===== CONHECIMENTO ===== [[lexico:g:gnosis|gnosis]] [[lexico:e:episteme|episteme]] A [[lexico:a:atividade|atividade]] teórica do [[lexico:h:homem|homem]]; opõe-se à [[lexico:a:acao|ação]] no [[lexico:m:mundo|mundo]]. — O [[lexico:p:problema-filosofico|problema filosófico]] do conhecimento é triplo: 1.° O [[lexico:p:problema|problema]] da [[lexico:o:origem|origem]] dos conhecimentos humanos é o de [[lexico:s:saber|saber]] se eles procedem da [[lexico:e:experiencia|experiência]] ([[lexico:e:empirismo|empirismo]]) ou da [[lexico:r:razao|razão]] ([[lexico:r:racionalismo|racionalismo]]). Chegou-se a [[lexico:p:pensar|pensar]] que se o conteúdo de nossos conhecimentos se desenvolve com a ampliação de nossa experiência, com os progressos da [[lexico:c:ciencia|ciência]], por [[lexico:o:outro|outro]] lado a [[lexico:f:forma|forma]] mesma de toda [[lexico:c:compreensao|compreensão]] humana, isto é, os "[[lexico:p:principios|princípios]]" do conhecimento, são de origem [[lexico:r:racional|racional]] e comuns a todos os [[lexico:e:espiritos|espíritos]] humanos (assim é, segundo o "[[lexico:c:conceptualismo|conceptualismo]]" de [[lexico:k:kant|Kant]]); 2.° O da [[lexico:n:natureza|natureza]] do conhecimento leva-nos a distinguir diversas formas de conhecimento, principalmente as que dependem do [[lexico:e:espirito|espírito]] de finura (por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], a compreensão que liga o médico clínico a seu doente) e as que dependem do espírito de [[lexico:g:geometria|geometria]] (por exemplo, o conhecimento matemático ou [[lexico:f:fisico|físico]]). O primeiro [[lexico:t:tipo|tipo]] de conhecimento é requerido por todas as "[[lexico:c:ciencias-humanas|ciências humanas]]" ([[lexico:p:psicologia|psicologia]],, [[lexico:s:sociologia|sociologia]], [[lexico:p:pedagogia|pedagogia]] etc.); o segundo tipo convém às ciências do mundo; 3.° Finalmente, o problema do alcance de nosso conhecimento é o de saber se podemos atingir o [[lexico:a:absoluto|absoluto]] e a natureza íntima das [[lexico:c:coisas|coisas]], como pensa o [[lexico:d:dogmatismo|dogmatismo]] ([[lexico:p:platao|Platão]], [[lexico:h:hegel|Hegel]]), ou se nosso conhecimento permanece limitado, ao mundo dos fenômenos sem poder jamais se pronunciar sobre os três problemas fundamentais: o da natureza da [[lexico:m:materia|matéria]], o da [[lexico:e:essencia-da-alma|essência da alma]] humana (e o de sua [[lexico:i:imortalidade|imortalidade]]) e o da [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]] (e o de sua natureza), como pensa o [[lexico:a:agnosticismo|agnosticismo]] (Kant, A. [[lexico:c:comte|Comte]]). O conhecimento é um [[lexico:d:dado|dado]] [[lexico:p:primitivo|primitivo]] da [[lexico:r:realidade|realidade]], e, enquanto tal, indefinível. Significa originariamente o [[lexico:f:fato|fato]] admirável de um [[lexico:e:ente|ente]], o espírito, [[lexico:n:nao|não]] só [[lexico:e:estar|estar]] presente a outros entes, mas, por assim dizer, [[lexico:s:ser|ser]] transparente a [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], "cônscio de si mesmo", estar "em si, dentro de si", e, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] sair de si e ultrapassar seu [[lexico:p:proprio|próprio]] âmbito, refletindo em si o "outro" e, de algum [[lexico:m:modo|modo]], convertendo-se em todas as coisas", como diz [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]. Com frequência se emprega o [[lexico:t:termo|termo]] "conhecimento (como também a [[lexico:p:palavra|palavra]] latina cognitio: cognição) em [[lexico:s:sentido|sentido]] muitíssimo amplo (1), para designar qualquer [[lexico:a:ato|ato]] vital em que, um [[lexico:s:ser-espiritual|ser espiritual]] ou sensitivo, como [[lexico:s:sujeito|sujeito]] cognoscente, "se dá conta de" um [[lexico:o:objeto|objeto]]. Em acepção mais restrita, conhecimento (2) é apenas o [[lexico:j:juizo|juízo]] [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] e seguro ( [[lexico:v:verdade|verdade]], [[lexico:c:certeza|certeza]]), portanto apenas a [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] do conhecimento na acepção (1). Os modos mais imperfeitos de uma [[lexico:p:posse|posse]] [[lexico:c:consciente|consciente]] de objetos aparecem então como meios ou fontes do conhecimento. O conhecimento (1) é, como "ato vital", uma perfeição [[lexico:o:ontologica|ontológica]] ima-nente ao sujeito, todavia, enquanto "dar-se conta" de um outro, conduz, para [[lexico:a:alem|além]] dos limites do sujeito, a objetos (VIDE objeto); denota, portanto, o fazer-se uma só [[lexico:c:coisa|coisa]] com o objeto ([[lexico:o:operacao|operação]] essa denominada [[lexico:i:intencional|intencional]], em [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao ser [[lexico:r:real|real]] [[lexico:u:uno|uno]]). As questões mais importantes da [[lexico:m:metafisica|metafísica]] do conhecimento (problema da [[lexico:e:essencia-do-conhecimento|essência do conhecimento]] e sua radicação tanto no ser do cognoscente quanto no do conhecido), da psicologia do conhecimento (problema das leis que regem a produção do conhecimento) e da [[lexico:e:epistemologia|epistemologia]] ou [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]] (problema do [[lexico:v:valor|valor]] [[lexico:o:objetivo|objetivo]] do conhecimento), giram em torno da misteriosa [[lexico:u:unidade|unidade]] e contraste da [[lexico:i:imanencia|imanência]] do ato e da [[lexico:t:transcendencia|transcendência]] de sua [[lexico:o:orientacao|orientação]] intencional para o objeto. Por sua [[lexico:e:essencia|essência]], [[lexico:t:todo|todo]] conhecimento (tanto pelo ato entitativo ou [[lexico:o:ontologico|ontológico]] como pelo seu [[lexico:c:carater|caráter]] intencional [[lexico:r:representativo|representativo]]) radica primariamente no ser, desligado da matéria, do sujeito cognoscente. Só entes dotados de algum [[lexico:g:grau|grau]] de [[lexico:i:imaterialidade|imaterialidade]] são capazes de [[lexico:a:apreender|apreender]] objetos de conhecimento e de formar, em si mesmos, à maneira de [[lexico:i:imagem|imagem]], uma [[lexico:r:reproducao|reprodução]] dos mesmos, sem com isso perderem sua forma [[lexico:n:natural|natural]]. Quanto mais desligado da matéria for o sujeito, tanto mais [[lexico:p:perfeito|perfeito]] será seu conhecimento: O ato de conhecimento sensitivo (essencialmente material, imediatamente co-realizado pelo material) apreende só as facetas exteriores, os modos fenomenais sensíveis de coisas materiais. O espírito [[lexico:f:finito|finito]] e criado do homem penetra através destes modos fenomenais até ao âmago [[lexico:e:essencial|essencial]], põe as questões relativas à essência, à [[lexico:e:existencia|existência]] e ao sentido pleno e apresenta as respostas a essas questões, de maneira não [[lexico:i:intuitiva|intuitiva]]. Mas não consegue [[lexico:f:falar|falar]] do [[lexico:i:infinito|infinito]] senão analogamente ([[lexico:a:analogia|analogia]]), partindo das [[lexico:r:relacoes|relações]] do finito com o infinito, nem, devido à [[lexico:u:uniao|união]] do [[lexico:c:corpo-e-alma|corpo e alma]], lo- gra conceber o espiritual finito, a não ser à base de dados experimentais empíricos, geralmente de [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:s:sensorial|sensorial]] ([[lexico:c:conceito|conceito]]). Discute-se se