===== CARACTERES DA VIDA ===== VIDE [[lexico:o:ontologia-da-vida:start|ontologia da vida]] O primeiro [[lexico:c:carater:start|caráter]] que encontramos na [[lexico:v:vida:start|vida]] é o da ocupação. [[lexico:v:viver:start|viver]] é ocupar-se; viver é fazer; viver é praticar. A vida é uma ocupação com as [[lexico:c:coisas:start|coisas]]; quer dizer um manejo das coisas, um tirar e [[lexico:p:por:start|pôr]] coisas, um andar entre coisas, um fazer com as coisas isto ou aquilo. Se prestamos [[lexico:a:atencao:start|atenção]] um [[lexico:i:instante:start|instante]] naquilo que é ocupação com coisas, encontramos essa outra surpresa: que a ocupação com coisas [[lexico:n:nao:start|não]] é propriamente ocupação mas [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]]. Ocupar-se, fazer algo segue imediatamente ao preocupar-se, ao ocupar-se previamente com o [[lexico:f:futuro:start|futuro]]. E é [[lexico:e:extraordinario:start|extraordinário]] que a vida comece por preocupar-se para ocupar-se; que a vida comece sendo uma preocupação do futuro, que não existe, para depois acabar sendo uma ocupação no presente que existe. Se a vida é ocupação preocupativa, ocupação de uma vida que está preocupada então diremos que por [[lexico:e:essencia:start|essência]] a vida é não—indiferença. A vida não é indiferente; à vida não é indiferente [[lexico:s:ser:start|ser]] ou não ser; não lhe é indiferente ser isto ou aquilo. As [[lexico:c:coisas-reais:start|coisas reais]], os objetos ideais — que, são entes, porém não o [[lexico:e:ente:start|ente]] [[lexico:p:primario:start|primário]] e [[lexico:a:autentico:start|autêntico]] que é a vida, mas entes secundários, que estão na vida — são [[lexico:i:indiferentes:start|indiferentes]]. A pedra não se importa com ser ou não ser; o [[lexico:t:triangulo:start|triângulo]] retângulo não se importa com ser ou não ser. E são indiferentes não somente quanto às suas existências — não se importam com [[lexico:e:existir:start|existir]] ou não existir — mas também são indiferentes quanto à sua [[lexico:c:consistencia:start|consistência]] ou essência. Não somente não se importam com ser, mas também não se importam com ser isto ou aquilo. Porém a vida é justamente o contrário; a vida é a não-indiforcnça. Ou, [[lexico:d:dito:start|dito]] de [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:m:modo:start|modo]], o [[lexico:i:interesse:start|interesse]]. A vida se interessa: primeiro, com ser, e segundo, com ser isto ou ser aquilo; interessa-se com exjstir e consistir. Digamo-lo de modo talvez mais claro. Pense cada um em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]. Vivermos não é somente existirmos (que já nos interessa muito); [[lexico:a:alem:start|além]] disso, vivermos é vivermos de certa maneira, E existem momentos na [[lexico:h:historia:start|história]] em que o interesse por essa certa maneira de viver é tão grande, que encontramos episódios históricos de povos, homens, coletividades ou indivíduos, que preferem morrer, a viver de outra maneira daquela como querem viver. O [[lexico:p:poeta:start|poeta]] latino Juvenal o exprimia dizendo aos patrícios degenerados de sua [[lexico:e:epoca:start|época]] que sacrificavam ao [[lexico:a:amor:start|amor]] de viver as [[lexico:c:causas:start|causas]] que tornam digno o viver: "Et propter vitam, vivendi perdere causas". Como pode [[lexico:t:ter:start|ter]] interesse em ser aquilo que já é? Todavia, a vida é de tal índole e [[lexico:n:natureza:start|natureza]], que, mesmo sendo ou existindo, tem interesse por existir, e por existir de tal ou qual modo. A vida nos apresenta esta [[lexico:a:aparente:start|aparente]] [[lexico:c:contradicao:start|contradição]]: que a vida nos é e não nos é dada. Ninguém se dá a vida a si mesmo. Nós nos encontramos na vida; nosso [[lexico:e:eu:start|eu]] se encontra na vida. Quando refletimos e nos dizemos: eu vivo, não sabemos como vivemos, nem por que nem [[lexico:q:quem:start|quem]] nos deu a vida. Sabemos apenas que vivemos. Por conseguinte, de certo modo, a vida nos é dada. Porém essa mesma vida que nos é dada temos que fazê-la nós. Algo temos que fazer para viver. A vida nos foi dada, mas para seguir vivendo temos que fazer algo, temos que ocupar-nos em algo, temos que desenvolver [[lexico:a:atividades:start|atividades]] para viver. Todavia, a vida que nos foi dada está por sua vez por fazer. A vida nos apresenta constantemente problemas vitais para viver, que há que resolver. A vida temos que fazê-la, e em castelhano temos uma [[lexico:p:palavra:start|palavra]] para designar isto: a vida é um "que hacer". E chegamos a outro [[lexico:p:paradoxo:start|paradoxo]] maior: no magnífico e formidável [[lexico:p:problema:start|problema]] que r [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], desde séculos, vem estudando sob o [[lexico:n:nome:start|nome]] de [[lexico:l:liberdade-e-determinismo:start|liberdade e determinismo]], a [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] e o [[lexico:d:determinismo:start|determinismo]] são dois termos contrapostos. Ou a [[lexico:v:vontade:start|vontade]] é livre e pode fazer o que quiser, ou a vontade está determinada por leis, e então aquilo que a vontade resolve fazer é já um [[lexico:e:efeito:start|efeito]] de causas, e, portanto, está integralmente determinada, como o percurso da bola de bilhar pela mesa está determinado mecanicamente pela [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] de movimentos recebidos do taco e pelo rumo e direção que se lhe deu. Pois [[lexico:b:bem:start|Bem]]: se nós equacionamos o problema de liberdade ou determinismo, no caso da vida, diremos que nós na nossa vida somos livres, podemos fazer ou não fazer, podemos fazer isto ou aquilo, que a vida pode fazer isto ou aquilo. Mas tem que fazer algo forçosamente para ser, temos que fazer; para vivermos, temos que fazer nossa vida. Quer dizer, para vivermos livres, para vivermos livremente, para sermos livres vivendo, temos necessariamente que fazer essa liberdade, [[lexico:d:dado:start|dado]] que a vida é algo a fazer. Quer dizer, que a liberdade, no seio da vida, coexiste irmanada com a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]]; é liberdade necessária. Como vamos resolver estas contradições? Não as podemos solucionar quando aplicamos à [[lexico:r:realidade:start|realidade]] [[lexico:e:existencial:start|existencial]], à [[lexico:e:existencia:start|existência]] total, à vida, os [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] estáticos e quietos que derivamos das coisas secundárias na [[lexico:l:logica:start|lógica]] de [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]]. Temos que tomar, pois, essas metafísico que é a vida. Essas que parecem contradições, parecem contradições a um [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]] cuja [[lexico:i:ideia:start|ideia]] do ser está tomada do ser desta lâmpada. Um intelecto, porém, cuja ideia do ser fosse tirada do contradições como [[lexico:e:expressao:start|expressão]] do caráter [[lexico:o:ontico:start|ôntico]], [[lexico:p:proprio:start|próprio]] deste [[lexico:o:objeto:start|objeto]] ser da vida teria conceitos capazes de fazer conviver sem contradição aquilo que em nossas grosseiras expressões chamamos contradições na vida. VIDE [[lexico:v:vida-e-tempo:start|vida e tempo]] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}