esse conceito tinha [[lexico:b:bem:start|Bem]] menos importância, já que tudo [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] "consciência" pertence à [[lexico:s:superestrutura:start|superestrutura]], que é determinada pelas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] de [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] e produção. Contudo, Marx afirmou que, se entre os indivíduos "houver apenas contato local, se a [[lexico:i:identidade:start|identidade]] de seus interesses não os levar a [[lexico:c:criar:start|criar]] uma [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]], uma [[lexico:a:associacao:start|associação]] nacional, uma organização [[lexico:p:politica:start|política]], eles não constituirão uma classe" (Der 18 Brumaire des Louis Bonaparte, nova ed., 1946, p. 104). Esse conceito foi posto em primeiro [[lexico:p:plano:start|plano]] na [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] do [[lexico:m:marxismo:start|marxismo]] feita por Georg Luckács, no livro [[lexico:h:historia:start|História]] e [[lexico:c:consciencia-de-classe:start|consciência de classe]] (1922), que atribui à consciência de C. o título de [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] da história, ou seja, de [[lexico:p:principio:start|princípio]] ou [[lexico:f:forca:start|força]] que faz a história. Segundo Luckács, a consciência de C. autêntica é "a realização [[lexico:r:racional:start|racional]] e adequada que deve ser adjudicada a uma [[lexico:s:situacao:start|situação]] [[lexico:t:tipica:start|típica]], no [[lexico:p:processo:start|processo]] de produção". Por isso, distingue-se da falsa consciência, que é uma [[lexico:r:reacao:start|reação]] inadequada a tal situação, que ignora suas contradições. A consciência de C. é o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida da [[lexico:v:vocacao:start|vocação]] de uma C. para o domínio, ou seja, para a organização de uma [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] conforme com os seus interesses (Histoire et conscience de classe, 1960, pp. 72 ss.). A consciência de C. identifica-se com a "[[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] total da história", na qual se funda a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] real de [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] da própria história em direção a uma sociedade nova. Rejeitada pelo marxismo oficial, que a acusava de "[[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]]", essa doutrina continua sendo discutida pelo [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] marxista ocidental. Mas com a crise que o conceito de C. sofreu nos estudos sociológicos contemporâneos (v. classe), a consciência de C., considerada como "consciência das contradições entre interesses econômicos e sociais opostos", é entendida apenas como um dos muitos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] que compõem a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de C. (cf., p. ex., Touraine, La société post-industrielle, 1969). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}