é [[lexico:p:possivel|possível]], e até que [[lexico:p:ponto|ponto]], que o espírito [[lexico:h:humano|humano]], mantendo-se unido ao [[lexico:c:corpo|corpo]], seja capaz de, por suas próprias forças naturais, se desprender excepcionalmente de sua íntima vinculação às imagens sensíveis e de obter uma [[lexico:i:intuicao|intuição]] do espiritual (não do [[lexico:d:divino|divino]]). [[lexico:d:deus|Deus]], Espírito absoluto, abarca [[lexico:p:por-si|por si]] mesmo a plenitude de todo cognoscível em seu ato cognitivo [[lexico:u:unico|único]], [[lexico:s:simples|simples]], [[lexico:s:substancial|substancial]] e [[lexico:n:necessario|necessário]]. Na [[lexico:f:formacao|formação]] do conhecimento humano interferem as leis gerais de [[lexico:p:potencia|potência]] e ato, de maneira que objeto e sujeito devem colaborar para que ele seja levado a [[lexico:e:efeito|efeito]]. A [[lexico:f:faculdade|faculdade]] cognoscitiva do sujeito, de si indeterminada, requer uma [[lexico:a:assimilacao|assimilação]] ao objeto. Esta dá-se mediante uma [[lexico:d:determinacao|determinação]] ([[lexico:s:species|species]] impressa) condicionada pelo objeto e recebida vitalmente na faculdade cognoscitiva. Só com esta determinação é que a faculdade congnoscitiva constitui o [[lexico:p:principio|princípio]] suficientemente determinado capaz de originar o ato de conhecimento. O ato cognoscitivo propriamente [[lexico:d:dito|dito]], produzido pela faculdade (previamente determinada pelo objeto) é [[lexico:i:imanente|imanente]] a esta, é gerado por [[lexico:f:forca|força]] própria e confere à mesma faculdade perfeição ontológica e intencional. Neste ato, o sujeito gera em si uma [[lexico:s:semelhanca|semelhança]] do objeto, a chamada imagem cognoscitiva (species expressa, no [[lexico:e:entendimento|entendimento]] = verbum mentis; [[lexico:t:teoria|teoria]] da imagem), a qual, é óbvio, não deve ser confundida com qualquer imagem rígida. Pelo ato cognoscitivo, que se baseia nesta imagem, e que a abarca, o sujeito conhece o objeto, na [[lexico:m:medida|medida]] e modo em que este aparece naquela. (Do mesmo modo que na imagem de um espelho, sem saber que se trata de mera [[lexico:r:reflexao|reflexão]], se conhece com [[lexico:p:precisao|precisão]] de imediatidade o objeto refletido). Nesta concepção do conhecer, mediante um [[lexico:m:meio|meio]] cognoscitivo, não existe, por forma alguma, o perigo de um [[lexico:s:subjetivismo|subjetivismo]] gnoseológico (v. [[lexico:r:realismo|realismo]]). — O conhecimento especificamente humano, considerado era globo, é um todo "configurado", que se desdobra em várias funções parciais essencialmente diferentes. [[lexico:p:parte|parte]] destas pertence ao domínio do [[lexico:c:conhecimento-sensorial|conhecimento sensorial]], e outra parte são atos do entendimento ([[lexico:p:pensamento|pensamento]]), simplesmente apreensivos ("intuitivos", em sentido lato) ou progressivos com peculiar atividade consciente ("discursivos"). — Via de [[lexico:r:regra|regra]], fala-se, e com razão, do conhecimento apenas como de [[lexico:v:vivencia|vivência]] "consciente", visto ser difícil conceber como alguém possa "dar-se conta" de um ente, sem que este se introduza em sua [[lexico:c:consciencia|consciência]]. Isto não exclui, de maneira nenhuma, uma [[lexico:m:multidao|multidão]] de processos inconscientes (o [[lexico:i:inconsciente|Inconsciente]]) que preparam o conhecimento consciente e, sem consciência recordatória, podem levar a "reações inteligentes". (Sobre os problemas das chamadas "percepções extra-sensoriais" e do "conhecimento extra-racional" do