===== COHEN ===== O fundador reconhecido da [[lexico:e:escola-de-marburgo:start|escola de Marburgo]] foi Hermann Cohen (1842-1918), professor em Marburgo e autor, entre outros, dos seguintes trabalhos: A [[lexico:t:teoria:start|teoria]] de [[lexico:k:kant:start|Kant]] da experiencia pura (1871), O [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] da [[lexico:e:etica:start|ética]] kantiana (1871), A [[lexico:i:influencia:start|influência]] de Kant sobre a [[lexico:c:cultura:start|cultura]] alemã (1883) e O fundamento da [[lexico:e:estetica:start|estética]] kantiana (1889). Defensor de um [[lexico:s:socialismo:start|socialismo]] não-materialista, Cohen estudou profundamente [[lexico:p:platao:start|Platão]] e escreveu uma historia do [[lexico:c:calculo-infinitesimal:start|cálculo infinitesimal]] (O principio do [[lexico:m:metodo:start|método]] [[lexico:i:infinitesimal:start|infinitesimal]] e sua historia, 1882). (Comentando este [[lexico:u:ultimo:start|último]] [[lexico:e:escrito:start|escrito]], Gottlob Frege escreveu que Cohen "[[lexico:n:nao:start|não]] brilha pela clareza e, por vezes, é até ilógico"). A [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], mais precisamente a [[lexico:f:fisica:start|física]] [[lexico:m:matematica:start|matemática]], assume papel de [[lexico:m:maxima:start|máxima]] importância na concepção de Cohen. Aceita ele a ciência como válida e concebe a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] exatamente como o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] das condições de [[lexico:v:validade:start|validade]] da ciência. Ora, o [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]] vira o [[lexico:v:valor:start|valor]] da ciência no [[lexico:f:fato:start|fato]] [[lexico:s:sagrado:start|sagrado]], [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] e intocável: para o positivista, em [[lexico:s:suma:start|suma]], [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] é o fato, objetiva é a [[lexico:s:sensacao:start|sensação]], isto é, o [[lexico:a:a-posteriori:start|a posteriori]]. Cohen retorna a Kant, subvertendo a concepção positivista. Como escreve ele em A teoria de Kant da [[lexico:e:experiencia-pura:start|experiência pura]], o fundamento da [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] da ciência está no [[lexico:a:a-priori:start|a priori]]. Para ele, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], a ciência não é e não se desenvolveu como [[lexico:c:caos:start|caos]] de percepções, nem é acumulo de sensações ou de fatos observados. A [[lexico:r:realidade:start|realidade]] é que a ciência não se constituiu tanto pela acumulação de fatos, e sim muito mais pela unificação dos fatos por [[lexico:m:meio:start|meio]] de e sob [[lexico:h:hipoteses:start|hipóteses]], leis e teorias. Mas as leis e teorias não extraímos nós dos fatos, e sim os impomos aos fatos: a teoria é o a priori. E a filosofia indaga exatamente os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] "puros", ou seja, os elementos a priori, do [[lexico:c:conhecimento-cientifico:start|conhecimento científico]]. A filosofia, portanto, deve [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] da ciência. Assim como o foi para Kant. Com efeito, Cohen identifica a [[lexico:c:critica:start|crítica]] kantiana com "a crítica do [[lexico:s:sistema:start|sistema]], dos métodos e dos [[lexico:p:principios:start|princípios]] de Newton". Em outros termos, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], Kant não extraiu as suas doze [[lexico:c:categorias:start|categorias]] estudando as [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] cognoscitivas em [[lexico:g:geral:start|geral]], mas elas são o fruto maduro de sua [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] filosófica sobre os princípios de Newton. Assim, nem a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] idealista de Kant, nem a interpretação psicologista (como a sustenta Fríes), mas a interpretação "[[lexico:l:logica:start|lógica]]" de Kant: a crítica é metodologia da ciência. E essa a [[lexico:c:condicao:start|condição]] para que a filosofia conserve o seu [[lexico:c:carater:start|caráter]] rigoroso sem ceder às tentações da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] idealista (que, segundo Cohen, reconduziu a filosofia à Idade Média), das reduções psicologistas ou dos erros positivistas. É preciso, portanto, voltar a Kant. Mas Kant também não é infalível. E Cohen contesta dois pontos de Kant. Antes de mais [[lexico:n:nada:start|nada]], ele rejeita a [[lexico:r:referencia:start|referência]] à [[lexico:c:coisa:start|coisa]] em si, reinterpretando-a como [[lexico:p:principio:start|princípio]] de autolimitação da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]]: nós procuramos o [[lexico:t:todo:start|todo]], com teorias sempre mais gerais, mas sempre encontramos partes. Ademais, Cohen também refuta a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] kantiana entre [[lexico:s:sensibilidade:start|sensibilidade]] e [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]]: ele identifica [[lexico:e:espaco:start|espaço]] e [[lexico:t:tempo:start|tempo]], isto é, as [[lexico:f:formas-da-sensibilidade:start|formas da sensibilidade]], com as categorias — o tempo é a condição da [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] dos fenômenos, enquanto o espaço o é da sua [[lexico:e:exterioridade:start|exterioridade]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}