===== CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS ===== A [[lexico:d:distribuicao|distribuição]] [[lexico:s:sistematica|sistemática]] em diversas [[lexico:c:categorias|categorias]]. — A. [[lexico:c:comte|Comte]] classificou as ciências segundo o [[lexico:g:grau|grau]] de complexidade de seus objetos: 1.° as matemáticas [[lexico:n:nao|não]] tratam de objetos reais, mas somente de números; 2.° a [[lexico:a:astronomia|astronomia]] trata de números e de objetos que não podemos tocar, cujo curso é portanto imutável; 3.° a [[lexico:f:fisica|física]] trata de números e de objetos infinitamente mais variáveis e mutáveis: podemos agir sobre eles e ordená-los em [[lexico:f:funcao|função]] de nossa [[lexico:e:experimentacao|experimentação]]; 4.° a química acrescenta à complexidade da física reações específicas e qualitativas; 5.° a [[lexico:b:biologia|biologia]] acrescenta à complexidade da química o [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] da [[lexico:v:vida|vida]]; 6.° a [[lexico:s:sociologia|sociologia]], por [[lexico:f:fim|fim]], faz intervir, [[lexico:a:alem|além]] de tudo isso, o [[lexico:e:elemento|elemento]] [[lexico:h:humano|humano]]. Essa [[lexico:c:classificacao|classificação]] segundo a [[lexico:o:ordem|ordem]] de complexidade crescente segue também a ordem cronológica do [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] das ciências: as matemáticas representam a [[lexico:c:ciencia|ciência]] mais antiga e a sociologia, ou ciência do [[lexico:h:homem|homem]], a mais recente. (V. Comte .) (in Classification of sciences; fr. Classification des sciences; al. Klassifikation der Wissenschafte; it. Classificazione delle scienzé). Enquanto uma [[lexico:e:enciclopedia|enciclopédia]] é a tentativa de dar o quadro completo de todas as disciplinas científicas e de fixar de [[lexico:m:modo|modo]] definitivo as suas [[lexico:r:relacoes|relações]] de coordenação e [[lexico:s:subordinacao|subordinação]], uma [[lexico:c:classificacao-das-ciencias|classificação das ciências]] tem só o intuito mais modesto de dividir as ciências em dois ou mais grupos, segundo a [[lexico:a:afinidade|afinidade]] de seus objetos ou de seus instrumentos de [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]]. É óbvio que as enciclopédias das ciências também podem [[lexico:s:ser|ser]] consideradas [[lexico:s:simples|simples]] classificações, mas algumas classificações simples, feitas pelos filósofos do século XIX, foram muito mais eficazes nesse [[lexico:t:trabalho|trabalho]] científico. A mais famosa de todas é a proposta por Ampère, de [[lexico:c:ciencias-do-espirito|ciências do espírito]], ou noológicas, e ciências da [[lexico:n:natureza|natureza]], ou [[lexico:c:cosmo|cosmo]] lógicas (Essai sur la philosophie des sciences, 1834). Essa classificação foi amplamente aceita e, às vezes, reexpressa com outros termos, p. ex., como [[lexico:d:distincao|distinção]] entre ciências culturais e ciências naturais (Du Bois-Reymond, Kulturgeschichte und Naturnissenschaften, 1878). Para a sua difusão a maior contribuição foi de [[lexico:d:dilthey|Dilthey]], que, em Introdução às ciências do [[lexico:e:espirito|espírito]] (1883), insistiu na [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre as ciências que visam conhecer casualmente o [[lexico:o:objeto|objeto]], que permanece [[lexico:e:externo|externo]], isto é, as ciências naturais, e as que, ao contrário, visam [[lexico:c:compreender|compreender]] o objeto (que é o homem) e a revivê-lo intrinsecamente, isto é, as ciências do espírito. [[lexico:w:windelband|Windelband]], por sua vez, fazia distinção entre ciências [[lexico:n:nomoteticas|nomotéticas]] (v. [[lexico:n:nomotetico|nomotético]]), que procuram descobrir leis e dizem [[lexico:r:respeito|respeito]] à natureza, e ciências idiográficas (v. idiográfico), que têm em mira o [[lexico:i:individuo|indivíduo]], em [[lexico:d:determinacao|determinação]] histórica e como objeto a [[lexico:h:historia|história]] ([[lexico:g:geschichte|Geschichte]] und Naturwissenschaften, 1894, e depois nos Präludien). [[lexico:r:rickert|Rickert]] exprimia a mesma diferença com mais [[lexico:f:felicidade|felicidade]] afirmando que as ciências da natureza têm [[lexico:c:carater|caráter]] generalizante, ao passo que as ciências do espírito têm caráter individualizante (Die Grenzen der naturwissenschaftlichen Begriffsbildung, 1896-1902, pp. 236 ss.) (v. [[lexico:h:historiografia|historiografia]]). De [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista, Comte distinguira duas espécies de ciências naturais: as [[lexico:c:ciencias-abstratas|ciências abstratas]] ou gerais, que têm por objeto a [[lexico:d:descoberta|descoberta]] das leis que regem as diferentes classes de fenômenos, e as ciências concretas, particulares, descritivas, que consistem na aplicação dessas leis à história efetiva dos diferentes seres existentes (Cours de phil. positive, 1830, I, II, § 4). [[lexico:s:spencer|Spencer]] retomava essa distinção e, por sua vez, dividia todas as ciências em abstratas ([[lexico:l:logica-formal|lógica formal]] e [[lexico:m:matematica|matemática]]), abstrato-concretas ([[lexico:m:mecanica|mecânica]], física, química) e concretas (astronomia, mineralogia, geologia, biologia, [[lexico:p:psicologia|psicologia]], sociologia) (The Classification of the Sciences, 1864). E [[lexico:w:wundt|Wundt]] simplificava essa classificação, reduzindo-a a dois grupos apenas: o das [[lexico:c:ciencias-formais|ciências formais]] ([[lexico:l:logica|lógica]] e matemática) e o das ciências reais (ciências da natureza e do espírito) (System der Philosophie, 1889). Pouco diferente desta é a classificação triádica de Ostwald em ciências formais, ciências físicas e ciências biológicas (Gundriss der Naturphilosophie, 1908). A distinção entre ciências formais e ciências reais ainda é amplamente aceita. R. Carnap a repropôs com o [[lexico:f:fundamento|fundamento]] de que as ciências formais só conteriam asserções analíticas e as ciências reais, ou factuais, conteriam também asserções sintéticas (em Erkenntniss, 1934, n. 5; [[lexico:a:agora|agora]] em Readings in the Philosophy of Science, 1953, pp. 123 ss.). Como [[lexico:n:nota|nota]] Carnap, assim interpretada, essa classificação deixa intacta a [[lexico:u:unidade|unidade]] da C, pois "as ciências formais não têm absolutamente objeto: são sistemas de asserções auxiliares sem objeto e sem conteúdo" (Ibid., p. 128). Essas últimas [[lexico:p:palavras|palavras]] de Carnap explicam-se tendo em [[lexico:m:mente|mente]] que hoje não se pode conferir caráter [[lexico:a:absoluto|absoluto]] ou rigoroso à distinção entre as várias ciências As palavras seguintes de Von Mises exprimem [[lexico:b:bem|Bem]] o ponto de vista mais corrente sobre o assunto: "Qualquer [[lexico:d:divisao|divisão]] e subdivisão das ciências tem apenas importância prática e provisória, não é sistematicamente necessária e definitiva, isto é, depende das situações externas em que se realiza o trabalho científico e da fase [[lexico:a:atual|atual]] de desenvolvimento de cada [[lexico:d:disciplina|disciplina]]. Os progressos mais decisivos muitas vezes se originaram do esclarecimento de problemas que se encontram nos limites entre setores até então tratados separadamente" (Kleines Lehrbuch des Positivismus, 1939, V, 7).