===== ATO HUMANO ===== A [[lexico:l:lei:start|lei]] do “maior proveito com menor [[lexico:e:esforco:start|esforço]]” é uma constante [[lexico:u:universal:start|universal]] cósmica, que pode [[lexico:s:ser:start|ser]] encontrada na Físico-química, na [[lexico:b:biologia:start|biologia]] e também na [[lexico:e:esfera:start|esfera]] psicológica, [[lexico:e:etica:start|ética]], sociológica, como na [[lexico:e:economica:start|econômica]]. Para alguns é chamada de “lei da [[lexico:e:economia:start|economia]]”, e como pode ser aplicada em todas as esferas das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] cósmicas é uma lei universal, cuja validez, no entanto, poderíamos procurar, embora [[lexico:n:nao:start|não]] o façamos imediatamente. Mas a economia, que nos interessa examinar, é a [[lexico:s:social:start|social]], a economia humana, também chamada [[lexico:p:politica:start|política]] por muitos, ou seja a do ser [[lexico:h:humano:start|humano]] em [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]], a que se refere à consecução com o menor esforço [[lexico:p:possivel:start|possível]] de [[lexico:b:bens:start|bens]] aptos a satisfazerem plenamente, cada vez mais, as necessidades humanas. O [[lexico:f:fato:start|fato]] econômico pode, de certo [[lexico:m:modo:start|modo]], ser considerado fora do âmbito antropológico, como o germinar de plantas que darão frutos. Mas se o [[lexico:a:ato:start|ato]] da colheita pelo [[lexico:h:homem:start|homem]] é um ato econômico, o germinar das plantas e darem frutos são fatos da Biologia, da [[lexico:f:fisiologia:start|fisiologia]] e da Botânica. Mas, na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], consideram-se como fatos econômicos todos os fatos cósmicos que podem ser incluídos no âmbito da Economia; ou seja, que se referem ao homem em [[lexico:f:funcao:start|função]] da produção e da satisfação das necessidades. Deste modo, o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] dos [[lexico:a:atos-humanos:start|atos humanos]] torna-se imprescindível para a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] fundamental da Economia, o que comprova, de modo decisivo, que a inclusão, pelos antigos, da Economia na Ética, como [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] ética, tinha a [[lexico:m:maxima:start|máxima]] validez, como ainda veremos. Embora muitos não gostem de aceitá-lo, e outros em suas atitudes ponham-no em [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], o ser humano distingue-se essencialmente dos animais. Possui aquele uma [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]], que o leva a realizar atos que os animais não são capazes de fazê-lo. A [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]], no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:c:classico:start|clássico]] do [[lexico:t:termo:start|termo]], distingue essencialmente o homem de os animais, e só, e apenas, se pode chamar de [[lexico:a:ato-humano:start|ato humano]] aquele que não é [[lexico:a:animal:start|animal]]. O ato humano, para ser tal, é mister que seja deliberado pela [[lexico:v:vontade:start|vontade]], do contrário não se distingue do ato [[lexico:i:irracional:start|irracional]], [[lexico:p:proprio:start|próprio]] dos animais. A vontade pode deliberar, realizá-lo ou permiti-lo. E essa [[lexico:d:deliberacao:start|deliberação]] consiste na [[lexico:e:escolha:start|escolha]] fundada numa cognição. Constituem-no, portanto, a voluntariedade, a cognição e a [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]]. A cognição dá-lhe as notas, o [[lexico:s:saber:start|saber]] sobre a [[lexico:m:materia:start|matéria]] do ato; a vontade, a [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de escolha e de resolução, e a liberdade, a capacidade de [[lexico:p:por:start|pôr]] ou não em execução o ato. Caracteriza o ato propriamente humano a cognição que voluntariamente realiza ou não um ato frustrável. A frustrabilidade é um [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] de máxima importância. Ora, o que também caracteriza o ato ético é a frustrabilidade. Se observarmos os fatos físico-químicos, neles não encontramos frustrabilidade espontânea qualquer. Não vemos o hidrogênio, ora proceder deste modo, ora daquele, quando as condições circunstanciais são as mesmas. Não há frustrabilidade nos fatos da Físico-química. Mas, os há nos fatos éticos. A frustrabilidade permite-nos até construir uma [[lexico:d:divisao:start|divisão]] das ciências: aquelas em que há frustrabilidade, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] próprio das ciências culturais, pois estas, tendo como [[lexico:o:objeto:start|objeto]] material os atos humanos, incluem-na; e as ciências da infrustrabilidade, que são as naturais, como a Físico-química, a Biologia, a Fisiologia, etc. Há frustrabilidade onde o homem se realiza como homem, porque pode ele, pela