===== COMPREENSÃO ===== (in. Understanding; fr. Compréhension; al. Verstehen; it. Comprensione). O [[lexico:a:ato|ato]] ou a [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de [[lexico:c:compreender|compreender]]. (in. Comprehension; fr. Compréhension; al. Inhalt; it. Comprensione). 1. A [[lexico:l:logica|lógica]] de [[lexico:p:port-royal|Port-Royal]] introduziu a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre [[lexico:c:compreensao-e-extensao|compreensão e extensão]] do [[lexico:c:conceito|conceito]]: distinção grosso [[lexico:m:modo|modo]] idêntica à que será expressa por [[lexico:s:stuart-mill|Stuart Mill]] com a [[lexico:d:diade|díade]] conotação-denotação ou pela lógica [[lexico:m:moderna|moderna]] com a díade intensão-extensão. Dizia Arnauld: "Nas [[lexico:i:ideias|ideias]] [[lexico:u:universais|universais]], é importante distinguir [[lexico:b:bem|Bem]] duas [[lexico:c:coisas|coisas]], a compreensão e a [[lexico:e:extensao|extensão]]. Chamo de compreensão da [[lexico:i:ideia|ideia]] os atributos que ela inclui em si e que [[lexico:n:nao|não]] podem [[lexico:s:ser|ser]] retirados sem destruí-la; assim, a compreensão da ideia de [[lexico:t:triangulo|triângulo]] contém extensão, [[lexico:f:figura|figura]], três linhas, três ângulos e a [[lexico:i:igualdade|igualdade]] desses três ângulos a dois retos, etc. Chamo de extensão da ideia os sujeitos aos quais essa ideia convém que também se chamam inferiores de um [[lexico:t:termo|termo]] [[lexico:g:geral|geral]] que, em [[lexico:r:relacao|relação]] a eles, é [[lexico:c:chamado|chamado]] [[lexico:s:superior|superior]]; assim, a ideia do triângulo, em geral, estende-se a todas as diversas espécies dos triângulos" (Log., I, 6). Essa distinção encontrava alguns precedentes na lógica medieval, mas foi expressa de modo aproximado só a partir do séc. XVI (p. ex., por Cajetanus, In Porphyrii Praed., ed. 1579,1,2, p. 37; cf. Hamilton, Lectures on Logic, I, 1866, p. 141). À própria distinção vinculava-se a [[lexico:d:determinacao|determinação]] da relação inversa que há entre compreensão e extensão assim definidas: à [[lexico:m:medida|medida]] que a compreensão se empobrece, isto é, torna-se mais geral, a extensão se enriquece, isto é, o conceito se aplica a mais coisas; e vice-versa. Essas distinções e observações foram retomadas pela lógica, especialmente alemã, do séc. XIX (cf., p. ex., Lotze, Logik, 1843, § 15), permaneceram constantes e por vezes foram expressas mediante o par sinônimo conotação-denotação, especialmente por escritores ingleses. A [[lexico:p:parte|parte]] a tentativa de distinguir compreensão de [[lexico:c:conotacao|conotação]] como [[lexico:e:esfera|esfera]] de todas as notas possíveis, [[lexico:a:alem|além]] das expressamente conotadas pela [[lexico:d:definicao|definição]], a [[lexico:n:nocao|noção]] de compreensão permaneceu constante na lógica do séc. XIX. 2. Às vezes, na lógica contemporânea, a compreensão é assumida como análoga da [[lexico:d:denotacao|denotação]] ou extensão, e não da conotação ou [[lexico:i:intensao|intensão]]. Assim, Lewis define a compreensão de um termo como "a [[lexico:c:classificacao|classificação]] de todas as coisas coerentemente pen-sáveis, às quais o termo se aplique corretamente", onde por "coerentemente pensáveis" se entendem todas as coisas cuja [[lexico:a:assercao|asserção]] da [[lexico:e:existencia|existência]] não implique, explícita ou implicitamente, uma [[lexico:c:contradicao|contradição]]. Nesse [[lexico:s:significado|significado]], o termo se distinguiria de denotação ou extensão porque essa é a [[lexico:c:classe|classe]] de todas as [[lexico:c:coisas-reais|coisas reais]] ou existentes às quais o termo se aplica corretamente. A denotação estaria, portanto, incluída na compreensão; mas não vice-versa. A compreensão de "quadrado" inclui não só os quadrados existentes (que são denotados), mas todos os quadrados possíveis ou imagináveis, salvo os redondos (Analysis of Knowledge and Valuation, 1950, pp. 39-41). Chama-se compreensão de um conceito ao seu conteúdo, pelo qual deve entender-se o [[lexico:f:fato|fato]] de um conceito determinado se referir precisamente a [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:o:objeto|objeto]] determinado. compreensão conteúdo diferem pois, da mera [[lexico:s:soma|soma]] das notas do objeto e, naturalmente, do objeto [[lexico:p:proprio|próprio]] enquanto tal, enquanto termo de [[lexico:r:referencia|referência]] dessas notas. Este novo [[lexico:s:sentido|sentido]] da compreensão-conteúdo, posto em circulação pela lógica fenomenológica, destina-se a evitar as confusões de certas lógicas entre o conceito e o objeto, bem como o conceito e o objeto [[lexico:f:formal|formal]]; chega-se deste modo a uma distinção rigorosa entre conteúdo do conceito, objeto formal e objeto material, cuja [[lexico:c:correlacao|correlação]] não equivale forçosamente a uma identificação. Noutro sentido muito diferente, chama-se compreensão a uma [[lexico:f:forma|forma]] de [[lexico:a:apreensao|apreensão]] que refere às expressões do [[lexico:e:espirito|espírito]] e que se opõe, como [[lexico:m:metodo-da-psicologia|método da psicologia]] e das [[lexico:c:ciencias-do-espirito|ciências do espírito]], ao [[lexico:m:metodo|método]] [[lexico:e:explicativo|explicativo]] próprio da [[lexico:c:ciencia-natural|ciência natural]]. Embora a ideia da compreensão esteja mais ou menos claramente formulada no [[lexico:r:romantismo|Romantismo]] alemão, deve-se a [[lexico:d:dilthey|Dilthey]] a sua elaboração precisa e [[lexico:c:consequente|consequente]]. Dilthey entende por compreensão o ato pelo qual se apreende o [[lexico:p:psiquico|psíquico]] através das suas múltiplas exteriorizações. O psíquico, que constitui um [[lexico:r:reino|reino]] peculiar e que tem uma forma de [[lexico:r:realidade|realidade]] distinta da [[lexico:n:natural|natural]], não pode ser objeto de mera [[lexico:e:explicacao|explicação]]. A [[lexico:v:vida-psiquica|vida psíquica]] resiste a toda a apreensão que não aponte para o sentido das suas manifestações, da sua própria [[lexico:e:estrutura|estrutura]]. Ao exteriorizar-se, a [[lexico:v:vida|vida]] psíquica converte-se em [[lexico:e:expressao|expressão]] ou em espírito [[lexico:o:objetivo|objetivo]]. Este [[lexico:u:ultimo|último]], que constitui a parte [[lexico:e:essencial|essencial]] e fundamental das ciências do espírito propriamente ditas, consiste em exteriorizações relativamente autônomas da vida psíquica, exteriorizações que têm na sua própria estrutura uma direção e um sentido. O método da compreensão, que originariamente é [[lexico:p:psicologico|psicológico]], converte-se, pois, para Dilthey, num [[lexico:p:processo|processo]] mais amplo, numa [[lexico:h:hermeneutica|hermenêutica]] que se encaminha para a [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] das estruturas objetivas enquanto expressões da vida psíquica. Compreender significa, portanto, passar de uma [[lexico:e:exteriorizacao|exteriorização]] do espírito à sua [[lexico:v:vivencia|vivência]] originária, isto é, ao conjunto de atos que produzem ou produziram, sob as mais diversas formas - gesto, [[lexico:l:linguagem|linguagem]], objetos da [[lexico:c:cultura|cultura]], etc -, a mencionada exteriorização. Contra