===== ATO DO JUÍZO ===== Isto, a [[lexico:a:analise-da-realidade:start|análise da realidade]], oferece-nos um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida que nos orienta um pouco sobre [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] a [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. Já vemos aqui que para [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] a realidade é o "algo" ao qual se refere o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]. Mas essa realidade [[lexico:n:nao:start|não]] será posta, afirmada, não terá uma validez plena se [[lexico:e:eu:start|eu]] não julgar, isto é, se eu não formular um [[lexico:j:juizo:start|juízo]] que diga que [[lexico:e:esse:start|esse]] pensamento é pensamento dessa realidade. Dizemos que algo é [[lexico:r:real:start|real]] quando pomos esse algo como [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] de um juízo. Formulamos juízos. Um juízo é a [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] ou a [[lexico:n:negacao:start|negação]] que fazemos de uma [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] que atribuímos ou não atribuímos a algo. Quando dizemos que algo é real? Dizemos que algo é real quando o consideramos como o sujeito do juízo, quer dizer, quando assentamos e pomos esse algo como sujeito de um juízo ou de uma [[lexico:s:serie:start|série]] de juízos possíveis. Se eu digo A é, então considero A como real. Por quê? Porque ao lado de A eu pus a partícula, a cópula "é", que está aguardando que algum [[lexico:p:predicado:start|predicado]] venha determinar aquilo que A é, e digo: A é B, C, D, E, o que seja. Assim, pois, dizer que algo é real não é nem mais nem menos que considerar este algo como sujeito [[lexico:p:possivel:start|possível]] de uma [[lexico:m:multidao:start|multidão]] de juízos, de afirmações ou de negações. Porque eu não posso afirmar ou negar [[lexico:n:nada:start|nada]] de algo, se esse algo não é, se esse algo não tem realidade. Portanto, a realidade que algo tem não é outra [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que sua [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de receber determinações mediante juízos. A [[lexico:f:funcao:start|função]] fundamental dos juízos é, pois, [[lexico:p:por:start|pôr]] a realidade. Depois que está posta a realidade, determiná-la. Ou melhor [[lexico:d:dito:start|dito]] ainda: no [[lexico:m:momento:start|momento]] mesmo em que determinamos uma realidade, pô-mo-la. De algo que não seja real não podemos nem [[lexico:f:falar:start|falar]]. Mas quando falamos de algo supõe-se já que esse algo de que falamos consideramo-lo como real. Assim, pois, [[lexico:s:ser:start|ser]] real uma coisa é ser sujeito de toda uma série de juízos. Se, por conseguinte, o juízo é a [[lexico:p:posicao:start|posição]] da realidade, ou, invertendo a [[lexico:p:proposicao:start|proposição]], se a realidade consiste em ser sujeito de juízo, então a [[lexico:f:formacao:start|formação]] mental, a função intelectual de formular juízos será ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] a função intelectual de estatuir realidades. Estatuímos que uma coisa é real tão logo consideramos essa coisa como sujeito de muitos juízos possíveis. A função intelectual do juízo é, pois, a mesma que a função [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] de estabelecer uma realidade. Mais ainda: quando não sabemos se algo é ou não é realidade, porém suspeitamos que seja realidade, qual é nossa [[lexico:a:atitude:start|atitude]]? Nossa atitude consiste em dizer: que é isso? Se respondemos que isso é isto ou aquilo, fica então estabelecida a realidade disso, realidade que é [[lexico:p:problematica:start|problemática]]. Pelo contrário, se respondemos: isto não é nada, então o que nos parecia ser uma realidade não é uma realidade. Portanto, o [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:f:fato:start|fato]] de perguntar: que é algo? já constitui uma posição de realidade. Esta identificação da função [[lexico:l:logica:start|lógica]] do juízo com a função ontológica de pôr a realidade é o ponto de partida de que se serve [[lexico:k:kant:start|Kant]] para deduzir todas as variedades de toda realidade possível. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], as variedades de [[lexico:t:todo:start|todo]] juízo possível conterão no seu seio as variedades de toda realidade possível, [[lexico:d:dado:start|dado]] que, como vimos, o juízo [[lexico:l:logico:start|lógico]] é o [[lexico:a:ato:start|ato]] de pôr a realidade. Por conseguinte, as diversas formas do ato de pôr a realidade, ou seja, do juízo, conterão no seu seio as diversas formas da própria realidade posta. Pois [[lexico:b:bem:start|Bem]]; quais são as formas diferentes do [[lexico:a:ato-do-juizo:start|ato do juízo]]? Estão estudadas perfeitamente desde [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]]. Precisamente a [[lexico:l:logica-formal:start|lógica formal]] é uma [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] que atinge desde Aristóteles sua [[lexico:f:forma:start|forma]] mais perfeita sem [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de introduzir nela modificação alguma. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}