espírito, [[lexico:o:ocultismo|ocultismo]], [[lexico:m:mistica|mística]]; [[lexico:i:irracional|irracional]], intuição). —Willwoll Quase todos os filósofos trataram os problemas do conhecimento, mas a importância adquirida pela teoria do conhecimento como “[[lexico:d:disciplina|disciplina]] filosófica” é um assunto relativamente recente. Os gregos trataram problemas gnoseológicos, mas costumavam subordiná-los a questões depois chamadas ontológicas. A [[lexico:p:pergunta|pergunta]] “[[lexico:o:o-que-e|o que é]] o conhecimento?” esteve muitas vezes em estreita [[lexico:r:relacao|relação]] com a pergunta “o que é a realidade?” Algo de parecido aconteceu em muitos filósofos medievais. Isto não quer dizer que não trataram pormenorizadamente o problema do conhecimento. Contudo, é plausível defender que só na [[lexico:e:epoca|época]] [[lexico:m:moderna|moderna]] - com vários autores renascentistas interessados no [[lexico:m:metodo|método]] e com [[lexico:d:descartes|Descartes]], [[lexico:m:malebranche|Malebranche]], [[lexico:l:leibniz|Leibniz]], [[lexico:l:locke|Locke]], [[lexico:b:berkeley|Berkeley]], [[lexico:h:hume|Hume]] e outros - o problema do conhecimento se converte amiúde em problema central - embora não único - do [[lexico:p:pensamento-filosofico|pensamento filosófico]]. A constante [[lexico:p:preocupacao|preocupação]] dos autores aludidos e citados, pelo método e pela [[lexico:e:estrutura|estrutura]] do conhecimento é, a este [[lexico:r:respeito|respeito]], muito sintomático. Todavia, não se concebia um [[lexico:e:estudo|estudo]] do conhecimento como capaz de dar [[lexico:i:impulso|impulso]] a uma disciplina filosófica especial. A partir de Kant, em contrapartida, o problema do conhecimento começou a ser objeto da teoria do conhecimento. É indubitável que teoria ocupa um [[lexico:l:lugar|lugar]] muito destacado no pensamento desse [[lexico:f:filosofo|filósofo]]. Por isso, alguns autores chegaram à conclusão de que a teoria do conhecimento é a disciplina filosófica central. Outros tentaram mostrar que é uma disciplina [[lexico:i:independente|independente]] ou relativamente independente. Em todo o caso, pode continuar a reconhecer-se à teoria do conhecimento um lugar destacado sem, por isso, a separar de outras [[lexico:d:disciplinas-filosoficas|disciplinas filosóficas]]. Trataremos dos seguintes aspectos do problema do conhecimento: a [[lexico:d:descricao|descrição]] do [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] do conhecimento ou [[lexico:f:fenomenologia-do-conhecimento|fenomenologia do conhecimento]]; a [[lexico:q:questao|questão]] da [[lexico:p:possibilidade-do-conhecimento|possibilidade do conhecimento]]; a questão do [[lexico:f:fundamento|fundamento]] do conhecimento; a questão das formas possíveis do conhecimento. [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] DO CONHECIMENTO: Entendemos o termo “fenomenologia” num sentido muito [[lexico:g:geral|geral]], como “pura descrição daquilo que aparece”; a fenomenologia do conhecimento propõe-se descrever o [[lexico:p:processo|processo]] do conhecer como tal, isto é, independentemente de, previamente a , quaisquer interpretações do conhecimento de quaisquer explicações que se possam dar das [[lexico:c:causas|causas]] do conhecer. Portanto, a fenomenologia do conhecimento não é uma descrição [[lexico:g:genetica|genética]] e de fato, mas “pura”. A única coisa que tal fenomenologia procura [[lexico:p:por|pôr]] a claro é o que significa ser objeto do conhecimento, ou ser sujeito cognoscente, apreender o objeto, etc. Parece óbvio o resultado de tal fenomenologia: Conhecer é aquilo que tem lugar quando um sujeito apreende um objeto. Contudo, o resultado não é óbvio nem tão-pouco simples. Portanto, a