===== COISIFICAÇÃO ===== [[lexico:t:transformacao:start|Transformação]] de [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] abstratos em [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] ou em objetos concretos. — Fala-se, mais correntemente, de "[[lexico:o:objetivacao:start|objetivação]]". Essa coisificação é que A. [[lexico:c:comte:start|Comte]] denuncia em toda [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] que ele denomina "[[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]", cujo [[lexico:t:tipo:start|tipo]], segundo ele, é o seguinte: "Por que a dormideira faz dormir? — Devido a sua [[lexico:v:virtude:start|virtude]] dormitiva." Transforma-se efetivamente então uma [[lexico:p:palavra:start|palavra]] em virtude [[lexico:r:real:start|real]]: "coisifica-se" um [[lexico:c:conceito:start|conceito]]. Mas aventura que todas as demais transcende é [[lexico:t:ter:start|ter]] chegado a percebermos do que as «[[lexico:c:coisas:start|coisas]]» são. [[lexico:n:nada:start|nada]] mais propriamente chamamos «coisas», do que falando de «objetos» e, ainda por cima, de objetos mais ou menos diminutos, que [[lexico:b:bem:start|Bem]] sabemos terem sido fabricados. Este cinzeiro onde deponho a cinza do cigarro que estou fumando, o mesmo cigarro, a cadeira em que estou sentado, a mesa à qual me sentei para escrever o que escrevo, na folha de um caderno que comprei no propósito de escrever, o pavimento e as paredes da sala a que me retirei para menos ouvir o bulício da casa, a casa que subentende a sala, e assim por diante, são «coisas» e «objetos fabricados»; posso chegar à [[lexico:c:cidade:start|cidade]] extensa, construída no [[lexico:m:meio:start|meio]] do cerrado, mas nem por isso saí da [[lexico:c:categoria:start|categoria]] de «coisa-objeto-fabricado». Posso até passar da «coisa-propriamente-coisa-como-objeto-fabricado», para outra [[lexico:r:regiao:start|região]] em que se geram entes a que também chamarei «coisas-objetos», desde que as veja — e sempre posso vê-las — como «produzidas». [[lexico:n:nao:start|Não]] direi, certamente, que algum dos meus semelhantes «fabricou» a árvore que, [[lexico:a:alem:start|além]] da janela, vejo plantada, mas nem por isso ela deixa de virar objeto-coisa, pensando que em meu poder está o destruí-la. Só se destroem construções; mas embora [[lexico:e:eu:start|eu]] saiba que ninguém construiu aquela árvore, só o [[lexico:p:pensar:start|pensar]] que, em [[lexico:l:lugar:start|lugar]] dela, poderia [[lexico:e:estar:start|estar]] amanhã um amontoado de lenha, transmutou-a na mesma [[lexico:e:essencia:start|essência]] de [[lexico:o:objeto:start|objeto]] que a une ao cinzeiro em que acabo de depositar a ponta do cigarro que fumei enquanto escrevia estas linhas. E se eu pergunto [[lexico:c:como-se:start|como se]] fez tudo quanto me rodeia, o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] que me parece o meu e de todos os meus semelhantes, abstraindo, embora, da [[lexico:e:entidade:start|entidade]] de [[lexico:q:quem:start|quem]] ou do que o fez, ele me aparecerá, por isso mesmo, como «objeto-coisa». Eis como tudo se «coisifica», como tudo se «objetiva». [EudoroMito:120-121] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}