===== CONATUS ===== Desde os primeiros momentos de seus trabalhos científicos dirige seu [[lexico:p:pensamento|pensamento]] para dois problemas intimamente relacionados com este [[lexico:p:ponto|ponto]]: primeiramente, para o [[lexico:p:problema|problema]] do [[lexico:m:movimento|movimento]]; e em segundo [[lexico:l:lugar|lugar]], para o problema da [[lexico:d:definicao|definição]] da [[lexico:m:materia|matéria]]. Mas nestes dois problemas, já nas suas primeiras lucubrações juvenis, nota- se no pensamento de [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] a [[lexico:o:orientacao|orientação]], a marca peculiar que há de progredir no [[lexico:f:futuro|futuro]] e conduzi-lo às conclusões mais famosas de sua [[lexico:m:metafisica|metafísica]]. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], no problema do movimento aquilo que a Leibniz interessa [[lexico:n:nao|não]] é tanto o problema da trajetória que descreve o [[lexico:m:movel|móvel]] quanto o problema da iniciação do movimento. Aspira o jovem Leibniz a descobrir em que consiste o [[lexico:c:comeco|começo]] do movimento, o que deve haver em um [[lexico:c:corpo|corpo]] para que [[lexico:e:esse|esse]] corpo se ponha em movimento. Depois esse movimento percorre uma e outra trajetórias. Que há na [[lexico:e:essencia|essência]] mais íntima do ponto em movimento que o faz percorrer uma trajetória em vez de outra? Assim, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], se consideramos uma trajetória circular e outra trajetória linear tangente à trajetória circular, há um ponto — o ponto de tangência — que pertence ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] ao [[lexico:s:sistema|sistema]] da reta e ao sistema do [[lexico:c:circulo|círculo]]. Que é o que há dentro deste ponto, no interior do ponto, primeiro que o faz mover-se, e segundo, que o faz mover-se como reta, em trajetória retilínea ou em trajetória circular? É isso que Leibniz aspira a captar conceptualmente. Por isso, no seu primeiro pequeno tratado acerca do movimento [[lexico:a:abstrato|abstrato]] e do movimento [[lexico:c:concreto|concreto]], [[lexico:t:theoria|theoria]] motus abstracti e Theoria motus concreti, chega Leibniz a um [[lexico:c:conceito|conceito]] que lhe parece o conceito mãe de [[lexico:t:todo|todo]] movimento, e que ele chama em latim conatus, [[lexico:e:esforco|esforço]], [[lexico:f:forca|força]]. Aqui se vê a correção fundamental que Leibniz pouco a pouco vai fazendo na [[lexico:f:fisica|física]] e na metafísica cartesiana. Leibniz vai procurando, por debaixo da pura espacialidade, da pura [[lexico:e:extensao|extensão]], do [[lexico:m:mecanismo|mecanismo]] das figuras geométricas, os pontos de [[lexico:e:energia|energia]], a força, o não-espacial, o não-extenso, o [[lexico:d:dinamico|dinâmico]] que há na [[lexico:r:realidade|realidade]]. Parece a Leibniz que precisamente o [[lexico:e:erro|erro]] mais grave do [[lexico:c:cartesianismo|cartesianismo]] foi esquecer esse [[lexico:e:elemento|elemento]] dinâmico que jaz no fundo de toda realidade. Por que Leibniz pensa que esse elemento dinâmico é [[lexico:e:essencial|essencial]] na realidade e, ao contrário, [[lexico:d:descartes|Descartes]] o tem eliminado? Pois precisamente porque Descartes considerava que essas noções de força, de energia, de conatus, de esforço, são noções obscuras e confusas e como as reputava obscuras e confusas, eliminou-as de sua física e de sua metafísica para substituí-las por noções claras e distintas, que são as noções puramente geométricas.