pura descrição do conhecer põe em relevo a indispensável [[lexico:c:coexistencia|coexistência]], co-presença e, de certo modo, co-operação, de dois [[lexico:e:elementos|elementos]] que não sã admitidos com o mesmo grau de [[lexico:n:necessidade|necessidade]] por todas as filosofias. Algumas filosofias insistem no [[lexico:p:primado|primado]] do objeto (realismo em geral); outras, no primado do sujeito ([[lexico:i:idealismo|Idealismo]] em geral); Outras na equiparação neutral de sujeito e de objeto. A fenomenologia do conhecimento não reduz nem tão-pouco equipara: reconhece a necessidade do sujeito e do objeto sem precisar em que consistem cada um deles isto é sem se deter a averiguar a natureza de cada um deles ou de qualquer suposta realidade prévia a eles ou que consiste na [[lexico:f:fusao|fusão]] deles. Conhecer é, pois, o ato pelo qual o sujeito apreende o objeto. O objeto deve ser, pelo menos gnoseologicamente, [[lexico:t:transcendente|transcendente]] ao sujeito, pois, de contrário, não haveria [[lexico:a:apreensao|apreensão]] de algo [[lexico:e:exterior|exterior]]: O sujeito apreender-se-ia de algum modo a si mesmo. Dizer que o objeto é transcendente ao sujeito não significa, contudo, dizer que há uma realidade independente de qualquer sujeito: A fenomenologia do conhecimento não adopta, para já, nenhuma [[lexico:p:posicao|posição]] idealista, mas tão-pouco realista. Ao apreender o objeto, este encontra-se de certo modo “em o sujeito”. Não está nele, contudo, nem [[lexico:f:fisica|física]] nem metafisicamente: está nele só representativamente. Por isso, dizer que o sujeito apreende o objeto equivale a dizer que o representa. Quando o representa tal como o objeto é, o sujeito tem um conhecimento verdadeiro (embora possivelmente parcial) do objeto, quando o não representa tal como é, o sujeito tem um conhecimento [[lexico:f:falso|falso]] do objeto. Por isso, o [[lexico:t:tema|tema]] da fenomenologia do conhecimento é a descrição do ato cognoscitivo, como ato de conhecimento válido, não a [[lexico:e:explicacao|explicação]] genética do dito ato ou a sua [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] METAFÍSICA. [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] DE CONHECIMENTO: À pergunta “é possível o conhecimento?”, foram dadas respostas radicais. Uma é o cepticismo, segundo o qual o conhecimento não é possível. Isso parece ser uma [[lexico:c:contradicao|contradição]], pois afirma-se ao mesmo tempo que se conhece algo, a saber, que [[lexico:n:nada|nada]] é cognoscível. Contudo, o cepticismo é, amiúde, uma [[lexico:a:atitude|atitude]] de que se estabelecem “regras de [[lexico:c:conduta|conduta]] intelectual”. Outra é o dogmatismo, segundo o qual o conhecimento é possível; mais ainda: as coisas conhecem-se tal [[lexico:c:como-se|como se]] oferecem ao sujeito. As respostas radicais não são as mais frequentes na teoria do conhecimento. O mais comum é adotarem-se variantes moderadas do cepticismo ou do dogmatismo. Com efeito, nas formas moderadas costuma afirmar-se que o conhecimento é possível, mas não de um modo absoluto, mas só relativamente. Os cépticos moderados costumam defender que há limites no conhecimento. Os dogmáticos moderados costumam defender que o conhecimento é possível, mas só dentro de certos supostos. Tanto os limites como os supostos se determinam por meio de uma prévia reflexão [[lexico:c:critica|crítica]] sobre o conhecimento. Os cépticos moderados usam frequentemente uma [[lexico:l:linguagem|linguagem]] psicológica ou, em todo o caso, procuram examinar as condições concretas do conhecimento. Quando o que resulta é só um conhecimento [[lexico:p:provavel|provável]], o