essa [[lexico:d:descricao|descrição]] da [[lexico:c:ciencia|ciência]] empírica [[lexico:h:husserl|Husserl]] invocava, no mesmo sentido que racionalistas como [[lexico:b:brunschwicg|Brunschwicg]], a insuficiência essencial da [[lexico:i:inducao|indução]]. Na realidade, a [[lexico:h:hipotese|hipótese]] de constância que o [[lexico:e:empirismo|empirismo]] crê encontrar ao [[lexico:f:fim|fim]] das observações é construída pelo espírito, sobre a base eventualmente da uma só [[lexico:o:observacao|observação]]. De um grande [[lexico:n:numero|número]] de "casos" não se pode induzir uma [[lexico:l:lei|lei]]; esta é uma "[[lexico:f:ficcao|ficção]] idealizante", fabricada pelo [[lexico:f:fisico|físico]] e que extrai seu poder explicativo não do número dos fatos sobre os quais foi construída, mas da clareza que confere aos mesmos. É evidente que essa ficção será em seguida posta à [[lexico:p:prova|prova]] da [[lexico:e:experimentacao|experimentação]], mas o fato é que a indução e o tratamento estatístico não podem [[lexico:p:por-si|por si]] mesmos resumir [[lexico:t:todo|todo]] o processo científico: este exprime um [[lexico:t:trabalho|trabalho]] criador do espírito. Em a [[lexico:k:krisis|krisis]] Husserl sublinhava que Galileu havia já estabelecido uma [[lexico:e:eidetica|eidética]] da [[lexico:c:coisa|coisa]] [[lexico:f:fisica|física]] e que não se pode obter a lei da [[lexico:q:queda|Queda]] dos corpos induzindo o [[lexico:u:universal|universal]] a partir da [[lexico:d:diversidade|diversidade]] da [[lexico:e:experiencia|experiência]], mas somente pelo "olhar" que constitui a [[lexico:e:essencia|essência]] de [[lexico:c:corpo|corpo]] material (Wesenschau). Não existe ciência que não comece por estabelecer uma rede de [[lexico:e:essencias|essências]] obtidas por variações imaginárias e confirmadas por variações reais (experimentação). Após ter-se oposto à indução das ciências empíricas, Husserl acabava por fazer da [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] eidética um [[lexico:m:momento|momento]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] natural. É portanto uma falsificação do método físico e não o próprio método que os objetivistas, que são na [[lexico:v:verdade|verdade]] [[lexico:c:cientistas|cientistas]], tentam introduzir nas [[lexico:c:ciencias-humanas|ciências humanas]]. É preciso dissociar uma certa lógica da ciência, valorizada pelo empirismo e o [[lexico:p:positivismo|positivismo]] e a prática científica efetivamente vivida, que convém primeiro descrever rigorosamente. A [[lexico:a:atitude|atitude]] durkheimiana por [[lexico:e:exemplo|exemplo]] está eivada de preconceitos comtianos: pois se desejamos estudar a existência de uma [[lexico:i:instituicao|instituição]] num [[lexico:d:dado|dado]] [[lexico:g:grupo|grupo]], sua [[lexico:g:genese|gênese]] histórica e sua [[lexico:f:funcao|função]] [[lexico:a:atual|atual]] no [[lexico:m:meio|meio]] não a explicam por si sós. É indispensável definir [[lexico:o:o-que-e|o que é]] essa instituição. Por exemplo em Formes élémentaires de la vie religieuse [[lexico:d:durkheim|Durkheim]] assimila vida religiosa e experiência do [[lexico:s:sagrado|sagrado]]; ele mostra que o próprio sagrado tem sua [[lexico:o:origem|origem]] no [[lexico:t:totemismo|totemismo]] e que o totemismo é uma [[lexico:s:sublimacao|sublimação]] do [[lexico:s:social|social]]. Mas a experiência do sagrado constituirá realmente a essência da vida religiosa? Não podemos conceber (por variações imaginárias) uma [[lexico:r:religiao|religião]] que não se apoiasse nessa prática do sagrado? E afinal que significa por sua vez o sagrado? A [[lexico:c:constituicao|constituição]] da essência deve corrigir constantemente a observação, sem o que seus resultados são cegos e destituídos de [[lexico:v:valor|valor]] científico. