===== BENJAMIN ===== Walter Bendix Schönflies Benjamin (1892-1940) Ensaísta alemão (Berlim 1892-fronteira da Espanha com a França 1940). Foi em sua juventude amigo do hebraísta Gerhard Scholem, que o introduziu no [[lexico:e:estudo:start|estudo]] da [[lexico:m:mistica:start|mística]] hebraica, assim como do conhecido pensador Ernst Bloch. Estudou em Berlim, Freiburg e em Mônaco. Laureou-se em Berna (1918) com a dissertação [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de [[lexico:c:critica:start|Crítica]] de [[lexico:a:arte:start|arte]] no [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]] Alemão. Entre 1923 e 25 trabalha na [[lexico:t:tese:start|tese]] [[lexico:o:origens:start|origens]] do [[lexico:d:drama:start|drama]] Alemão, publicada em 1928, com que espera receber a habilitação em [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] pela Universidade de Frankfurt. A tese é entretanto rejeitada. Sob [[lexico:i:influencia:start|influência]] de [[lexico:l:lukacs:start|Lukács]], aproxima-se do comunismo. Liga-se a [[lexico:a:adorno:start|Adorno]] e Horkheimer, com eles, e ainda [[lexico:m:marcuse:start|Marcuse]], constitui os nomes mais famosos da chamada [[lexico:e:escola:start|escola]] de Frankfurt. Do ponto-de-vista de estudo da [[lexico:s:situacao:start|situação]] contemporânea da arte, Benjamin é entretanto a [[lexico:f:figura:start|figura]] mais importante do [[lexico:g:grupo:start|grupo]]. Com o advento do nazismo, escreveu durante algum [[lexico:t:tempo:start|tempo]] sob pseudônimo, até [[lexico:s:ser:start|ser]] obrigado a emigrar. Reúne-se em Paris a Adorno e Horkheimer. Torna-se membro do Instituí für Sozialforschung ("Instituto de Pesquisas Sociais") que os amigos emigrados haviam transferido de Frankfurt para aquela [[lexico:c:cidade:start|cidade]]. Colabora na revista do mesmo (Zeitschrift für Sozialforschung). É aí, em 1936, que publica seu ensaio fundamental sob o ângulo da [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]]: Das Kunstwerk im Zeitalter seiner technischen Reproduzierbarkeit ("A [[lexico:o:obra:start|obra]] de arte na [[lexico:e:epoca:start|época]] de sua reprodutibilidade [[lexico:t:tecnica:start|técnica]]"), assim como [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:n:nao:start|não]] menos [[lexico:r:relevante:start|relevante]], sobre Baudelaire (1939). Trabalha então na obra em que deposita sua maior confiança, Paris. [[lexico:c:capital:start|capital]] do século XIX. Desta entretanto chegou a compor apenas algumas partes. O ensaio, constelação de fragmentos, a julgar pelo que dispomos, apresenta em articulação gráfica o clima sob que se formava a grande metrópole. Ante a invasão alemã da França, Benjamin procura, com um grupo de refugiados, atravessar os Pirineus. Capturados pela polícia espanhola, ameaçados de serem entregues a Gestapo, Benjamin prefere o [[lexico:s:suicidio:start|suicídio]]. — Grande [[lexico:p:parte:start|parte]] de seus [[lexico:e:ensaios:start|Ensaios]] foi publicada em 1959, sob a [[lexico:r:responsabilidade:start|responsabilidade]] de Adorno , com o [[lexico:n:nome:start|nome]] de Schriften ("Escritos"). Mais recentemente, 1969, foi editada uma antologia de artigos seus sobre a obra de seu amigo Brecht, Versuche über Brecht ("Ensaios sobre Brecht"). — Formulador da [[lexico:e:estetica:start|estética]] do fragmento, só na última década, graças às edições alemães e traduções italiana, francesa e norte-americana, Benjamin se torna um nome conhecido, No Brasil, a [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] mais [[lexico:c:consequente:start|consequente]] encontra-se no livro de J.G. [[lexico:m:merquior:start|Merquior]], Arte e [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] em Marcuse, Adorno e Benjamin (1969). Sob o prisma da comunicação são fundamentais os ensaios "Pequena [[lexico:h:historia:start|história]] da fotografia" (1931) e já citada "A obra de