cepticismo moderado adopta a chamada [[lexico:t:tese|tese]] do [[lexico:p:probabilismo|probabilismo]]. os dogmáticos moderados, em contrapartida, usam uma linguagem predominantemente crítica-racional. O que tentam averiguar não são os limites concretos do conhecimento mas os seus limites abstratos, isto é, os limites estabelecidos por supostos, finalidades, etc. É fácil [[lexico:v:ver|ver]] que enquanto os cépticos moderados se ocupam permanentemente da questão da [[lexico:o:origem-do-conhecimento|origem do conhecimento]], os dogmáticos moderados se interessam pelo problema da [[lexico:v:validade|validade]] do conhecimento. Outros tentaram descobrir um fundamento para o conhecimento que fosse independente de quaisquer limites, supostos, etc. Isso aconteceu com Descartes, ao propor o [[lexico:c:cogito|cogito]] ergo sum, e com Kant ao estabelecer aquilo a que se pode chamar o “[[lexico:p:plano|plano]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]]”. No primeiro caso, conhecer é partir de uma [[lexico:i:ideia|ideia]] (que é ao mesmo tempo o resultado de uma intuição básica). No segundo caso, conhecer é sobretudo”constituir”, isto é, constituir o objeto enquanto objeto de conhecimento. FUNDAMENTO DO CONHECIMENTO: uma vez admitido que o conhecimento é possível, fica todavia por averiguar o problema dos fundamentos dessa possibilidade. Alguns autores sustentaram que o fundamento da possibilidade do conhecimento é sempre a “realidade”, ou, como por vezes se diz, “as próprias coisas”. Contudo, a [[lexico:e:expressao|expressão]] “a realidade” não é de modo algum unívoca. Para falou-se de realidade [[lexico:s:sensivel|sensível]] diferente de uma “realidade [[lexico:i:inteligivel|inteligível]]”. Não é o mesmo dizer que o fundamento do conhecimento está na realidade sensível (nas impressões, nas percepções etc) como o fizeram muitos empiristas, que dizer que tal fundamento está na realidade inteligível (nas [[lexico:i:ideias|ideias]] ou sentido mais ou menos platônico), como o fizeram muitos. Por outro lado, adotando-se embora a este respeito uma posição empirista ou racionalista, há muitas maneiras de apresentar, elaborar ou defender a posição correspondente. Assim, por exemplo, o empirismo dito racionalista propõe nem só o conhecimento da realidade sensível está fundado em expressões, mas o está também o conhecimento das realidades (ou quase realidades) não sensíveis, tais como os números ou figuras geométricas e, em geral, todas as ideias e todas as abstrações. Mas o empirismo radical não é a única forma aceite, ou aceitável, de empirismo. Pode adotar-se um empirismo dito por vezes “moderado”, segundo o qual o fundamento do conhecimento reside nas impressões sensíveis, mas estas só proporcionam a base primária do conhecer - uma base sobre a qual assentam as ideia gerais. Pode adotar-se um empirismo a que, por vezes, se chamou total: é o que [[lexico:r:recusa|recusa]] ater-se às impressões sensíveis por considerar que estas são só uma parte, e não a mais importante, da experiência. A experiência não é unicamente a experiência sensível, pode ser também experiência intelectual, experiência histórica ou experiência interior, ou todas elas ao mesmo tempo, Pode adotar-se também um empirismo que não deriva o conhecimento das estruturas lógicas e matemáticas das impressões sensíveis, precisamente porque considera que essas estruturas não são nem empíricas nem tão pouco racionais: são estruturas puramente formais, sem conteúdo. Isso acontece com Hume e diversas formas do [[lexico:n:neopositivismo|neopositivismo]]. Pode adotar-se também um empirismo que parte do material dado para as expressões