===== CÓDIGO ===== Sua [[lexico:i:ideia:start|ideia]] esteve implícita desde que o [[lexico:h:homem:start|homem]] começou [[lexico:a:a-se:start|a se]] preocupar com o [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] da [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]]. Já [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], na [[lexico:r:retorica:start|Retórica]], falava em três pressupostos: a) a [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]] que [[lexico:f:fala:start|fala]], b) o [[lexico:d:discurso:start|discurso]] que faz, c) a pessoa que ouve. Hoje compreendemos que o segundo requisito, o discurso, já representava a utilização de [[lexico:e:elemento:start|elemento]] pré-dado: o código ou [[lexico:f:fonte:start|fonte]]. A postulação da [[lexico:e:existencia:start|existência]] do código só deixa de [[lexico:s:ser:start|ser]] implícita com o [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da [[lexico:l:linguistica:start|linguística]] e da [[lexico:t:teoria-da-informacao:start|teoria da informação]]. A partir de então compreendemos que código e [[lexico:s:signo:start|signo]] são realidades inter-relacionadas. Para apreendermos, no entanto, esta dupla amarração conceituai, deve-se, de [[lexico:p:principio:start|princípio]], notar a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre signo e [[lexico:s:sinal:start|sinal]]. Este pertence à [[lexico:o:ordem:start|ordem]] [[lexico:n:natural:start|natural]]. As cores, os aromas, a [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]] táctil nos descobrem imediatamente sinais. Ou seja, estes são estímulos sensorialmente captados, respostas produzidas pelo [[lexico:a:animal:start|animal]] ao contato e [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] de seu [[lexico:m:meio:start|meio]]. Os sinais [[lexico:n:nao:start|não]] se desligam do envoltório instintivo do animal. Ante um estimulante x, é esperável o estabelecimento de um sinal (resposta) y quanto a um animal z. Como [[lexico:p:parte:start|parte]] do aparato instintivo, o sinal, portanto, é da ordem da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], por conseguinte, [[lexico:u:universal:start|universal]], variando apenas de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com a [[lexico:e:especie:start|espécie]] animal considerada (a água é um sinal diferente para um gato comparando-se ao que ela indica para um cachorro, mas, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, será um sinal igual para [[lexico:t:todo:start|todo]] gato e para todo cachorro). O signo, ao contrário, é uma resposta não instintiva, não produzido por um estimulante presente, portanto não incluso na ordem da natureza e daí culturalmente variável. Isto equivale a dizer que o signo é imotivado. É uma [[lexico:r:representacao:start|representação]] dotada de [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de resposta mediata ou imediata, a partir de estímulos ausentes ou presentes, imagináveis ou perceptíveis, irreais ou reais. Desta [[lexico:d:diferenciacao:start|diferenciação]] resulta a distinção [[lexico:c:consequente:start|consequente]] entre os dois O sinal pressupõe a pré-existência de uma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] biológica; o signo, a [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] pelo [[lexico:p:proprio:start|próprio]] de uma estruturação de sustento e amarração. A este chamamos código- Entendemos as consequências desta passagem, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], por um famoso [[lexico:t:texto:start|texto]] de [[lexico:l:levi-strauss:start|Lévi-Strauss]] onde, a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] das [[lexico:m:mulheres:start|mulheres]], se diz que, através delas, um estimulante se transforma em signo. Como estimulante para o outro, é mulher é sinal; basta a existência de impulsos biologicamente mensurados para que ela assim funcione. Para que existam como signos, necessitam que tenham sido previstas por um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] matrimonial, que fixe as regras, proibitivas e preferenciais, a que sua [[lexico:c:conduta:start|conduta]] se deve ajustar. Os sistemas matrimoniais são os códigos das [[lexico:r:relacoes:start|relações]] humanas entre os sexos. Dando um passo [[lexico:a:alem:start|além]], compreendemos [[lexico:a:agora:start|agora]] as relações entre signo e código considerando-se as linguagens constituídas. Tomamos um exemplo [[lexico:s:simples:start|simples]]: a [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] dos sinais de trânsito. Ela retira certas cores de seu [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]] natural e as carregam de um [[lexico:s:significado:start|significado]] que naturalmente não possuíam. O verde, o vermelho não se confundem para o automobilista ou pedestre com o mesmo verde, vermelho que o mesmo automobilista ou pedestre descobre num jardim ou paisagem. Pois o signo é um sinal em que se introjetou uma carga significativa, a qual anula ou torna [[lexico:i:irrelevante:start|irrelevante]] a resposta instintiva. Para que, entretanto, esta. carga significativa seja coletivamente regulada necessita [[lexico:e:estar:start|estar]] prevista num código. Este então apresenta o repertório dos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] que se tornaram significativos. O repertório será tanto menor quanto mais restritas sejam as possibilidades expressionais do código. Um manual dos sinais de trânsito é tanto repertório quanto o dicionário enciclopédico de uma [[lexico:l:lingua:start|língua]]. À [[lexico:m:medida:start|medida]] que, inversamente, o código visa a regular situações de comunicação complexa, seu repertório se transforma também: ainda ele se faz portador de relações complexas e não só mais numerosas. Por isso, se a linguagem do trânsito pode ser dominada facilmente por qualquer um, o código verbal, a língua, exige, ao lado dos dicionários, as apresentações normativas, as gramáticas, que indicam o que num período [[lexico:h:historico:start|histórico]] preciso, é permitido ou interdito quanto ao [[lexico:u:uso:start|uso]] do código. Os signos, portanto, que este abriga não podem ser formados ou combinados à [[lexico:v:vontade:start|vontade]]. Os códigos verbais ou extra-verbais, linguísticos ou semiológicos, complexos ou simples, são o conjunto de regras disposto para a comunicação [[lexico:g:geral:start|geral]] (código verbal e, em menor medida, gestual) ou específica (código dos sinais de trânsito, semafóricos, telegráficos, etc.) São os operadores seletivos, isto é, que não utilizam todas as combinações possíveis por seu repertório. Os mais complexos, por sua vez — os de natureza verbal — apresentam unidades meramente diferenciais — os fonemas e unidades carregadas de [[lexico:s:significacao:start|significação]] positiva, que não são apenas os pertencentes ao [[lexico:p:plano:start|plano]] semântico, pois se distribuem por todos os seus planos, com [[lexico:e:excecao:start|exceção]] do fonológico. (Luiz Carlos Lima - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}