arte. . ." (1936). Neles, o autor desenvolve a tese que os procedimentos de [[lexico:r:reproducao:start|reprodução]] técnica feriam mortalmente a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da [[lexico:u:unicidade:start|unicidade]] da obra, a qual fazia com que esta se revestisse de um halo que a distinguia: a aura. A aura do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de arte dependia portanto de seu hic et nunc. A obra se individualizava do mesmo [[lexico:m:modo:start|modo]] que os grandes personagens: seu [[lexico:v:valor:start|valor]] estava na [[lexico:r:relacao:start|relação]] direta de sua raridade. A aura assim, ao mesmo tempo que assegurava uma [[lexico:f:funcao:start|função]] para o objeto de arte, o envolvia numa atmosfera aristocratizante-religiosa que obscurecia a sua qualificação mesma de arte. Desta maneira, ao desaparecimento da aura, por [[lexico:e:efeito:start|efeito]] de sua multiplicação técnica, passam a corresponder efeitos tanto sociais quanto estéticos Sob o primeiro [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]], a arte perde sua [[lexico:p:propensao:start|propensão]] aristocrática, do ponto-de-vista estético, a [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] desinteressada é substituída pela [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] da arte como contato, [[lexico:p:participacao:start|participação]] e [[lexico:d:divertimento:start|divertimento]]. A [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] de Benjamin, que não deixa de se relacionar com as do jovem Brecht, contrasta com a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] de seus ex-companheiros Adorno e Marcuse. Os intérpretes mais agudos, porém, não se têm limitado a constatar esta flagrante [[lexico:c:contradicao:start|contradição]]. É dentro do [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Benjamin que descobrem uma colação ambígua sobre o [[lexico:p:problema:start|problema]]. Tanto em ensaios anteriores, quanto no estudo sobre Baudelaire, Benjamin formula em traços menos otimistas a situação contemporânea da arte e do [[lexico:a:artista:start|artista]]. A [[lexico:q:questao:start|questão]] que se põe diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] aos efeitos resultantes da [[lexico:m:morte:start|morte]] do "[[lexico:i:individuo:start|indivíduo]]" no século XX. Esta morte seria um [[lexico:s:sinal:start|sinal]] [[lexico:p:positivo:start|positivo]] quanto à [[lexico:l:libertacao:start|libertação]] do [[lexico:h:homem:start|homem]] ou não? O problema não podia fugir de uma empostação [[lexico:p:politica:start|política]]. É nestes termos que Benjamin a coloca. A [[lexico:c:cultura-de-massa:start|cultura de massa]] — entendida em seu [[lexico:s:sentido:start|sentido]] literal — seria um [[lexico:s:sintoma:start|sintoma]] positivo. Ela abrigaria, conforme ele implicitamente a concebe, o experimentalismo de Brecht, de Eisenstein, de Maiakovski, o [[lexico:h:humor:start|humor]] triste de Carlitos. Contra ela, a resposta do fascismo seria a "estetização da arte". A [[lexico:a:ambiguidade:start|ambiguidade]] de Benjamin, por outro lado, se explica pela [[lexico:f:falta:start|falta]] de um maior inter-relacionamento entre as possibilidades oferecidas pelos processos de reprodução e a [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de [[lexico:a:absorcao:start|absorção]] do [[lexico:s:sistema:start|sistema]] capitalista. Adorno simplificaria o problema ao absolutizar a [[lexico:p:potencia:start|potência]] neutralizadora do sistema. Na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], entretanto, nem esta se justifica como muito menos se justificou a arrebatada [[lexico:e:esperanca:start|esperança]] de Benjamin. O que vale dizer: sua ambiguidade permanece até hoje não desmanchada, pois não resulta de uma deficiência do analista, mas sim de um impasse da história. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}