sensíveis, mas admite a possibilidade de abstrair delas “formas” é o empirismo de cariz aristotélico e os derivados do mesmo. Quanto ao [[lexico:c:chamado|chamado]] grosso- modo, racionalista, adotou também formas muito diversas, de [[lexico:a:acordo|acordo]] com o [[lexico:s:significado|significado]] que se tenha dado às expressões como “realidade inteligível”, ideias, formas, razões, etc. Com efeito não é a mesma coisa um racionalismo que parte do inteligível como tal para considerar o sensível como reflexão do inteligível, de um racionalismo para o qual o conhecimento se funda na razão, mas onde esta não é uma realidade inteligível, mas um conjunto de supostos ou evidências, uma [[lexico:s:serie|série]] de [[lexico:v:verdades-eternas|verdades eternas]]. Outras duas posições capitais são as conhecidas pelos nomes de [[lexico:r:realismo-e-idealismo|realismo e idealismo]]. Indiquemos aqui unicamente que o que é caraterístico de cada uma dessas posições é a insistência em tomar um ponto de partida no objeto ou no sujeito. Mesmo assim, não é fácil [[lexico:e:explicar|explicar]] o significado próprio de realismo e de idealismo, em [[lexico:v:virtude|virtude]] dos muitos sentidos que adquirem dentro destas posições os termos objeto e sujeito. Assim, no que diz respeito ao sujeito, a natureza da posição adotada depende, em grande parte de se se entende o sujeito em questão como sujeito [[lexico:p:psicologico|psicológico]], como sujeito transcendental no sentido kantiano, como sujeito metafísico. FORMAS DO CONHECIMENTO: Já nos referimos ao conhecimento como [[lexico:c:conhecimento-sensivel|conhecimento sensível]] e como conhecimento inteligível. Em muitos casos, admite-se que ambas as formas de conhecimento são intuitivas, mas, por vezes, propõe-se que o conhecimento intuitivo é distinto de todas as demais formas de conhecimento. Isso acontece especialmente quando se entende a intuição como um [[lexico:a:acesso|acesso]] à realidade absoluta. Particularmente significativa foi a [[lexico:c:classificacao|classificação]] das formas de conhecimento proposta por [[lexico:n:nicolau-de-cusa|Nicolau de Cusa]]. Cusa distinguiu [[lexico:q:quatro|Quatro]] graus de conhecimento: os sentidos que proporcionam imagens confusas e incoerentes; a razão que as diversifica e ordena; o [[lexico:i:intelecto|intelecto]] ou razão especulativa, que as unifica; e a [[lexico:c:contemplacao|contemplação]] intuitiva, que, ao levar a [[lexico:a:alma|alma]] à [[lexico:p:presenca|presença]] de Deus, alcança o conhecimento da unidade dos contrários. Outras formas de conhecimento de que se falou muitas vezes são o conhecimento [[lexico:a:a-priori|a priori]] e o conhecimento [[lexico:a:a-posteriori|a posteriori]]. Finalmente, podem distinguir-se formas de conhecimento de acordo com divisões introduzidas na própria realidade e no modo de a considerar. Propôs-se neste sentido, uma [[lexico:d:divisao|divisão]] entre o conhecimento da Natureza e o conhecimento do espírito. [[lexico:r:rickert|Rickert]] e Wildenband insistiram com [[lexico:p:particular|particular]] ênfase nessa [[lexico:d:distincao|distinção]], que hoje não é aceite por todos os epistemólogos. De qualquer modo, há que destacar que o problema das formas de conhecimento está neste caso relacionado com o problema da classificação dos saberes. O conhecimento realiza-se necessariamente por meio de uma [[lexico:a:antitese|antítese]]: tudo é antítese para o homem; é em si mesmo uma antítese primitiva e indelével; forma una com o [[lexico:u:universo|universo]]. (Essai sur les fondements de la psychologie et sur ses rapports avec l’étude de la nature, Introd. geral, III, [[lexico:n:nota|nota]].)