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, a [[lexico:p:preocupacao|preocupação]] objetivista nas ciências humanas oculta inevitavelmente para o [[lexico:s:sabio|sábio]] a [[lexico:n:natureza|natureza]] daquilo que ele estuda; é em [[lexico:s:suma|suma]] um preconceito, e não foi por [[lexico:a:acaso|acaso]] que [[lexico:m:merleau-ponty|Merleau-Ponty]], no Curso já mencionado, denunciava finalmente em Guillaume a existência de pressupostos "filosóficos". É preciso ir "[[lexico:a:as-proprias-coisas|às próprias coisas]]", descrevê-las corretamente e elaborar sobre essa descrição uma interpretação de seu sentido,- é a única [[lexico:o:objetividade|objetividade]] verdadeira. Tratar o [[lexico:h:homem|homem]] como uma coisa, seja em [[lexico:p:psicologia|psicologia]] como em [[lexico:s:sociologia|sociologia]], é afirmar [[lexico:a:a-priori|a priori]] que o pretenso método natural vale de forma [[lexico:s:semelhante|semelhante]] para os fenômenos físicos e os fenômenos humanos. Ora, não podemos fazer tal [[lexico:s:suposicao|suposição]]. Se, como nos sugeria há pouco Husserl, procuramos descrever os processos das ciências humanas, descobrimos no próprio cerne da [[lexico:i:interrogacao|interrogação]] que o psicólogo ou o sociólogo lança para o psíquico ou o social a [[lexico:t:tese|tese]] de uma [[lexico:m:modalidade|modalidade]] absolutamente original: a [[lexico:s:significacao|significação]] do [[lexico:c:comportamento|comportamento]] estudado, individual ou coletivo. Essa [[lexico:p:posicao|posição]] do sentido é geralmente omitida na descrição dos métodos, sobretudo se se trata dos métodos objetivistas; ela consiste em admitir imediatamente que esse comportamento quer dizer [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] ou ainda que exprime uma [[lexico:i:intencionalidade|intencionalidade]]. O que distingue por exemplo o objeto natural do objeto cultural (um pedregulho ou uma caneta) é que neste está cristalizada uma [[lexico:i:intencao|intenção]] utilitária enquanto que o primeiro não exprime [[lexico:n:nada|nada]]. É claro que o caso do objeto cultural é relativamente privilegiado porque ele é precisamente uma configuração material destinada explicitamente a satisfazer uma [[lexico:n:necessidade|necessidade]] : é o resultado do trabalho, isto é, da [[lexico:i:imposicao|imposição]] de uma forma premeditada a uma [[lexico:m:materia|matéria]]. Mas, quando nos achamos diante de um sílex da Pedra Talhada, ou diante de um altar fenício, não penetramos de relance na destinação desses objetos, perguntamo-nos qual seria essa significação; continuamos entretanto a supor que há uma destinação, que há um sentido nesses objetos. Compreendemos que existe significação nos fenômenos humanos, até e talvez mesmo principalmente se não compreendemos imediatamente qual é essa significação. O que dissemos sobre a [[lexico:a:afasia|afasia]] precedentemente implicava tal tese: tratava-se em suma de mostrar, a partir da observação corretamente descrita, que o comportamento afásico é realmente um comportamento, isto é, ele oculta um sentido; e o [[lexico:p:problema|problema]] psicopatológico não era então somente estabelecer as [[lexico:r:relacoes|relações]] de condições que caracterizam o síndrome afásico mas reagrupar o conjunto dessas condições na [[lexico:u:unidade|unidade]] do comportamento afásico, compreendendo a significação profunda e, se assim podemos dizer ante-consciente desse