===== ATRIBUIÇÃO ===== Os [[lexico:e:elementos|elementos]] gramaticais da [[lexico:e:enunciacao|enunciação]] são, nós o sabemos, o [[lexico:s:sujeito|sujeito]] (S), a cópula (C) e o [[lexico:p:predicado|predicado]] (P). O sujeito e o predicado são os elementos materiais da enunciação, enquanto que a cópula, que representa um papel [[lexico:a:analogo|análogo]] ao da [[lexico:f:forma|forma]] que determina a [[lexico:m:materia|matéria]], pode [[lexico:s:ser|ser]] considerado como o seu [[lexico:e:elemento|elemento]] [[lexico:f:formal|formal]]. Considerada em sua [[lexico:u:unidade|unidade]], a enunciação, [[lexico:e:expressao|expressão]] do [[lexico:j:julgamento|julgamento]], apresenta-se essencialmente como uma atribuição, praedicatio, quer dizer como a conjunção ou a [[lexico:d:disjuncao|disjunção]] de dois extremos, segundo haja ou [[lexico:n:nao|não]] conveniência entre eles. "Pedro é musico": quando [[lexico:e:eu|eu]] pronuncio esta enunciação, eu atribuo a [[lexico:q:qualidade|qualidade]] de "músico" (P) a "Pedro" (S) . O [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista inteiramente formal visado pelo [[lexico:l:logico|lógico]] no julgamento é, portanto, a [[lexico:r:relacao|relação]] de conveniência ou de não conveniência entre os dois termos, a qual fundamenta a atribuição efetiva. Segundo a [[lexico:n:natureza|natureza]] desta relação, pode-se distinguir vários modos de atribuição. Quando o sujeito e o predicado são absolutamente semelhantes, tem-se a praedicatio identica ou atribuição do mesmo ao mesmo "o [[lexico:h:homem|homem]] é homem". Quando o sujeito e o predicado, apesar de convir um ao [[lexico:o:outro|outro]] em um mesmo sujeito, não são formalmente idênticos, tem-se a praedicatio formalis: é a atribuição [[lexico:n:normal|normal]] "o homem é um bípede". Este segundo [[lexico:m:modo|modo]] de atribuição se subdivide em praedicatio essentialis (per se) e em praedicatio accidentalis ([[lexico:p:per-accidens|per accidens]]), segundo o predicado convenha ao sujeito em [[lexico:r:razao|razão]] de sua [[lexico:e:essencia|essência]], necessariamente ou não (contingentemente). A atribuição formal [[lexico:e:essencial|essencial]], ou necessária, é evidentemente aquela que pode interessar ao lógico, porque da atribuição idêntica [[lexico:n:nada|nada]] se pode tirar, e a atribuição acidental está fora da [[lexico:c:certeza|certeza]] científica. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], em seguida a [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] (11 Anal., 1, 1. 10), analisa com cuidado [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:tipo|tipo]] de atribuição e nele distingue vários modos, segundo o predicado exprima a própria essência do sujeito ou um elemento que se liga necessariamente a ela. É a famosa [[lexico:t:teoria|teoria]] dos quatuor modi dicendi per se (não se diz praedicandi, porque somente três destes modos podem ser atribuídos). O primeiro modo, primus modus dicendi per se, corresponde ao caso em que o predicado pertença à própria essência do sujeito, seja exprimindo-a totalmente ([[lexico:d:definicao|definição]]: o homem é [[lexico:a:animal|animal]] [[lexico:r:racional|racional]]"), seja exprimindo-se somente em [[lexico:p:parte|parte]]: "o homem é animal", "o homem é racional". O segundo modo, secundus modus dicendi per se, corresponde ao caso em que o predicado exprime uma [[lexico:p:propriedade|propriedade]] da essência: "o homem têm o poder de rir". O [[lexico:t:terceiro|terceiro]] modo, tertius modus dicendi per se, não é, como observa Tomás de Aquino, um modo de atribuição mas de [[lexico:e:existencia|existência]]: é a [[lexico:d:designacao|designação]] do modo de [[lexico:r:realidade|realidade]] da [[lexico:s:substancia|substância]] que existe [[lexico:p:por-si|por si]] própria e não em um outro e não pode, por este [[lexico:f:fato|fato]], ser atribuída a nenhum outro: "Pedro". O quarto modo, quartus modus dicendi per se, temi ligação com a relação de [[lexico:c:causalidade|causalidade]] eficiente; o predicado, ou antes, o [[lexico:v:verbo|verbo]] predicado, exprime a causalidade própria do sujeito que lhe é assim atribuído: "o pintor pinta", " o médico [[lexico:c:cura|cura]]". [[lexico:a:alem|Além]] dessa relação dos modos de predicação, Tomás de Aquino, observando que um [[lexico:c:conceito|conceito]] pode ser tomado concretamente "homem", ou abstratamente "[[lexico:h:humanidade|humanidade]]", estabeleceu as regras a aplicar quando o sujeito e o predicado são concretos ou abstratos. Pode-se dizer, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]]: "o homem é animal", "a humanidade é animalidade", mas não "o homem é a animalidade". Entretanto, é correto dizer-se: "[[lexico:d:deus|Deus]] é sua divindade".