sua vontade, impedir a atualização de possibilidades. Quando um animal opõe uma barreira à água que corre, e a represa, para seu benefício, realiza um ato instintivo e animal, mas a construção de uma barragem num rio, a construção de uma catedral, o erguimento de um arranha-céu são atos de vontade e testemunham a vontade. E há um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] importante, onde a frustrabilidade encontra-se com a infrustrabilidade no [[lexico:c:campo:start|campo]] da Economia. É na [[lexico:t:tecnica:start|Técnica]]. E tal se dá, porque, nesta, a vontade humana atua, pondo a infrustrabilidade [[lexico:f:fisica:start|física]] a proceder de modo a atingir determinados fins. Este [[lexico:t:tema:start|tema]] de magna importância nos permitirá achar o ponto de encontro entre a liberdade e a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]]. Deve-se distinguir o ato humano, como foi definido acima, do ato não deliberante, realizado pelo homem, como os atos fisiológicos em [[lexico:g:geral:start|geral]] e o ato incapaz de deliberação por [[lexico:p:parte:start|parte]] do homem, como o ato de um ébrio. Chama-se, na Ética, de ato elícito aquele que se realiza imediatamente pela vontade como sua [[lexico:c:causa:start|causa]]. Diz-se que um ato humano da vontade é [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]], se procede do homem [[lexico:a:agente:start|agente]] com a cognição correspondente, acompanhada da [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] da vontade; imperfeito, quando [[lexico:f:falta:start|falta]] a plena deliberação da vontade ou do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] da [[lexico:c:coisa:start|coisa]]. É importante, no ato humano, o [[lexico:e:elemento:start|elemento]] cognoscitivo, sem o qual o referido ato não é completo, por lhe faltar o que é [[lexico:e:essencial:start|essencial]], que é a [[lexico:n:nota:start|nota]] da cognição prévia do que é deliberado pelo [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]]. No elemento cognoscitivo, incluem-se a advertência, que é a [[lexico:a:atencao:start|atenção]] da [[lexico:m:mente:start|mente]] à coisa, a deliberação, pelo qual se inquire qual o ato que deve ser proposto e, finalmente, o império, o poder, a [[lexico:o:ordem:start|ordem]] de executá-lo. No ato humano, é essencial uma cognição prática [[lexico:a:antecedente:start|antecedente]], que pode ser ora [[lexico:f:formal:start|formal]], ora judicativa, ora reflexa. Assim, tal é evidente, porque o ato humano é o que decorre do [[lexico:a:apetite:start|apetite]] (petere ad, pedir para) [[lexico:r:racional:start|racional]], e implica, necessariamente, uma deliberação sobre a conveniência ou inconveniência da sua realização. Essa cognição deve ser formal, porque o objeto desejado deve ser formalmente conhecido; deve ser judicativa, porque deve ser julgada a conveniência ou inconveniência da prática do referido ato; reflexa (refletir), porque o agente é cônscio da sua [[lexico:a:acao:start|ação]], e sabe que escolhe realizar o que está sob o domínio da sua vontade. Na judicação, há também apreciação de valores, valorações de várias espécies. Para que o ato humano se realize plenamente, não é mister que haja um conhecimento perfeito da coisa, pois de um conhecimento confuso pode-se realizar um ato humano perfeito. Uma cognição confusa, que é vencível, não impede uma deliberação perfeita da vontade, como também uma atenção meramente [[lexico:v:virtual:start|virtual]] não impede o ato humano. Examinemos, pois, os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] essenciais deste ato: 1) o elemento voluntário. Voluntário é o que procede de algum modo de [[lexico:p:principio:start|princípio]] [[lexico:i:intrinseco:start|intrínseco]], sob o conhecimento intelectual do [[lexico:f:fim:start|fim]]. Esta é uma [[lexico:d:definicao:start|definição]] clássica, cuja [[lexico:j:justificacao:start|justificação]] é a seguinte: ela procede de algum modo, e pode ser indireta, imediata, e formalmente, ou mediata, e denominativa, positiva ou negativamente; se não é de [[lexico:o:origem:start|origem]] intrínseca, seria extrínseca, de [[lexico:o:outro:start|outro]] que não o agente; sem a cognição intelectual do fim, e o ato seria cego e não humano, como o expusemos. Para que algo seja voluntário, é mister que seja conhecido e realizado pelo intento próprio do agente. Diz-se que o ato de vontade é livre, quando esta é determinada sob a [[lexico:r:razao:start|razão]] indiferente, com poder de não agir o que age, ou de agir de outro modo de o que age. Liberdade não significa absoluta [[lexico:e:espontaneidade:start|espontaneidade]] de ação, de [[lexico:d:determinacao:start|determinação]], como querendo dizer que para ser livre um ato é mister que não tenha uma causa, um [[lexico:m:motivo:start|motivo]], uma razão, um porquê. Essa maneira de considerar