===== CIÊNCIA DOS FINS ===== Passou o [[lexico:t:tempo|tempo]] em que as ciências normativas tinham [[lexico:l:lugar|lugar]] na [[lexico:c:classificacao|classificação]]. Eram, [[lexico:c:como-se|como se]] sabe, a [[lexico:l:logica|lógica]], a [[lexico:e:estetica|estética]], a [[lexico:e:etica|ética]]. [[lexico:n:nao|Não]] há que voltar a discutir este [[lexico:e:erro|erro]]. Nem a lógica, onde à bivalência clássica se juntam hoje estruturas de [[lexico:v:valencia|valência]] [[lexico:s:superior|superior]], nem a estética, depois da ruína de velhas pretensões normativas — a [[lexico:h:historia|história]] da [[lexico:a:arte|arte]] basta para demonstrá-lo —, nem sequer a ética, salvo de um [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida dogmático e [[lexico:t:transcendente|transcendente]] — o que desde logo destrói qualquer pretensão científica —, são ciências normativas; não em [[lexico:p:particular|particular]], como caraterística especial ou de [[lexico:g:grupo|grupo]], mas no [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:g:geral|geral]], porque a [[lexico:n:norma|norma]] começa onde a [[lexico:c:ciencia|ciência]] acaba. Há «normas científicas» (pela [[lexico:o:origem|origem]]), não há «ciências normativas». Uma [[lexico:c:ciencia-dos-fins|ciência dos fins]] não é mais [[lexico:p:possivel|possível]] do que uma ciência das [[lexico:c:causas|causas]]. Quanto aos fins, a única ciência possível... é a dos meios. £ o que se chama uma [[lexico:t:tecnica|técnica]]. [...] Se uma ciência dos fins fosse possível (e só ela poderia ter «leis finais»), os fins teriam uma [[lexico:r:regularidade|regularidade]], uma quase uniformidade que lhes [[lexico:f:falta|falta]]. O [[lexico:f:fato|fato]] é [[lexico:a:analogo|análogo]] àquele de que [[lexico:f:fala|fala]] [[lexico:s:schopenhauer|Schopenhauer]] a propósito da [[lexico:m:metafisica|metafísica]]: «Se a [[lexico:r:razao|razão]] fosse uma [[lexico:f:faculdade|faculdade]] e a metafísica o seu [[lexico:f:fim|fim]] ... capaz de fornecer noções para [[lexico:a:alem|além]] da [[lexico:e:experiencia|experiência]], deveria encontrar-se, entre os homens, na metafísica e na [[lexico:r:religiao|religião]] ([[lexico:o:o-que-e|o que é]] o mesmo) o [[lexico:a:acordo|acordo]] que se encontra nas questões matemáticas. Ora acontece exatamente o contrário.» Vieira de Almeida, Pontos de [[lexico:r:referencia|Referência]], 1961, pp. 106-107.