===== COMUNIDADE ===== Enquanto [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]], em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] lato, designa toda [[lexico:f:formacao:start|formação]] [[lexico:s:social:start|social]], isto é, toda reunião estável de homens em [[lexico:o:ordem:start|ordem]] à realização de um [[lexico:f:fim:start|fim]], reserva-se geralmente o [[lexico:n:nome:start|nome]] de comunidade para uma [[lexico:u:uniao:start|união]] de vidas e de destinos ([[lexico:f:familia:start|família]], [[lexico:n:nacao:start|nação]]) oriunda da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] ou resultante, [[lexico:p:por-si:start|por si]], da [[lexico:u:unidade:start|unidade]] de sentimentos, e que, por conseguinte, vincula intimamente os indivíduos entre si. Frente a esta, a sociedade, em sentido [[lexico:e:estrito:start|estrito]], define-se como uma [[lexico:a:associacao:start|associação]] baseada predominantemente em cálculos puramente racionais, endereçada a um fim [[lexico:p:particular:start|particular]] determinado, e cujos membros podem, aliás, permanecer interiormente estranhos uns aos outros (sociedade comercial). Isto se reflete no [[lexico:f:fato:start|fato]] de que, falando de comunidade, se pensa principalmente na unidade de sentimentos e de [[lexico:a:amor:start|amor]], ao passo que, falando de sociedade, se pretende acentuar, de maneira preponderante, a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] jurídica e estatutária, a "organização". Sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], para os antigos a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] "sociedade" podia designar outrossim os laços internos, para os quais se reserva hoje o [[lexico:t:termo:start|termo]] "comunidade". Posteriormente, porém, na [[lexico:e:epoca:start|época]] do [[lexico:i:individualismo:start|individualismo]], [[lexico:n:nao:start|não]] somente a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] dos valores intrínsecos da [[lexico:v:vida:start|vida]] de comunidade se foi obliterando, como também o conteúdo semântico do vocábulo "sociedade", e o anelo, novamente desperto, por uma autêntica comunidade escolheu justamente este nome para a [[lexico:i:imagem:start|imagem]] de seus desejos. Por esta via, não raro se uniu uma aversão [[lexico:s:sentimental:start|sentimental]] a toda ordem jurídica, [[lexico:c:como-se:start|como se]] por ela perigassem os vínculos mais íntimos da comunidade. De fato porém os laços jurídicos são absolutamente indispensáveis, sempre que elevado [[lexico:n:numero:start|número]] de homens precise de reunir-se para a [[lexico:a:acao:start|ação]] comum e estável em ordem a um fim grandioso. Não o [[lexico:d:direito:start|direito]] enquanto tal, mas a rígida e inumana manipulação do direito, compromete a genuína comunidade. De [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com o exposto, importa rejeitar a [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] rígida entre a comunidade, baseada exclusivamente na "[[lexico:v:vontade:start|vontade]] de [[lexico:s:ser:start|ser]]", e a sociedade, cimentada também de maneira exclusiva na "vontade de eleger", principalmente se essa oposição for tomada no sentido de a comunidade nascer de forças meramente irracionais e se subtrair à [[lexico:r:razao:start|razão]] e à vontade. A base [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] de toda comunidade é constituída por uma "comunalidade", pela comum [[lexico:p:participacao:start|participação]] num [[lexico:b:bem:start|Bem]], que se deva manter ou então por uma [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] comum ou comum [[lexico:d:destino:start|destino]]. Uma coletividade de homens entre si unidos por tal "comunalidade" denomina-se, por vezes, comunidade (em sentido lato) (p. ex., uma "comunidade [[lexico:l:linguistica:start|linguística]]"), nomeadamente quando o destino comum está presente na [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] de muitos, despertando assim um [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] de [[lexico:s:solidariedade:start|solidariedade]]. Este sentimento é só a primeira [[lexico:p:pressuposicao:start|pressuposição]] psíquica da comunidade em sentido prenhe. Para haver genuína comunidade, e não apenas uma [[lexico:m:massa:start|massa]], não basta a [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] meramente sentimental e instintiva; requer-se, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, uma [[lexico:a:atitude:start|atitude]] valorativa do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], veneração e amor, ou, ao menos, [[lexico:r:respeito:start|respeito]] pela [[lexico:d:dignidade:start|dignidade]] [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] alheia. A união de muitos, firmada em tal base, com o [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] de alcançar a realização do fim comum com as forças conjuntas de todos, constitui a comunidade no sentido pleno do termo. Uma ordem jurídica, em especial uma direção ([[lexico:a:autoridade:start|autoridade]]), é, como já foi notado, uma exigência resultante da [[lexico:e:essencia:start|essência]] da comunidade, pois, de contrário, não ficaria assegurada a prossecução eficaz do fim. Os laços morais, que mantêm uma comunidade e asseguram a próspera colaboração de seus membros, são, portanto, vínculos, não só de amor, senão também de [[lexico:j:justica:start|justiça]]. Sobre falsas concepções da essência da comunidade VIDE sociedade ([[lexico:f:filosofia-da-sociedade:start|filosofia da sociedade]]). Existem comunidades naturais, que, por sua índole, estão implicadas na natureza (matrimônio, família, nação, [[lexico:e:estado:start|Estado]]), a comunidade [[lexico:s:sobrenatural:start|sobrenatural]] da Igreja, firmada na ação divina da [[lexico:g:graca:start|graça]], e comunidades livres, que devem a [[lexico:e:existencia:start|existência]] à livre [[lexico:d:decisao:start|decisão]] humana (p. ex., uma associação de jovens). — A comunidade possui [[lexico:v:valor:start|valor]], dignidade e [[lexico:b:beleza:start|beleza]] próprios, porque, em última [[lexico:i:instancia:start|instância]], apresenta, de maneira nova, rasgos da essência divina. Na [[lexico:m:medida:start|medida]] porém em que esta [[lexico:a:apresentacao:start|apresentação]] se verifica por [[lexico:m:meio:start|meio]] de uma ordem [[lexico:i:impessoal:start|impessoal]], a comunidade não é um fim de si mesma, mas ordena-se ao bem e à [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] das pessoas que são seus membros. — De Vries. Romântica é a [[lexico:o:obra:start|obra]] de Ferdinand Tönnies, Genieinschaft und Gesellschaft que desenvolve a [[lexico:d:distincao:start|distinção]], já implícita no [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]] anterior, entre a comunidade e a sociedade. A comunidade entende-se como um [[lexico:t:todo:start|todo]] anterior às partes, cujas diferenciações internas são pequenas e cuja solidariedade é orgânica e não [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]]. A sociedade, ao contrário, entende-se como [[lexico:s:soma:start|soma]] das partes que a constituem, [[lexico:g:grupo:start|grupo]] mecanicamente integrado por interesses pessoais, formado pela associação voluntária premeditada. A comunidade é portadora da [[lexico:c:cultura:start|cultura]], tem [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] próprios e inconfundíveis, é a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] legítima do [[lexico:v:volk:start|Volk]], dominado pela [[lexico:f:figura:start|figura]] do camponês ou do artífice. A sociedade não é cultura, mas apenas [[lexico:c:civilizacao:start|civilização]]; não tem [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]], por ser internacional e [[lexico:c:cosmopolita:start|cosmopolita]]; é a expressão das massas urbanas, erradicadas e sem [[lexico:a:alma:start|alma]]; transpola todos os valores para o [[lexico:i:ideal:start|ideal]] do lucro e do conforto e seu centro de gravidade está no [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] e na figura do mercador. Levasseur (Histoire des classes ouvrières et de l’industrie en France avant 1789 ) relata a fundação de uma comunidade medieval e suas condições de [[lexico:a:admissao:start|admissão]]: “Il ne suffisait pas d’habiter la ville pour avoir droit à cette admission. Il fallait (...) posséder une maison (...).” Além disso, “toute injure proférée en public contre la commune entraînait la démolition de la maison et le banissement du coupable” (p. 240, inclusive n. 3). [ArendtCH, 8, Nota] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}