a liberdade é própria de autores modernos, que nunca compreenderam devidamente os estudos realizados pelos grandes filósofos do passado, sobre matéria de tanta, importância. Liberdade não significa desvinculação total, mas apenas a capacidade, a [[lexico:p:potencia:start|potência]] de indiferentemente agir ou não agir, ou de agir de modo outro que o que se realiza. Mas, no agir corno se age, encontra-se toda a conexão de [[lexico:c:causa-e-efeito:start|causa e efeito]], que dá a necessidade hipotética ao ato realizado. Assim, em [[lexico:q:quem:start|quem]] atua, decidindo-se a fazer isto em vez daquilo, encontraremos, em sua causação, os [[lexico:m:motivos:start|motivos]] causais de tal ação, como encontraríamos, também, motivos causais, se o seu ato fosse outro, pois este homem, que delibera [[lexico:a:agora:start|agora]] aproveitar seu [[lexico:t:tempo:start|tempo]] para estudar, ou para distrair-se, estudando mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]], permite que encontremos, era seus motivos, suficientes razões para ambas resoluções. A liberdade está em poder ele deliberar de um ou de outro modo, de aceitar, por um ato deliberativo e de vontade, as razões que julgou deveriam predominar, pelo sopesar de razões que o levou a seguir este e não aquele [[lexico:c:caminho:start|caminho]]. É a [[lexico:c:coacao:start|coação]] que impede a realização da vontade, e também a necessidade do [[lexico:c:consequente:start|consequente]] determinado previamente. Mas, o ato só é humano quando livre. Contudo, o ato humano pode [[lexico:e:estar:start|estar]] [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] a defeitos. E estes decorrem de determinadas [[lexico:c:causas:start|causas]], que influem na cognição. Temos, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a [[lexico:i:ignorancia:start|ignorância]], que é o defeito habitual da ciência no sujeito capaz, uma [[lexico:p:privacao:start|privação]] de ciência, uma [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:n:nesciencia:start|nesciência]], ou uma ciência não devida. Mas, a ignorância pode ser vencível ou invencível. A primeira ainda pode ser absoluta ou relativamente invencível, pois a criança, enquanto tal, ignora, invencivelmente, em [[lexico:r:relacao:start|relação]] à sua idade e capacidade, mas essa ignorância é vencível pelo adulto, também relativamente. Diz-se vencível, aquela que o pode ser no determinado [[lexico:e:estado:start|Estado]] em que é considerado o sujeito, que dela padece. Influi, ainda, na volição humana, a [[lexico:c:concupiscencia:start|concupiscência]], que é a desordenada habitualidade do apetite humano dirigido ao ato contra a razão, que pode aumentar o poder executivo do ato ou não. Temos ainda o medo, que é a trepidação do ânimo ante o que lhe sucede de [[lexico:m:mal:start|mal]] ou possa suceder, que, por sua vez, exerce uma modificação no poder desviador do ato humano. Temos, ainda, as paixões, que são os movimentos apetitivos da [[lexico:v:virtude:start|virtude]] em busca do [[lexico:b:bem:start|Bem]], ou adversativos, do mal, que tendem para o maléfico. As paixões podem exercer um papel muito grande na vontade humana, diminuindo o seu poder de deliberação. Também os hábitos exercem uma [[lexico:i:influencia:start|influência]] importante na realização dos atos humanos, porque são eles unia constante inclinação para determinados atos, podendo aumentar ou diminuir a vontade. Por causas extrínsecas, o ato humano pode sofrer restrições pela [[lexico:v:violencia:start|violência]], que é a [[lexico:m:mocao:start|moção]] procedente de princípio [[lexico:e:extrinseco:start|extrínseco]] que sustem a vontade. O exercício da violência pode ser vário e também a sua ação pode sofrer graus, influindo, por sua vez. gradativamente, na vontade. Há, também, o [[lexico:o:obstaculo:start|obstáculo]] à execução do ato humano, tais como os que oferecem o [[lexico:c:carater:start|caráter]] e o [[lexico:t:temperamento:start|temperamento]] de uma [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]], como nos mostram os atuais estudos da [[lexico:c:caracterologia:start|caracterologia]], que podem minorar ou exaltar o [[lexico:i:impulso:start|impulso]] da volição. Há, ademais, outros obstáculos de ordem patológica, que decorrem de uma anômala disposição da [[lexico:n:natureza-humana:start|natureza humana]], quer de ordem física, quer de ordem psíquica, como o histerismo, a epilepsia, a psicastenia. a neurastenia, etc. Não pode haver um ato [[lexico:m:moral:start|moral]] sem que seja ele um ato humano. Só o homem, ou só um ser inteligente e livre, pode [[lexico:t:ter:start|ter]] uma [[lexico:v:vida:start|vida]] moral. Ora, o ato ético, é um ato humano, que deve ser cumprido por razões de conveniência em bases justas, ato frustrável pela vontade humana como realizável por ela. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}