===== CALÚNIA ===== Devemos citar aqui, para concluir, um [[lexico:t:texto|texto]] talmúdico em que se podería [[lexico:p:pensar|pensar]] quando, em páginas muito brilhantes deste livro, se trata da [[lexico:t:terra|Terra]] como um [[lexico:m:movimento|movimento]] [[lexico:e:essencial|essencial]] da άλήθεια, da terra que desabrocha ou faz remontar ao Geviert as [[lexico:c:coisas|coisas]] que exprimem o [[lexico:m:mundo|mundo]]? Na p. 15 do tratado Arakhin do [[lexico:t:talmude|Talmude]] de Babilônia, discute-se o [[lexico:p:problema|problema]] modestamente ético da calúnia. Problema modestamente ético, se se quiser. Na [[lexico:r:realidade|realidade]], pensemos no poder e na propaganda onde ela se torna uma [[lexico:q:questao|questão]] de [[lexico:v:vida|vida]] ou de [[lexico:m:morte|morte]]. [[lexico:b:bem|Bem]] entendido, os doutores do Talmude estão contra a maledicência e a calúnia. Mas como justificar as suas certezas? Por um versículo das Escrituras, bem entendido. Mas, discutindo uma questão, estes doutores — [[lexico:n:nao|não]] menos que [[lexico:a:anaximandro|Anaximandro]] — sugerem algumas outras. Como é que sabem, então, que a calúnia é má? Em Números, XIV, 3 7, os exploradores da Terra Santa enviados por Moisés em [[lexico:r:reconhecimento|reconhecimento]] dizem o pior [[lexico:p:possivel|possível]] da terra esperada. O versículo xiv, 37, diz-nos, então, que os maledicentes foram punidos com a morte. É seguro que a sua morte não se explica de outra maneira? Não e não. O versículo xiv, 16, di-lo com todas as letras: a calúnia valeu a esses homens a [[lexico:p:pena|pena]] [[lexico:c:capital|capital]]. Mas a lição dos doutores é outra: se caluniar uma terra que, afinal de contas, não é mais do que «pedras e árvores» vale a morte para os caluniadores, como é grave, [[lexico:a:a-fortiori|a fortiori]], uma calúnia que toca pessoas humanas! Mas a lição ainda é outra: está no a fortiori; a [[lexico:p:pessoa|pessoa]] é mais santa do que uma terra, mesmo quando a terra é a Terra Santa. Ao lado de uma pessoa ofendida, essa terra — santa e prometida — é apenas nudez e deserto, um monte informe de florestas e de pedras. [Levinas, prefácio a Zarader]