===== CETICISMO PSICOLOGISTA ===== O [[lexico:p:psicologismo:start|psicologismo]] contra o qual [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] [[lexico:l:luta:start|luta]] identifica [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] e sujeito [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]]. Afirma que o [[lexico:j:juizo:start|juízo]] "essa parede é amarela" [[lexico:n:nao:start|não]] é uma [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] [[lexico:i:independente:start|independente]] de mim, que o expresso e percebo essa parede. Diremos que "parede", "amarela" são [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] definíveis em [[lexico:e:extensao:start|extensão]] e em [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] independentemente de [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] [[lexico:c:concreto:start|concreto]]. Será, pois, [[lexico:n:necessario:start|necessário]] conferir-lhes uma [[lexico:e:existencia:start|existência]] em si, [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]] ao sujeito e ao [[lexico:r:real:start|real]]? As contradições de [[lexico:r:realismo:start|realismo]] das [[lexico:i:ideias:start|ideias]] (platônico por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]]) são inevitáveis e insolúveis. Mas, se ao menos admitimos o [[lexico:p:principio-de-contradicao:start|princípio de contradição]] como [[lexico:c:criterio:start|critério]] para a [[lexico:v:validade:start|validade]] de uma [[lexico:t:tese:start|tese]] (no caso platônica), não estaremos afirmando a independência em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao pensamento concreto? Passamos assim do [[lexico:p:problema:start|problema]] da [[lexico:m:materia:start|matéria]] [[lexico:l:logica:start|lógica]], o [[lexico:c:conceito:start|conceito]], ao problema de sua organização, os [[lexico:p:principios:start|princípios]]. Mas o psicologismo não se rende nesse [[lexico:p:ponto:start|ponto]]. Quando o [[lexico:l:logico:start|lógico]] supõe que duas proposições contrárias não podem [[lexico:s:ser:start|ser]] verdadeiras simultaneamente ele está apenas exprimindo que me é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] de [[lexico:f:fato:start|fato]], no nível do [[lexico:v:vivido:start|vivido]] pela [[lexico:c:consciencia:start|consciência]], acreditar que a parede seja amarela e verde. A validade dos grandes princípios funda-se sobre minha organização psíquica, e se são indemonstráveis é porque são inatos. Disto decorre evidentemente que não existe enfim [[lexico:v:verdade:start|verdade]] independente dos passos psicológicos que a ela conduzem. Como poderei [[lexico:s:saber:start|saber]] se meu saber se adequa a seu [[lexico:o:objeto:start|objeto]], como o exige a concepção clássica de [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]? Qual é o [[lexico:s:sinal:start|sinal]] de sua [[lexico:a:adequacao:start|adequação]]? Necessariamente, um determinado "[[lexico:e:estado:start|Estado]] de consciência" pelo qual qualquer [[lexico:i:indagacao:start|indagação]] sobre o objeto do qual existe saber se mostra supérfluo: a [[lexico:c:certeza:start|certeza]] subjetiva. Assim, o conceito era algo vivido, o [[lexico:p:principio:start|princípio]] uma [[lexico:c:condicao:start|condição]] [[lexico:c:contingente:start|contingente]] do [[lexico:m:mecanismo:start|mecanismo]] psicológico, a verdade uma [[lexico:c:crenca:start|crença]] coroada de êxito. Sendo o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:s:saber-cientifico:start|saber científico]] [[lexico:r:relativo:start|relativo]] à nossa organização, nenhuma [[lexico:l:lei:start|lei]] poderia ser considerada absolutamente verdadeira mas tão-somente uma [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] em via de [[lexico:v:verificacao:start|verificação]] sem [[lexico:f:fim:start|fim]], a eficácia das operações ([[lexico:p:pragma:start|pragma]]) que ela torna possíveis definia sua validade. A [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] teceria portanto uma rede de [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]] cômodos ([[lexico:e:energia:start|energia]], [[lexico:f:forca:start|força]], etc.) com que veste o [[lexico:m:mundo:start|mundo]]; seu [[lexico:u:unico:start|único]] [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] seria então estabelecer entre esses símbolos [[lexico:r:relacoes:start|relações]] constantes que permitam a [[lexico:a:acao:start|ação]]. O problema de um conhecimento do mundo propriamente [[lexico:d:dito:start|dito]] não se propunha. Não se podia mais afirmar um [[lexico:p:progresso:start|progresso]] desse conhecimento no decorrer da [[lexico:h:historia:start|história]] da ciência: a história é um [[lexico:d:devir:start|devir]] sem [[lexico:s:significado:start|significado]] determinado, um acúmulo de tentativas e de erros. É portanto necessário renunciar a propor problemas à ciência para os quais não existe resposta. Enfim, a [[lexico:m:matematica:start|matemática]] é um vasto [[lexico:s:sistema-formal:start|sistema formal]] de símbolos estabelecidos convencionalmente e de axiomas operatórios sem conteúdo limitativo: tudo aí é [[lexico:p:possivel:start|possível]] à nossa [[lexico:f:fantasia:start|fantasia]] (Poincaré). A verdade matemática define-se ela própria segundo o referencial de axiomas escolhidos de início. Todas essas teses convergem para o [[lexico:c:ceticismo:start|ceticismo]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}