comportamento. Não abordamos jamais um [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] [[lexico:h:humano|humano]], isto é, um comportamento, sem dirigir-lhe a interrogação: que significa? E o [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] método das ciências humanas não é reduzir esse comportamento, com o sentido que traz, a suas condições e de dissolvê-lo ali, mas responder finalmente a essa interrogação, utilizando os dados de [[lexico:c:condicionamento|condicionamento]] explicitados pelos métodos objetivos. [[lexico:e:explicar|explicar]] verdadeiramente nas ciências humanas é fazer compreender. O [[lexico:o:objetivismo|objetivismo]] simula que uma tomada puramente "[[lexico:e:exterior|exterior]]" do comportamento individual ou coletivo é não só [[lexico:p:possivel|possível]] mas desejável. Convém suspeitar — insiste — das interpretações espontâneas com as quais revestimos o comportamento observado. É claro que a compreensão imediata que temos em relação a determinada moça enfiada no seu canto, como dizemos, durante o baile ou [[lexico:j:jogo|jogo]] não apresenta [[lexico:g:garantia|garantia]] de verdade. Esses tipos de compreensão "evidente" e espontânea são na verdade resultado das sedimentações complexas de nossa [[lexico:h:historia|história]] individual e da história de nossa cultura; em outros termos, é preciso então fazer a sociologia e a psicologia do [[lexico:o:observador|observador]] para compreender sua compreensão. Mas isso não é [[lexico:m:motivo|motivo]] para liquidar de um golpe toda compreensão e cerrar fileiras pela reivindicação durkheimiana: ela apaga o problema, não o resolve. Entre o [[lexico:s:subjetivismo|subjetivismo]] simplista que equivale a arruinar toda ciência social ou psicológica e o objetivismo brutal cujas leis acabam por deixar escapar seu objeto, há [[lexico:l:lugar|lugar]] para uma retomada dos dados explicativos que procuraria exprimir-lhes a unidade de significação [[lexico:l:latente|latente]]. [[lexico:f:freud|Freud]] havia compreendido isto. O núcleo de sentido não se atinge de uma vez e era justamente o que frisavam os fenomenólogos quando, de [[lexico:a:acordo|acordo]] com objetivismo, criticavam a [[lexico:i:introspeccao|introspecção]]. Mas quando J. Monnerot por exemplo, ao fazer profissão de fenomenologia, escreve que "a compreensão é [[lexico:e:evidencia|evidência]] imediata, a explicação, [[lexico:j:justificacao|justificação]] posterior da [[lexico:p:presenca|presença]] de um fenômeno pela existência suposta de outros fenômenos" (Les faits sociaux ne sont pas des choses, p. 43) ele compara evidentemente duas atitudes incomparáveis já que a compreensão, na medida em que ela é apreensão evidente e imediata do sentido do gesto pelo qual o açougueiro lança sua [[lexico:c:carne|carne]] na balança, não pode servir à sociologia: ao contrário ela o prejudicaria como o sentido manifesto de um [[lexico:s:sonho|sonho]] oculta ao analista ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] que o traduz seu sentido latente. Uma sociologia compreensiva não pode utilizar-se dessa compreensão e todo o livro de Monnerot é um enorme contra-senso sobre a [[lexico:p:palavra|palavra]] "compreender", [[lexico:c:como-se|como se]] revela quando se trata de precisar de que é feita esta "sociologia compreensiva": ataca-se Durkheim (não sem [[lexico:i:ingenuidade|ingenuidade]] aliás) mas por que o substituem? Tivemos já oportunidade de observar que certo subjetivismo é a [[lexico:d:doenca|doença]] infantil da fenomenologia. Sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] poder-se-ia fazer uma sociologia dessa doença.