===== CLASSE SOCIAL ===== [[lexico:c:classe-social:start|classe social]] : O [[lexico:t:termo:start|termo]] é utilizado, num [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:g:geral:start|geral]], para designar [[lexico:t:todo:start|todo]] o conjunto de indivíduos que manifestam características e comportamentos idênticos ou comparáveis. Em sentido restrito, a [[lexico:c:classe:start|classe]] opõe-se às castas, estados ou ordens, marcados pela transmissão hereditária e uma fraca ou nula mobilidade [[lexico:s:social:start|social]]. Designando as grandes linhas das divisões sociais, o termo "classe" levanta questões essenciais concernentes à [[lexico:n:natureza:start|natureza]] dos grupos assim designados e das suas [[lexico:r:relacoes:start|relações]]. Por isso, as teorias sociológicas [[lexico:n:nao:start|não]] deixaram de trazer definições divergentes, que correspondem às suas concepções próprias. A [[lexico:o:obra:start|obra]] de [[lexico:m:marx:start|Marx]] é [[lexico:e:exemplar:start|exemplar]] de uma concepção da classe social que pode qualificar-se de "realista" ([[lexico:a:aron:start|Aron]] 1966). Em ‘[[lexico:o:o-capital:start|O Capital]]’, faz da [[lexico:r:relacao:start|relação]] de [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] a [[lexico:r:relacao-social:start|relação social]] determinante que opõe, no [[lexico:m:modo-de-producao:start|modo de produção]] capitalista, os proprietários dos meios de produção e os proletários detentores unicamente da sua [[lexico:f:forca:start|força]] de [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]]. Entre estas duas classes essenciais, a classe média seria chamada a regredir em [[lexico:n:numero:start|número]] e em importância [[lexico:p:politica:start|política]] à [[lexico:m:medida:start|medida]] do [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da indústria e da intensificação da [[lexico:l:luta:start|luta]] de classes. A classe é assim de definida como o conjunto dos agentes colocados nas mesmas condições no [[lexico:p:processo:start|processo]] de produção. Marx não duvidava de que a luta [[lexico:e:economica:start|econômica]] devesse transformar-se em luta política e numa [[lexico:r:revolucao:start|revolução]] social que provoque o afundamento do [[lexico:m:modo:start|modo]] de produção capitalista e o desaparecimento das classes. A partir de 1831, Alexis de [[lexico:t:tocqueville:start|Tocqueville]], estudando a [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] da [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] americana, descobria, pelo contrário, um [[lexico:a:aumento:start|aumento]] da mobilidade social, a [[lexico:e:extensao:start|extensão]] do [[lexico:i:individualismo:start|individualismo]], a [[lexico:r:regressao:start|regressão]] dos fenômenos de classe (Tocqueville 1835). M. [[lexico:w:weber:start|Weber]] opõe à concepção realista de Marx a [[lexico:c:critica:start|crítica]] que ele [[lexico:p:proprio:start|próprio]] formula a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] de toda a [[lexico:t:transformacao:start|transformação]] dos colectivos em entidades, em sujeitos. A classe social não poderá [[lexico:s:ser:start|ser]] confundida com uma [[lexico:r:realidade:start|realidade]] subjectiva que prossiga objetivos, nem mesmo com uma [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] efetiva. Fiel a este [[lexico:p:principio:start|princípio]], Weber propõe a [[lexico:a:analise:start|análise]] não da classe considerada como uma realidade mas a "[[lexico:s:situacao:start|situação]] de classe", ou seja, a [[lexico:p:probabilidade:start|probabilidade]], a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]], para indivíduos, de manifestar interesses similares, de possuir, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], um monopólio [[lexico:p:positivo:start|positivo]] ou [[lexico:n:negativo:start|negativo]]. Nesta [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]], o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de classe designa apenas o conjunto das pessoas que se encontram na mesma situação ou em condições comparáveis. Outros agrupamentos podem ser também socialmente importantes, tais como os conjuntos de estatutos, as comunidades ou os agrupamentos profissionais. Entre estas duas posições opostas, realista e nominalista, numerosíssimas pesquisas teóricas propuseram que se definissem as classes segundo critérios opostos de [[lexico:d:diferenciacao:start|diferenciação]]: a [[lexico:d:divisao-do-trabalho:start|divisão do trabalho]] social, por exemplo, o nível dos rendimentos, a desigualdade de detenção dos poderes, os tipos de [[lexico:v:vida:start|vida]], os comportamentos culturais, ou ainda as diferenças na [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] dos prestígios. Também se propôs a diferenciação segundo os sexos, retendo o termo "classe sexual" (Balandier 1974). Estas diferentes concepções das classes sociais distinguem-se assim pelo [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de fenômenos que consideram como o mais importante para diferenciar esses agrupamentos. Uma concepção estruturalista do [[lexico:e:espaco:start|espaço]] social, que estuda os fenômenos de [[lexico:r:reproducao:start|reprodução]] das posições sociais e das desigualdades, propõe-se analisar os mecanismos e as estratégias de renovação das classes na sua hierarquia e na sua [[lexico:d:distincao:start|distinção]] (Bourdieu 1979). A este [[lexico:e:estruturalismo:start|estruturalismo]] [[lexico:g:genetico:start|genético]] atribuir-se-á também a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] de desvendar as estratégias pelas quais os agentes de diferentes classes, portadores da sua [[lexico:c:cultura:start|cultura]] de classe, renovam as diferenças e as distinções que os separam e os hierarquizam. Neste sentido, as classes sociais são definidas como o [[lexico:l:lugar:start|lugar]] das determinações essenciais dos comportamentos, dos modelos de [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] e de [[lexico:a:acao:start|ação]] de todos os agentes sociais. Uma concepção [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]] das sociedades globais que considera a sociedade como um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] de ação (Touraine 1973) propõe que se oponha a classe dirigente e as classes dirigidas. Numa tal concepção, a classe social encontra-se definida pelas relações de poder, pelos meios de gestão, dos quais ela será o ator ou o objecto. A classe é então definida pelo lugar que ocupa no sistema de ação. Uma concepção resolutamente individualista da [[lexico:s:sociologia:start|sociologia]] (Boudon 1979) apela a que se tomem como princípio de [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] as condutas individuais e as próprias razões dos indivíduos. Numa tal perspectiva, interrogar-nos-emos sobre os efeitos das posições nas opções individuais, mas repudiando toda a concepção "realista" da classe. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}